Iniciamos com uma pequena introdução sobre a situação fechada que se vivia na Europa medieval.
Nos finais do século XIV o conhecimento máximo do planeta corresponde a cerca de um quarto e encontra-se na posse da civilização islâmica.
As diferentes civilizações e sociedades vivem ainda um período de limitada comunicação e conhecimento, vivendo centradas sobre si próprias, acentuando a situação de isolamento. As economias, predominantemente terrestres, são limitadas na quantidade e na qualidade da produção e da circulação.
A Europa no início do século XV possui duas concepções sobre o limite sul do continente africano. A teoria ptolomaica (de Ptolomeu), prevalece, não aceitando o encontro marítimo entre as terras europeias e asiáticas, apresentando o Índico como um mar fechado. Por outro lado, a teoria de Macróbio representa a África como um rectângulo, existindo a partir da zona equatorial a junção dos oceanos Atlântico e Índico.
A imagem da Terra durante a Idade Média, assenta num conjunto contraditório e teórico de síntese de aspectos da cultura greco-latina e da Bíblia.
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| Planisfério, na Cosmographia de Ptolomeu, 1482 |
A civilização islâmica, neste período, graças à expansão religiosa e às actividades comerciais, possui a maior rede de comunicações e de conhecimentos.
A cristandade ocidental, por seu lado, depois de um período de isolamento, surge, ao longo do século XII, em processo de crescimento urbano e mercantil.
Este fenómeno traduz-se numa expansão militar, comercial e religiosa com as cruzadas e as acções evangelizadoras, com relevo para as dos franciscanos.
Portugal nasce num espaço de encontro entre a Europa e a África, o Atlântico e o Mediterrâneo, e entre as civilizações cristã, islâmica e judaica.
Portugal afirma-se como Estado independente no século XII. Nos finais do século XIII apresenta já as suas fronteiras, das mais antigas da Europa, claramente definidas numa Península Ibérica ainda muito dividida. As zonas de maior desenvolvimento do país concentram-se, desde muito cedo, no litoral e em portos como Lisboa, Setúbal, Porto, Viana do Castelo, Lagos, Tavira, que exercem actividades mercantis e piscatórias, mantendo relações com as rotas do Norte e do Sul da Europa.
A partir de inícios do século XIV, Portugal reforça a sua condição marítima. Em 1317, D. Dinis contrata como almirante-mor o genovês Manuel Pessanha. Em 1338, D. Afonso IV concede privilégios aos mercadores de Florença que se estabeleçam em Portugal. Por volta de 1341, os portugueses fazem uma primeira expedição às Canárias. Em 1353, os mercadores de Lisboa e do Porto celebram um tratado de comércio com a Inglaterra válido por cinquenta anos.
A eleição de D. João I como rei, nas cortes de Coimbra, e a sua vitória na batalha de Aljubarrota em 1385 renovam a nobreza nacional e recolocam a questão da posição de Portugal frente a Castela, abrindo, como diz o cronista Fernão Lopes, uma "idade na qual se levantou outro mundo novo e nova geração de gentes".
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| Painéis de S. Vicente, políptico atribuído a Nuno Gonçalves, terceiro quartel do século XV. Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa |
Nota: Ptolomeu foi um cientista grego que nasceu no século II d. C. e viveu em Alexandria na província romana do Egipto. Era astrónomo, geógrafo e cartógrafo. Lançou as bases da geografia matemática e da cartografia no tratado Guia de Geografia, obra que só em 1405 chegou ao conhecimento dos europeus.


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