terça-feira, 16 de novembro de 2010

MELHOR DESAFIO DEMOCRÁTICO

Depois de analisadas as respostas ao vosso desafio democrático (quem quiser pode ler todas as respostas dadas nos comentários) aqui fica aquele que pode ser considerado o mais completo, organizado, coerente e bem escrito:
1- A democracia ateniense era uma democracia em que todos os cidadão eram iguais, quer fossem ricos ou pobres. A democracia grega baseava-se em três fundamentos: a isonomia (igualdade perante a lei), a isegoria (liberdade de expressão) e por ultimo a isocracia (igualdade de acesso aos cargos políticos). Estes fundamentos completaram-se quando Péricles, prestigiado político helénico, criou as mistoforias. As mistoforias eram um ordenado que o Estado pagava aos cidadãos que exerciam cargos na função pública. Foram estes ordenados que tornaram a democracia grega numa democracia verdadeiramente directa (todos os cidadãos podiam fazer parte ou seja participar directamente na eclésia- assembleia de todos os cidadãos), pois dava o direito aos mais pobres de participarem também na vida política (convém dizer que cidadão Ateniense era aquele filho de pai e mãe Ateniense, do sexo masculino, com serviço militar cumprido, todos os outros eram excluídos). Tal como a democracia actual a democracia ateniense estava dividida em três poderes: poder legislativo (eclésia e bule), judicial (areópago e hilieu) e por ultimo executivo (estrategos e arcontes). Era a partir da eclésia- assembleia de todos os cidadãos- que se sorteavam os cidadãos para a bulé (responsável pelas leis), para o helieu (tribunal responsável dos crimes mais vulgares) e para os arcontes (funções religiosas e judiciais), elegiam os estrategos (chefes militares e políticos) e os cidadãos para o areópago (antigos arcontes que tratavam os crimes mais importantes). Todos estes cargos, à excepção do areópago, eram mudados anualmente, com a finalidade de evitar a corrupção e para que todos os cidadãos participem de igual modo na eclésia. Um dos maiores medos do povo ateniense era sem dúvida a tirania, ou seja, um tirano apoderar-se da democracia devido ao seu poder e riqueza. Para evitar que tal coisa acontecesse criaram o ostracismo. O ostracismo consistia na votação do elemento que os cidadãos achassem vir a ser um possível tirano. Este era obrigado a sair da cidade-estado durante dez anos, não perdendo nenhum dos seus bens. A democracia ateniense dava bastante importância à igualdade social, por essa razão pagava uma recompensa aos cidadãos que trabalhavam pela cidade e os mais ricos eram obrigados a pagar uma espécie de imposto, as liturgias, para navios de guerra e festas religiosas.
A principal diferença entre a democracia actual e a ateniense, é que a democracia actual é uma democracia representativa ou seja os cidadão elegem os seus representantes (deputados) para governar o país (através da assembleia), e a democracia ateniense era uma democracia directa pois todos os cidadãos participam directamente na eclésia.





2- A democracia ateniense é considerada actualmente como uma democracia bastante limitada, isto porque a maior parte da população não tinha direitos políticos (mulheres, metecos e escravos). Para além disso era uma democracia que autorizava a existência de escravos, que nem sequer eram considerados pessoas mas apenas bens. 
As mulheres atenienses tinham poucos direitos. Estas dedicavam toda a sua vida à educação das crianças e a trabalhos domésticos. Quando casadas, passavam da tutela do pai para a do marido. Se enviuvassem ficariam sob a tutela do filho mais velho ou do parente do sexo masculino mais próximo. Nas casas mais ricas as mulheres habitavam uma zona específica da casa- o gineceu. A principal função da mulher era passar despercebida na sociedade.
Os metecos eram extremamente importantes pois dedicavam-se às actividades artesanais e comercias. No entanto tinham uma vida bastante complicada na Polis. A sua condição de "estrangeiro" era hereditária, ou seja, passava de pais para filhos. Estes não podiam de qualquer forma participar na política, não tinham direito a possuir bens, tinham de cumprir o serviço militar para depois poder combater a favor da sua cidade-estado, eram obrigados a pagar impostos, o metécio, e por fim podiam participar nas diversas festas e jogos.
Os escravos, por sua vez, nem eram considerados pessoas. A lei não lhes reconhecia personalidade civil. Não eram autorizados a possuir bens, a formar família e tinham que obedecer ao seu ‘patrão’. Trabalhavam essencialmente nos serviços domésticos, campos e minas. 

Patrícia Simões
10º H2

2 comentários: