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domingo, 21 de outubro de 2012

PORTUGAL NO 1º PÓS-GUERRA




A 1ª República caracterizou-se por uma instabilidade governativa constante, a participação de Portugal na Grande Guerra e os seus efeitos nefastos que induziram na sociedade portuguesa os germes da desagregação social e do caos económico. O fim do regime republicano democrático foi uma consequência natural de tal situação visto que ao longo dos anos vinte a violência política cresceu num ambiente de constante vazio de autoridade e poder. 

Entre 5 de Outubro de 1910 e 28 de Maio de 1926 houve em Portugal quarenta e cinco governos e oito presidentes da República. 

Factores que condicionaram de forma mais acentuada a estabilidade do regime republicano

1. Parlamentarismo - O Parlamento ou Congresso era constituído por duas  Câmaras: 
  • Câmara dos Deputados formada por representantes dos circulos eleitorais (concelhos) maiores de 25 anos e eleitos por 3 anos 
  • Câmara do Senado formado por representantes dos distritos e províncias ultramarinas, com mais de 35 anos eleitos por 6 anos. 
Competia ao Congresso fazer as leis, suspendê-las ou revogá-las, elaborar o orçamento da República, organizar a defesa nacional e nomear e destituir o Presidente da República. O regime era portanto de preponderância do poder legislativo sobre o executivo. A constante interferência do Congresso na actividade governativa tornava ineficaz a acção dos governos. Com efeito, os repetidos desentendimentos entre os partidos com assento no Parlamento inviabilizavam a constituição de maiorias parlamentares e geravam impasses irresolúveis que, às vezes por questões secundárias, faziam cair governos e presidentes. Os governos republicanos deixavam assim transparecer uma incapacidade cada vez maior para resolver as dificuldades que o país sentia já desde a monarquia.
2. Laicismo da República - As medidas tomadas pelos governos republicanos nomeadamente no campo da separação entre Igreja e Estado marcaram negativamente as relações entre o Estado e a Santa Sé mas também criando clivagens com grande parte da população católica do país.

3. Participação de Portugal na Grande Guerra - a participação de Portugal na Grande Guerra provocou enorme desequilíbrio financeiro acentuando os problemas de carácter económico e social. Racionamentos de alimentos, inflação, desvalorizações monetárias, défice da balança comercial. 



4. Agravamento da instabilidade política - consequência da participação na Guerra e dos seus perniciosos efeitos económicos e financeiros, a instabilidade agravou-se com o crescimento da actividade sindical, greves e manifestações e a adopção de uma estratégia de sindicalismo revolucionário marcado pelo alastramento dos ideais comunistas. A fome, as doenças e a suspensão de pagamento de salários a diversos sectores profissionais, os baixos salários e o desemprego implicaram o recurso das organizações operárias à sabotagem e ao terrorismo.
A guerra provocou também a instauração de dois períodos de ditadura: em 1915, Pimenta de Castro, e em 1917, Sidónio Pais. Sidónio governou durante um ano com grande apoio dos políticos mais conservadores, incluindo monárquicos e mesmo da Igreja. Depois da sua morte que coincidiu com o final da guerra, os monárquicos procuraram no início de 1919 aproveitar o clima de confusão e indefinição política para instaurarem a Monarquia do norte mas não o conseguiram. O parlamentarismo regressou mas com uma instabilidade acrescida. Afonso Costa foi para Paris e novos políticos surgiram mas sem conseguirem reencaminhar o país numa direcção coerente. A violência alastrou e impôs-se no quotidiano, principalmente em Lisboa. E o poder político, fragilizado, revela-se incapaz de resolver os problemas.
Perante esta situação, os sectores conservadores (destacando-se os mais poderosos grupos económicos e as altas patentes militares) receiam que Portugal enverede pela via do socialismo (triunfante em 1917, na Rússia). À semelhança do que acontecia na Europa, culpam o regime parlamentar de ser o causador de todos os males da República, aspiram por um governo forte, autoritário que ponha termo à instabilidade política e à agitação social e que defenda melhor os seus interesses de classe.


