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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

PROPOSTA DE CORRECÇÃO DO TESTE

Grupo I

1.1 As guerras civis e perseguições que marcaram o século I a. C. desencadearam uma profunda crise política, derrubando a ordem estabelecida pelas instituições republicanas. O primeiro imperador romano, Octávio, ao ser proclamado Princeps, aceitou também o título de Augusto (um título divino) e esta aquisição de uma origem divina legitimou e fortaleceu a sua autoridade. Esta autoridade assentava no reconhecimento do bom serviço prestado por Octávio (o título de imperador era concedido aos generais vitoriosos cujos feitos tinham sido honrados com o triunfo). Os romanos aceitavam a divinização das virtudes imperiais - benefícios que o imperador trouxe ao seu Império, associando-lhe o culto à deusa Roma - representação do povo romano. O culto a Roma e ao imperador tornaram-se um elemento importante de unidade e coesão assumindo uma importância crescente, que se reflectiu na multiplicação por todo o Império dos templos dedicados ao culto imperial.

1.2 O conceito de cidadania difere entre gregos e romanos. Para os primeiros tinha um carácter redutor, para os segundos é uma noção aberta, que podia advir do próprio nascimento ou por aquisição. Contudo, a plena cidadania implicava um conjunto de direitos civis e políticos (direito de proceder a actos jurídicos, possuir terra, direito de votar e ser eleito nas magistraturas, entre outros, prerrogativas que eram dissociáveis). Inicialmente a categoria de cidadão estava reservada aos naturais de Roma e seus descendentes, posteriormente os habitantes das terras conquistadas alcançaram um estatuto jurídico que variava de região para região e que foi melhorando em virtude da aceitação do domínio romano. Normalmente a condição jurídica de uma cidade estendia-se aos seus habitantes e era vulgar a atribuição do título de cidadão a quem se distinguisse pelos seus méritos. A concessão por Caracala da plena cidadania a todos os habitantes do Império, em 212 d. C., promoveu a igualdade entre conquistados e conquistadores, conferindo unidade ao Império.

1.3 A cidade romana organizava-se em torno do fórum, praça pública principal, constituído pelos edifícios religiosos e administrativos, onde se destaca a cúria, a basílica e os templos. Junto do fórum podiam existir bibliotecas, mercados e lojas. As cidades estavam equipadas com termas e quase todas possuíam anfiteatro, teatro e circo.

1.3.1 A área pública mais importante das cidades romanas era o fórum.
O fórum, centro administrativo e religioso, era rodeado por edifícios e colunatas e possuía uma área ao ar livre destinada a reuniões. Nele se encontravam as repartições públicas como a cúria, onde se reunia o Senado, e a basílica, que era o tribunal público, bem como os templos.
Todas as cidades do Império obedeciam a este padrão urbanístico.

1.4 Há nas construções romanas um grande sentido de eficácia e organização. Dando prioridade à utilidade, as suas cidades são, essencialmente, construídas para usufruto dos cidadãos. Este sentido utilitário revelou-se através da construção de aquedutos, circos, termas, anfiteatros, estradas, sistemas de saneamento (água e esgotos)... O pragmatismo romano está igualmente presente no modo como afirmaram a sua condição de grandeza imperial reflectido na monumentalidade das suas construções e nas cidades organizadas como células de administração territorial extremamente eficazes.

Grupo II

1.1 Os agentes de romanização presentes no texto consideram-se: o exército; os comerciantes; as clientelas locais promovidas pelos governadores; os emigrantes; as alianças efectuadas com os poderes indígenas e consequente reforma administrativa e fundação de colónias; a implantação de uma rede de centros urbanos, através da progressiva assimilação de hábitos e instituições romanas; as vias romanas.

