quarta-feira, 30 de março de 2011

PROPOSTA DE CORRECÇÃO DO TESTE

Grupo I

1.1 As Inquirições régias eram averiguações promovidas pelo poder central e destinavam-se a verificar o estado dos bens do rei e da Coroa. Na sua base estão as inúmeras usurpações cometidas pelos senhores nobres e eclesiásticos contra o rei nos seus reguengos. Estas disposições régias surgem no âmbito ao combate à expansão senhorial que se efectuou à custa das propriedades alodiais dos herdadores e das terras do património régio - "... e filhando por tal prema a mim muitos dos meus direitos, ..." (Doc. A) e do fortalecimento do poder real.

1.2 No sentido de limitar as prerrogativas dos senhores e de fortalecer a autoridade régia, os monarcas, a partir de D. Afonso II, promulgaram diversas Leis Gerais, marcadamente anti-senhoriais, tais como as Leis de Desamortização (1211); as Confirmações (1217-1221) e as Inquirições (1220). As primeiras destinavam-se a contrariar o crescimento da propriedade eclesiástica, proibindo a aquisição de bens de raiz; as Confirmações tinham como objectivo submeter os títulos ou diplomas de posse de terras à confirmação do rei e as Inquirições, como se referiu na questão anterior, eram as averiguações efectuadas nos bens reguengos sobre os direitos e rendas devidos ao rei. Todas estas leis evidenciam, claramente, o fortalecimento do poder real.

1.3 Os elementos estruturais da arquitectura gótica presentes no documento são o arco quebrado e a abóbada de cruzamento de ogivas. O arco quebrado vem substituir o arco de volta perfeita, utilizado na arte românica, e pode ser estirado em altura conferindo verticalidade; a abóbada de cruzamento de ogivas faz cair a pressão sobre quatro pontos, suportando o peso da abóbada, permitindo fragilizar as paredes e nelas introduzir janelas (e vitrais).

1.4 O documento expressa de forma notória os elementos mais importantes da vivência cortesã. Temos presente o ideal cavaleiresco, onde se conjugam a bravura e os costumes palacianos. Aqui o próprio rei exorta os cavaleiros à prática da justa (combate realizado apenas entre dois cavaleiros), de modo a colocar à prova a sua destreza. O nobre identifica-se com o cavaleiro, bom justo, educado e refinado, capaz de amar delicadamente a sua dama. Para a educação destes cavaleiros muito contribuíram os romances de cavalaria (como o romance Amadis de Gaula). O amor cortês floresce nas cortes régias e senhoriais submetido a um conjunto de regras. Este amor é essencialmente espiritual. A dama, por sua vez, deverá corresponder a um tipo idealizado - deve ser bela mas recatada ("... entre as quais algumas muito belas..."). Ela é motivo de inspiração.
A poesia trovadoresca anima os serões com os seus versos cantados pelos jograis. É através dela que se propaga o amor cortês, elemento essencial da sociabilidade cortesã ("um cantou o lai dos perfeitos amantes...").
A perfeição moral e social do cavaleiro era imposta pela cortesia, que era um código de etiqueta próprio da vivência refinada da corte.

Grupo II

1.1 Os séculos XV e XVI constituíram para a Europa uma época de transformação cultural, de concepção e difusão de novos valores e atitudes - o Renascimento. A sua origem situa-se nas cidades italianas que constituíam estados independentes, no século XV, difundindo-se por toda a Europa. As cidades que mais destaque tiveram foram, como verificamos no Documento B, Génova, Florença, Veneza e Roma. O seu brilho muito ficou a dever-se à acção de mecenas como os Médicis (Florença), os Papas Júlio II e Leão X (em Roma) e outras elites governativas como os Montefeltro (em Urbino). A sua protecção deu azo a que figuras geniais como Leonardo da Vinci, Brunelleschi, Donatello, Botticelli, Miguel Ângelo, Rafael, entre muitos outros, questionassem, criassem, inovassem e progredissem em campos tão distintos como as artes, as ciências, a literatura, o ensino, a filosofia e até a religião.
Estas profundas transformações têm lugar num contexto de ruptura com os valores da Idade Média, como nos diz Garin, "... um programa de ruptura com um mundo envelhecido...", mas também com a invocação do legado cultural greco-latino, que os escritores do século XV abordam de uma nova forma crítica. Este é um tempo novo em que a civilização ocidental assume um grande dinamismo. Este dinamismo promove-se pela abertura ao mundo, pelo encontro de civilizações desconhecidas, pela reanimação das cidades, povoadas de gente, pela reanimação do comércio, pela revolução nas técnicas, nas ciências, nas artes, pela rápida difusão cultural promovida pela imprensa, pelas universidades e sobretudo pelo protagonismo assumido pelo novo Homem. Humanista, individualista, racional, astuto, curioso, observador, com um conhecimento abrangente e uma noção de progresso, características do novo pensamento.

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