1926 - Ditadura e autoritarismo

Neste contexto de ameaças e instabilidade, entre o caminho da revolução popular ao modelo da U.R.S.S. e o da ditadura semelhante ao da Espanha - Primo de Rivera - e da Itália - Mussolini - os políticos e militares portugueses escolheram o da instauração duma ditadura (28 de Maio de 1926) do tipo do sul da Europa. As proximidades geográficas e vizinhanças ideológicas impuseram o rumo do autoritarismo.
O novo governo decreta o fim das liberdades individuais, dissolve o Congresso da República e extingue todas as instituições de inspiração liberal e democrática. (chegou ao fim a 1ª República e com ela a democracia parlamentar).
Gomes da Costa e as suas tropas desfilam em Lisboa (6-06-1926)

terça-feira, 16 de outubro de 2012

SÍNTESES ESQUEMÁTICAS PARA ORGANIZAR AS IDEIAS PARA O TESTE

Síntese n.º 1




Síntese n.º 2




A REGRESSÃO DO DEMOLIBERALISMO



Os anos após a guerra foram marcados por uma grande instabilidade política e mudanças radicais não só no equilíbrio geoestratégico mundial mas também nas posições assumidas pelos agentes de poder e principais protagonistas. As dificuldades económicas, as gravosas consequências da guerra e as ideologias políticas produziram fracturas graves por todo o mundo. Alguns factos atestam esta tendência:
  • O Komintern ou III Internacional Comunista existente em Moscovo sob a protecção do Partido Comunista da União Soviética deu um grande impulso às lutas operárias e à contestação laboral que alastrava por todo o mundo capitalista, nomeadamente o mais afectado pela guerra. Formaram-se partidos comunistas em muitos países do mundo em particular nos mais industrializados. A III Internacional orientada por Trotsky e Lenine procurava regular a acção desse movimento comunista mantendo-o fiel à ortodoxia e aos princípios.
  • Na Alemanha, na Hungria e na Itália movimentos radicais de esquerda marxistas leninistas procuraram tomar o poder aproveitando-se das situações políticas caóticas em que os respectivos países saíram do conflito. Em Berlim, um movimento de contestação à Republica de Weimar acabou em banho de sangue com o assassinato dos líderes espartaquistas. Em Munique uma república soviética declarou independência do estado alemão, independência essa que durou um mês. Até 1920 vários movimentos reivindicativos espalharam a desordem e o caos social em várias regiões da Alemanha enquanto na Hungria um movimento chefiado pelos comunistas procurava implantar uma república marxista. Na Itália greves, manifestações e desordens frequentes lideradas por activistas comunistas tentaram implantar a ditadura do proletariado através da ocupação de fábricas e campos agrícolas sendo severamente reprimidos. Também em Portugal e noutros países europeus a vaga de contestação esquerdista (manifestações e greves) provocou o caos económico e um período de vários anos de recessão económica. 
  • Os movimentos de esquerda despertaram por toda a parte o medo de revoluções comunistas o que teve como resultado o extremar de posições e a implantação de regimes autoritários  em vários países da Europa e do Mundo. Na Itália Mussolini, na Espanha Primo de Rivera, em Portugal a ditadura militar e o Estado Novo. 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

A NEP E O TRIUNFO DA REVOLUÇÃO SOVIÉTICA


Os bolcheviques venceram militarmente a contra-revolução branca mas, em 1920, a Rússia estava economicamente arruinada. O sistema produtivo apresentava níveis inferiores aos de 1913:
  • a população reduzira-se em 8%
  • as cidades estavam despovoadas
  • campos devastados e fábricas destruídas
  • transportes parados
  • baixa produção industrial
  • baixa produção agrícola porque os camponeses apenas produziam o necessário para a sobrevivência das famílias.
  • produção de cereais desceu para metade da de 1913
  • minas de hulha estavam inutilizadas
  • caminhos de ferro paralisados
  • redução drástica da produção industrial.

    Numa conjuntura política que mantinha o país isolado do ocidente capitalista, a miséria e a fome punham em perigo a Revolução.
    Procurando retirar o país da ruína em que se encontrava, Lenine põe em prática um programa económico com o objectivo de repor os níveis de produtividade que garantissem à população os bens essenciais à sua subsistência e a independência económica do Estado. Era uma Nova Política Económica (NEP).