1.2 A política de urbanização entende-se como um pilar da romanização da Península Ibérica. A imposição do poder do Império foi lenta e gradual e o processo de aculturação baseou-se na fundação de colónias onde predominava um regime administrativo que se adaptava às características e tradições locais, mas com uma organização politico-administrativa semelhante à de Roma. A romanização da Península Ibérica centrar-se-ia, pois, no desenvolvimento da vida urbana. As cidades revestiam-se de características de monumentalidade e funcionalidade das suas estruturas e edifícios, podendo constituir-se sob vários estatutos jurídicos, como por exemplo Conímbriga que, de estipendiária foi promovida à categoria de município, na primeira metade do século I.

sábado, 27 de novembro de 2010

OS BÁRBAROS (GERMANOS)

A organização política dos germanos era bastante simples. Em época de paz eram governados por uma assembleia de guerreiros, formada pelos homens da tribo em idade adulta. Essa assembleia não tinha poderes legislativos e as suas funções restringiam-se à interpretação dos costumes. Também decidia as questões de guerra e de paz ou se a tribo deveria migrar para outro local.
Em época de guerra, a tribo era governada por uma instituição denominada comitatus. Era a reunião de guerreiros em torno de um líder militar, ao qual todos deviam total obediência. Esse líder era eleito.
Os germanos viviam de uma agricultura rudimentar, da caça e da pesca. Não tendo conhecimento das técnicas agrícolas, eram semi nómadas, pois não sabiam reaproveitar o solo esgotado pelas plantações. A propriedade da terra era colectiva e a sociedade era patriarcal, o casamento monogâmico e o adultério punido. O direito era consuetudinário, ou seja, baseava-se nos costumes.
A religião era politeísta e adoravam as forças da natureza.
Em resumo:
- Economia natural, sem moeda.
- Caça, pesca, saques, pastoreio, agricultura rudimentar.
- Propriedade colectiva da terra.
- Divididos em tribos.
- Sem escrita.
- Direito consuetudinário (baseado nos costumes e na oralidade).
- Religião politeísta .

A QUEDA DE ROMA

Entre os principais povos responsáveis pela fragmentação do Império podemos destacar os Visigodos, Ostrogodos, Anglo-Saxões, Francos, Suevos e Vândalos.
Com a invasão dos Hérulos, em 476, o último imperador romano, Rómulo Augusto, foi deposto. Odoacro, chefe dos Hérulos, subiu ao poder. Era o fim do Império Romano do Ocidente. O Império romano do Oriente, ou Bizantino, manteve-se até à conquista de Constantinopla pelos Turcos em 1553 (séc. XVI).


O saque de Roma (século V)

“Do Ocidente chega-nos uma notícia assustadora; Roma está cercada. Dizem-nos que os seus cidadãos, que haviam pago um resgate, entregando tudo o que tinham de ouro e prata, foram novamente atacados e depois de perderem seus bens, perderam também a vida. (…) A cidade que havia conquistado o mundo foi ela mesma conquistada. Ou, para dizer melhor, morreu de fome, antes de ser destruída. Quase não sobrou ninguém para ser escravizado. Na sua fome desesperada, os romanos comiam coisas horríveis. E até carne humana.”
São Jerónimo. Transcrito por Zelasco. G. et alii. O. cit. v. p.383. Adaptação.

ÁTILA - O "FLAGELO DE DEUS"


Como são os Hunos (século V)“Os historiadores antigos mal mencionam os hunos. Eles habitam nas margens do Mar Glacial. A sua ferocidade supera tudo. Não cozinham nem temperam o que comem. Alimentam-se de raízes silvestres ou da carne do primeiro animal que aparece, carne esta que esquentam por algum tempo, sobre o dorso de seu cavalo, entre suas próprias pernas. Não possuem abrigo. Entre eles não se usam casas, nem túmulos. Não encontraríamos nem mesmo uma cabana. Passam a vida percorrendo as montanhas e as florestas. São endurecidos desde o berço contra o frio, a fome e a sede. Mesmo em viagem, não entram em habitação sem necessidade absoluta e não se crêem nunca em segurança.Não têm reis nem governantes, mas obedecem a chefes, eleitos em cada circunstância. Quando se lançam ao combate, soltam no ar uma gritaria terrível.”
Amiano Marcelino, Res gestae. Transcrito por Courcelle, Pierre. História literária das grandes invasões germânicas. Petrópolis, Vozes, 1955, pp. 151-152.

O modo de vida dos Hunos

“O Historiador Amiano Marcelino (320-390), que era oficial do exército romano, descreveu assim algumas características dos hunos: Os hunos têm um modo de vida muito rude. Não cozinham, nem temperam os alimentos. Comem raízes das plantas e carne semicrua de qualquer animal. Vestem-se com tecidos de linho ou com peles de ratos cosidas umas às outras. Depois de vestir as suas roupas, não as tiram do corpo, até que o tempo as desfaça em pedaços. Não possuem casas, nem cabanas, nem constroem túmulos para os seus mortos. Vivem sempre montados nos seus cavalos. É assim que compram e vendem, comem e bebem. Agarrados ao pescoço do cavalo, dormem em sono profundo. Os hunos não se dedicam à agricultura. Passam a vida andando pelas montanhas e florestas. Não têm qualquer forma de organização estável. Parece que estão sempre fugindo nos seus cavalos e carroças.”
Gilberto Cotrin, História e Reflexão. P. 14

AS INVASÕES BÁRBARAS DO SÉCULO V



Numerosos povos bárbaros invadiram a Gália. Toda a região entre os Alpes e os Pirinéus, entre o Oceano e o Reno foi devastada pelos quados, vândalos, sármatas, albanos, gépidos, hérulos, saxões, burgúndios, alamanos e panoianos. O Império está na miséria. Mogúncia, antes uma cidade tão nobre, foi tomada e arruinada; e na sua igreja, milhares de pessoas foram massacradas. Worms foi destruída, depois de um longo cerco. Reims, aquela cidade poderosa, Amiens, Arras, Espira e Estrasburgo, todas viram os seus cidadãos serem levados como escravos. A Aquitânia e as províncias de Lião e Narbona, com excepção de poucas cidades, ficaram inteiramente despovoadas.”

Amiano Marcelino, Res gestae. Transcrito por Robinson, James Harvey. O.cit. V1. pp 44-44. (Adaptação)

Habitando as regiões fronteiriças do Império Romano, os povos bárbaros foram penetrando os territórios de Roma num processo lento e gradual. Inicialmente, dado o colapso da estrutura militar e as constantes guerras civis, os imperadores romanos realizavam acordos, pelos quais os bárbaros ganhavam o direito de habitar essas regiões. Em troca, eles defendiam a fronteira da invasão de outros povos. Esses primeiros bárbaros, incorporados no mundo romano, ficaram conhecidos como federados.
Nos séculos IV e V este processo de invasão ganhou feições mais conflituosas. Com a pressão exercida pelos Hunos (tártaro-mongóis), liderados pelo temível Átila, os povos bárbaros começaram a intensificar o processo de invasão do Império Romano.

A CRISE DO IMPÉRIO E SUA CONSEQUENTE DIVISÃO

A crise sócio-económica:- A diminuição das guerras de conquista e a consequente diminuição do número de escravos, afectou a produção;