    O governo recuou no processo das nacionalizações e aceitava a iniciativa privada em sectores secundários, mas essenciais da produção, mantendo nacionalizados os sectores fundamentais da economia:

    • o pequeno comércio, artesanato e agricultura intervieram no mercado para estimular a concorrência e travar a falta de bens de primeira necessidade
    • recuperação da agricultura através da suspensão das medidas de colectivização agrária, sendo suprimidas as requisições agrícolas e substituídas por imposto em géneros e depois em dinheiro
    • desenvolvimento e modernização da indústria, desnacionalizando-se as empresas industriais com menos de 20 operários, arrendando-se as fábricas a sociedades e particulares e abrindo concessões a empresas estrangeiras.
    O Estado ao mesmo tempo tomou medidas para o desenvolvimento das empresas na sua dependência:
    • contratou técnicos estrangeiros
    • reintegrou técnicos do tempo do czar
    • investiu em grandes fábricas criando grandes concentrações industriais
    • desenvolveu cooperativas agrícolas
    • promoveu o investimento estrangeiro
    • instituiu prémios de produção.
    • construiu barragens e centrais hidroeléctricas

    Para Lenine, este era um recuo estratégico, pois a cedência ao capitalismo durante algum tempo, e sob o controlo do Estado, podia ajudar à consolidação da Revolução.
    As medidas tomadas fizeram de novo crescer uma classe média de intermediários, Kulaks (pequenos proprietários rurais) e nepmen (pequena e média burguesia dos negócios), que tinham reposto e até ultrapassado os níveis de produtividade anteriores à guerra, mas por deterem uma riqueza cada vez maior foram gerando oposição e crítica dentro do partido.

    Lenine já não viu os resultados da NEP. A sua morte em 1924 veio ensombrar o regime que sofreu até 1927 os efeitos de uma feroz luta política pelo poder entre Estaline e Trotsky. Estaline mais feroz e determinado acabou por vencer esta contenda e Trotsky viu-se obrigado a fugir da U.R.S.S.

    DA DEMOCRACIA DOS SOVIETES AO CENTRALISMO DEMOCRÁTICO

    Para Lenine, democracia não era uma forma de governação mas o próprio poder do povo. De acordo com as concepções socialistas, povo é o conjunto dos operários, soldados, marinheiros, camponeses. Assim, para os marxistas-leninistas, o poder só é democrático se for exercido pelos proletários das fábricas, das forças armadas e do campo (mesmo que ele seja exercido por um único partido, excluindo todos os outros por não serem representativos do povo). É o que acontece na Rússia bolchevique, quando o Partido Comunista se afirma como partido único, centralizando o poder do povo - o poder democrático.
    Esta é uma forma de poder em que a soberania parte das bases populares, organizadas em sovietes.
    Por sua vez, estes sovietes de base elegem representantes seus para os sovietes locais e regionais. Num nível superior de organização política, estes sovietes locais e regionais elegem um soviete supremo, de âmbito nacional. É deste soviete supremo que saem os ministros do governo. Em última instância, os ministros elegem um Presidium, que é o órgão supremo da República, onde se inclui o Presidente da República.
    Esta é uma organização do poder bastante complexa, dominada por uma única corrente ideológica, logo por um único partido (o Partido Comunista) cuja orgânica se confundia com a orgânica do Estado soviético. Toda a estrutura cimeira do poder era constituída pelas elites dirigentes do partido - a nomenklatura. O presidente do partido era, por inerência, o Presidente da República. As altas figuras do partido eram as altas figuras do Estado.
    Esta constituição do poder é considerada democrática porque se baseava no sufrágio universal exercido de baixo para cima. É considerada centralista porque o poder era centralizado numa instituição suprema e exercido de forma autoritária.
    Disciplina, ordem e autoridade era a única forma de fazer triunfar a revolução dos pobres sobre os capitalistas exploradores. Para isso, os diferentes níveis do poder deviam respeitar a rígida hierarquia, estabelecida de cima para baixo, em que cada nível devia obedecer aos níveis superiores do Partido Comunista.

    segunda-feira, 8 de outubro de 2012

    O COMUNISMO DE GUERRA E A DITADURA DO PROLETARIADO

    Num quadro de ditadura do proletariado em que o Estado era controlado pelos proletários era necessário assegurar a defesa da via comunista. Para isso Trotsky organizou o Exército Vermelho fazendo frente ao Exército Branco, constituído pelas forças dos grandes proprietários e de antigos dirigentes políticos (que reagem aos decretos revolucionários) apoiados pelos países aliados e capitalistas, que invadiram a Rússia depois da Revolução (receosos da internacionalização da revolução). 
    Nesta conjuntura de guerra civil, os revolucionários implantam uma política de ditadura feroz e repressiva a nível interno, designada por Comunismo de Guerra. 
    Foram os tempos do terror vermelho, em que se consolidou um regime de partido único, policial, persecutório e repressivo, suspendendo-se a constituição, extinguindo a assembleia dos sovietes e os outros partidos políticos. É criada a polícia política - a Tcheka - e instituídos os campos de concentração e a censura (que suspendeu o decreto sobre a imprensa). Quem manifestasse o mais pequeno sinal contra-revolucionário era duramente reprimido.