- No século III a crise económica atingiu o seu apogeu, as moedas perderam valor e os salários e os preços elevaram-se, provocando o aumento da população marginalizada e uma maior exploração da mão-de-obra escrava, responsável por revoltas sociais, exigindo uma constante intervenção militar.
- A disputa entre generais por maior influência política tendeu a agravar-se com o início das migrações bárbaras.
- Entre 293 e 305, o Imperador Diocleciano dividiu o Império em duas e depois em quatro partes, dando origem à Tetrarquia, numa tentativa de fortalecer a organização política sobre as várias províncias que compunham o império e aumentar o controle sobre os exércitos.
Tetrarquia consistiu na divisão do Império entre dois Augustos e dois Césares: Constâncio Cloro ficou com a zona Ocidental; Maximiano com o território da Itália e boa parte da África setentrional; Galério recebeu a Europa Oriental (Ilíria, Macedónia, Grécia); Diocleciano recebeu o Oriente (territórios asiáticos e Egipto).
- Durante o governo de Diocleciano e Constantino, várias medidas foram adoptadas na tentativa de conter a crise, como a criação de impostos pagos em produtos, congelamento de preços e salários e a fixação do camponês à terra.
- O imperador Constantino foi ainda o responsável pela conciliação entre o Império e o cristianismo, a partir do Édito de Milão (313), que garantia a liberdade religiosa aos cristãos, que até então haviam sofrido intensas perseguições.
- A nova religião foi ainda mais reforçada durante o governo de Teodósio quando, através do Édito de Tessalónica, o cristianismo foi considerado como religião oficial do Império.
A política imperial baseava-se na utilização da Igreja como aliada, na medida em que esta era uma instituição hierarquizada e centralizada e que nesse sentido, contribuiria para justificar a centralização do poder.
- Com a morte do imperador Teodósio I, em 395, o Império Romano foi dividido entre os seus dois filhos: Arcádio, que ficou com o Orientetendo por capital Constantinopla (Bizâncio), e Honório, que ficou com o Ocidentetendo por capital Roma. A partir daí, ocorreu uma progressiva separação entre Ocidente e Oriente.
A desordem política, a anarquia militar e a disseminação do Cristianismo são factores que, somados às Invasões Bárbaras, foram responsáveis pela crise e queda do Império Romano.
Esse processo de ocupação foi realizado pelos bárbaros, povos que eram assim chamados pelos romanos por viverem fora dos territórios do Império e não falarem latim. Foi com a introdução das tradições dos bárbaros, também chamados germânicos, que o mundo feudal começou lentamente a surgir.

CONTEÚDOS PARA O TESTE

Conteúdos
Aprendizagens relevantes
2. O modelo romano
2.1 Roma, cidade ordenadora de um império urbano
2.2 A afirmação imperial da cultura urbana pragmática








2.3 A romanização da Península Ibérica: um exemplo de integração de uma região periférica no universo imperial

- Reconhecer o carácter urbano da civilização romana;
- Explicar a importância assumida pelo imperador como elemento de coesão política;
- Interpretar a extensão do direito de cidadania romana como um processo de integração da pluralidade de regiões no Império;
- Distinguir formas de organização do espaço nas cidades do Império tendo em conta as suas funções cívicas, políticas e culturais;
- Distinguir particularidades da romanização da Península Ibérica