    Assim se pôs fim à democracia dos sovietes: a terra e as fábricas foram retiradas ao controlo dos sovietes de camponeses e de operários e passaram para o controlo do Estado. Iniciou-se o processo de nacionalização de toda a economia e era ao Estado que cabia a gestão da produção e a distribuição dos bens pela população. Estas medidas revolucionárias não foram aceites sem contestação. Piquetes de operários vigiavam a entrega de colheitas ao Estado. Nas cidades as fábricas tinham que trabalhar ao sábado, verificando-se outros abusos dos direitos:
    • Nacionalização das empresas com mais de 5 operários 
    • Trabalho obrigatório dos 16 aos 50 anos;
    • Prolongamento do horário de trabalho;
    • Repressão da indisciplina.

    sábado, 6 de outubro de 2012

    ENTRE REVOLUÇÕES


    De Fevereiro a Outubro de 1917

    A revolta das mulheres contra o aumento do preço do pão, acompanhada por revoltas e greves dos operários e dos soldados contra a guerra provocou a revolução de Fevereiro de 1917 na qual o Czar foi obrigado a renunciar ao poder deixando a Rússia nas mãos dos partidos politicamente mais activos. Ministros e generais foram presos.
    Os mencheviques e socialistas revolucionários asseguraram o controle do soviete de Petrogrado cujo chefe era o menchevique Tchkheidizé. Negociações entre os revolucionários e os constitucionais democratas conduziram ao poder o príncipe Lvov como chefe do governo provisório mas o clima conspirativo aumentou sob o impulso dos bolcheviques que conseguiram assegurar o controlo do soviete de Petrogrado no sentido de retirar o poder à burguesia e entregá-lo a um governo revolucionário.

    Lvov e mais tarde Kerensky procuraram acalmar a situação e encaminhar o país no sentido do parlamentarismo ocidental mas o facto de não terem suspendido as acções militares e continuarem uma política pró-aliada fomentou um clima de revolta de rua numa estratégia revolucionária dirigida por Lenine entretanto regressado do exílio. Os sovietes, conselhos de operários, soldados e camponeses, controlados de início pelos mencheviques e socialistas revolucionários e mais tarde pelos bolcheviques formaram-se por toda a Rússia e tornaram-se a partir de Agosto de 1917, os pólos dinamizadores do movimento revolucionário.

    As divergências entre bolcheviques, socialistas revolucionários e mencheviques levaram a um confronto de posições crescente ao longo desse ano de 1917. Lenine considerava que a fase burguesa não era necessária no caminho para atingir o socialismo. Os bolcheviques exigiam:


    • a recusa da guerra
    • distribuição das terras, estatização dos bancos e fábricas
    • entrega do poder aos sovietes
    O clima adensou-se a partir de Abril. Revoltas, manifestações e confrontos obrigaram Lenine a refugiar-se na Finlândia. Os sovietes favoráveis aos bolcheviques foram perseguidos pelos governos provisórios. Os cossacos, entraram em Petrogrado e tentaram prender os bolcheviques mas estes defenderam a cidade e conseguiram manter o ímpeto revolucionário mesmo contra exércitos de cossacos. O governo provisório caiu e as populações tomaram progressivamente controlo dos campos e das fábricas. Os bolcheviques eram já maioritários nos sovietes de Petrogrado, Moscovo e Kiev. Os soldados desertaram da frente de combate permitindo às tropas alemãs e austríacas controlarem vastas regiões da Rússia ocidental.







    Em Outubro de 1917 o clima de sublevação transformou-se em movimento revolucionário orientado pelos sovietes bolcheviques e suas milícias, os Guardas Vermelhos, acabando por derrubar o governo provisório de Petrogrado. Na noite de 24 para 25 de Outubro (calendário Juliano) Petrogrado foi tomada pelos guardas vermelhos organizados por Trotsky, o couraçado Aurora disparou sobre o Palácio de Inverno sede do governo e o governo capitulou. Kerensky fugiu e os ministros foram presos.
    O II Congresso dos Sovietes entregou no mesmo dia o poder ao Conselho dos Comissários do Povo presidido por Lenine. Trotsky recebeu a pasta do exército e Estaline a pasta das nacionalidades.



    O governo revolucionário presidido por Lenine tomou controlo da situação e iniciou a publicação de decretos revolucionários que procuravam legalizar as reformas revolucionárias já iniciadas e instaurar a ditadura do proletariado:

    • Decreto sobre a paz - foi negociado o tratado de Brest Litovsk que permitiu um armistício antecipado com a Alemanha em condições muito desvantajosas pois a Rússia perdia grandes extensões de território. Esta paz separada provocou por sua vez o início do conflito com as ex-potências aliadas que invadiram os territórios da Rússia procurando combater a revolução e impedir a ocupação pelas tropas dos impérios centrais, dos territórios abandonados pelos Russos. Iniciou-se então a guerra civil.
    • Decreto sobre a terra - colectivização das terras e entrega das colheitas ao Estado. Fim da grande propriedade fundiária da Coroa, da Igreja e dos particulares, sem indemnizações.
    • Decreto sobre o controlo operário - colectivização das empresas, indústrias, minas, companhias de transportes, seguros, etc.
    • Decreto das nacionalidades - proclamação da Carta do Povo Russo que reconhecia o livre desenvolvimento das diferentes etnias e minorias nacionais, evitando a revolta e conflitualidades internas.
    • Decreto sobre a imprensa - liberdade de imprensa, reunião e associação
    • 1ª Constituição Revolucionária - proclamando a Rússia como estado federal e multinacional, favorecendo o operariado e as suas reivindicações mas reservando o sufrágio directo e universal apenas para a constituição dos sovietes locais.
    • Reunião da 3ª Internacional comunista que propôs a união de todos os partidos comunistas numa única organização o Komintern controlado por Moscovo e que defendia o movimento internacionalista comunista numa via marxista - leninista. Este movimento acabou por afastar as facções socialistas democráticas discordantes da ditadura do proletariado. Formaram-se a partir de 1919 partidos comunistas por todo o mundo.

    A REVOLUÇÃO RUSSA DE 1917

    A Rússia em 1917 estava em profunda crise política. Governado de forma autoritária pelo czar Nicolau II, o país sentia os efeitos de uma situação social bastante difícil e delicada.

    Descontentamento de largos sectores da população: camponeses, operários, burguesia e até a nobreza mais liberal. Motivos diversos e diferentes partidos e facções: miséria, concentração fundiária nas mãos da nobreza, salários baixos e miséria do proletariado, variadas razões para reclamar mudanças.

    Politicamente a oposição estava dividida entre
    • facção dos socialistas revolucionários que reclamavam partilha de terras, apoiada pelos camponeses.
    • sociais democratas, divididos em bolcheviques mais extremistas (adeptos da via da ditadura do proletariado, da clandestinidade e acção directa) e mencheviquesmoderados que consideravam necessária a existência de um partido de oposição no quadro do parlamentarismo.
    • constitucionais democratas adeptos do parlamentarismo ocidental.
    Contexto da revolução: a situação de envolvimento da Rússia na guerra levou a uma situação insustentável de crise social e económica agravada pelas perdas territoriais que puseram em causa a política de participação no conflito seguida pelo czar e seus apoiantes ocidentais. Havia fome, inflação, pobreza da maioria da população, derrotas militares verificando-se um clima de descontentamento e desânimo.

    domingo, 23 de setembro de 2012

    A PROPÓSITO DO MOVIMENTO FUTURISTA EM PORTUGAL


    O MANIFESTO ANTI-DANTAS

    CUBISMO


    DADAÍSMO




    SURREALISMO




    PARA ORGANIZAR IDEIAS


    SÍNTESE ESQUEMÁTICA

    AS VANGUARDAS EM PORTUGAL


    O início do século XX é marcado em Portugal pela permanência do naturalismo nas artes plásticas (Malhoa, Columbano, Carlos Reis, Alberto de Sousa) protegido e apreciado mesmo pela burguesia republicana. A partir de 1911, as mudanças políticas alteram o panorama cultural e imprimem uma dinâmica de mudança a todos os níveis da arte e da cultura. O cosmopolitismo e a renovação do espírito e da visão do mundo baseou-se numa visão crítica dos valores e gostos da burguesia - é o modernismo. 

    1º Modernismo 
    Marcado por artistas como Almada Negreiros, Stuart Carvalhais, Jorge Barradas, Amadeu de Souza Cardoso ou António Soares. Em vez da volumetria adopta-se o plano e traçado geométrico e esquemático. Temas de sátira política, social e anticlerical. Ambientes urbanos e retratos psicológicos, esbatimento da perspectiva em duas dimensões, cores claras e garridas, simplificação das formas. 
    A 1ª Guerra fez regressar a Portugal Santa Rita pintor, Eduardo Viana, Amadeu de Souza Cardozo.
    Em Lisboa surgiu a revista Orpheu com Almada Negreiros, Santa Rita, Pessoa, José Pacheco e Sá-Carneiro adoptando a tendência nascente do Futurismo. No Porto Eduardo Viana, Souza Cardoso e Delaunay. 
    Jorge Barradas 

    O Futurismo adaptou-se ao dinamismo cultural republicano. Rompendo com o passado e a tradição, o imobilismo e saudosismo exaltava-se a raça latina, o orgulho, a acção e o movimento. O manifesto Anti-Dantas foi um documento marcante reagindo contra as críticas que provinham das facções culturais mais conservadoras. Em 1917 surgiu o Ultimatum futurista às gerações portuguesas no século XX e o número único da revista Portugal Futurista com pinturas de Amadeu, Almada, Santa Rita e textos de Pessoa, Sá Carneiro, Marinetti e outros. 

    2º Modernismo 
    Jorge Barradas 
    Nos anos 20 a 30 decorreu a vaga de segundo modernismo. 
    José Régio, João Gaspar Simões, Adolfo Casais Monteiro como escritores e pintores como Almada Negreiros e Eduardo Viana, Dórdio Gomes, Mário Eloy, Carlos Botelho, Sarah Afonso, Abel Manta, Vieira da Silva, revistas Presença e Contemporânea, Ilustração Portuguesa, Domingo Ilustrado, ABC, Ilustração, Sempre Fixe. A oposição dos sectores conservadores e do governo manteve-se, por isso os artistas procuraram impor-se em locais como cafés, clubes e exposições individuais.  
    António Pedro será uma figura importante no grupo surrealista português nascido em oposição à cultura do Estado Novo. Organizou a exposição dos Artistas Modernos Independentes reagindo contra a tentativa de arregimentação dos modernistas portugueses que António Ferro, na altura director do Secretariado da Propaganda Nacional, tencionava fazer. 

    Amadeu de Souza Cardoso
    Rumou a Paris desde cedo procurando na pintura a realização como artista. Encontra-se com Delaunay e outros  como Juan Gris e Modigliani participando em exposições célebres como o Armory Show de Nova Iorque. Regressa a Lisboa em 1914 e encontra a resistência dos sectores mais tradicionais. Participa nas revistas Orfeu e Portugal Futurista. Experimenta todas as tendências desde o cubismo ao dadaísmo passando pelo expressionismo e futurismo. Morreu de pneumónica em 1918. 



    Almada Negreiros 
    Foi o mais destacado e conhecido dos modernos. Saiu do Colégio de Jesuítas de Campolide. Inicia-se no campo da pintura e participa no salão dos Humoristas de 1912. Desenvolve com Pessoa o Orpheu e Portugal Futurista desenvolvendo actividade literária em textos de intervenção, panfletos, poemas e novelas como o Manifesto Anti-Dantas. Em 1919 vai para Paris, regressa e desiludido parte para Madrid onde desenvolve a técnica do Mural até 1933. Em 1954 pinta o retrato de Fernando Pessoa. Morreu em 1970. 

    Eduardo Viana
    Foi dos nomes destacados da segunda fase do modernismo português. Em 1905 partiu para Paris com Manuel Bentes procurando actualizar-se no convívio com os pintores da moda. Viaja pela Europa e conhece a pintura de Cézanne que o influencia. Regressa em 1915 com os Delaunay e fixa-se no norte onde desenvolve a sua técnica. Aborda o cubismo matizando-o com cores alegres e cheias de luz. Regressa à figuração volumétrica que sempre o marcou com um toque oitocentista contrariado apenas pelo império da cor.