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A EDUCAÇÃO - REFLEXO DO SENTIDO PRAGMÁTICO DA CULTURA ROMANA

A Educação Romana
«O espírito prático romano manifesta-se (…) na educação, que se inspirou, entre os romanos, nos ideais práticos e sociais. Na história da educação romana podem-se distinguir três fases principais: pré-helenista, helenista-republicana, helenista-imperial. A primeira e fundamental instituição romana de educação é a família de tipo patriarcal, germe de uma sociedade mais vasta, que vai da cidade ao império: os patres governam a coisa pública. Educador é o pai, que na sociedade familiar romana desempenha também as funções de senhor e de sacerdote – paterfamilias.
Nesta obra educativa colaborava também a mãe, especialmente nos primeiros anos e no concernente aos primeiros cuidados dos filhos, sendo, em Roma, mais considerada a mulher do que na Grécia, dadas as suas predominantes qualidades práticas. O fim da educação é prático-social: a formação do agricultor, do cidadão, do guerreiro (…). Essencialmente práticos e sociais são os meios: o exemplo, o treino ministrado pelo pai que faz o filho participar na sua actividade agrícola, económica, militar e civil, a tradição doméstica e política (…)e a religião – pietas – entendida como prática litúrgica, sendo a religião, em Roma, diversamente do que era na Grécia, sumamente pobre de arte e de pensamento. E tudo isso sob uma disciplina severa.
Enfim, prático-social era o próprio conteúdo teorético da educação, a instrução propriamente dita, que se reduzia a uma aprendizagem mnemónica de prescrições jurídicas, concisas e conceituosas – as leis das doze tábuas – que regulavam os direitos e os deveres recíprocos naquela elementar mas forte sociedade agrícola-político-militar.
A educação romana sofreu necessariamente uma profunda modificação, quando o antigo estado-cidade, desenvolvendo-se e expandindo-se para a nova forma do estado imperial – entre o terceiro e o segundo século a.C. – veio em contacto com a nova civilização helénica, cuja irresistível fascinação também Roma sofreu.
Sentiu-se então a exigência de um novo sistema educativo, em que a instrução, especialmente literária, tivesse o seu lugar. Esta instrução literária partiu precisamente da cultura helénica. Primeiro são traduzidas para o latim as obras literárias e poéticas gregas – por exemplo, a Odisseia -, depois estudam-se os autores gregos no texto original, enfim se forma pouco a pouco uma literatura nacional romana sobre o modelo formal da grega. E, deste modo, a princípio é a literatura grega que se difunde em Roma, depois, mediante a literatura, é o pensamento grego que penetra e se difunde, e afinal, através do pensamento, entra e se espalha a concepção grega da vida (…).
Evidentemente, a família não estava mais à altura de ministrar esta nova e mais elevada instrução. As famílias das mais altas classes sociais hospedam em casa um mestre, geralmente grego –pedagogus ou litteratus. E, para atender às exigências culturais e pedagógicas das famílias menos abastadas, vão-se, aos poucos, constituindo escolas – ludi – de instituição privada sem ingerência alguma do estado. Essas escolas são de dois graus:elementares – a escola do litterator onde se aprendia a ler, escrever e calcular; médias – a escola do grammaticus – onde se ensinava a língua latina e a grega, se estudavam os autores das duas literaturas, através das quais se aprendia a cultura helénica em geral. Um terceiro grau será, enfim, constituído mediante asescolas de retórica, uma espécie de institutos universitários, que surgem com uma diferenciação e uma especialização superior da escola de gramática.
A sua finalidade era formar o orador, porquanto a carreira política representava, para o espírito prático romano, o ideal supremo. E, portanto, o ensino da eloquência abrangia toda a cultura, do direito até à filosofia. O orador romano será o tipo do homem de acção, do político culto, em que a cultura é instrumento de acção – negotium e, logo, para os romanos, coisa muito séria, em relação com a seriedade da acção, e não simples distracção – otium. (…) A cultura helénica e os mestres gregos afluem a Roma sempre mais numerosos e bem acolhidos, enquanto a elite dos jovens romanos se vai aperfeiçoar nos centros de cultura helenista, especialmente em Atenas.
Juntamente com a organização do império organizam-se também as escolas romanas. Por certo, vindo a faltar a liberdade, vem a faltar o interesse político da cultura; as escolas de retórica perdem a função prática e social, transformando-se em meios de ornamento intelectual entre os lazeres de uma aristocracia cultural (…). Seja como for, o estado romano mostra agora apreciar a cultura. Começam os imperadores romanos por conceder imunidade e retribuições aos mestres de retórica ainda docentes em casas particulares; depois o Estado passa a favorecer e a promover a instituição de escolas municipais de gramática e de retórica nas províncias; enfim são fundadas cátedras imperiais, especialmente de direito, nos grandes institutos universitários.
Um dos principais motivos de interesse imperial pela cultura e a sua difusão foi o facto de se ver nela um eficaz instrumento de romanização dos povos, um instrumento de penetração e de expansão da língua e do jus [Direito] romano, um meio, em suma, para o engrandecimento do império. E o resultado foi fecundo também para a cultura como tal, porquanto foi ela levada, embora modestamente, aqueles povos – Espanha, Gália, Grã-Bretanha, Germânia, províncias danubianas, África setentrional – a que o helenismo não pudera chegar.
Tais escolas municipais foram tão vitais nas províncias, que muitas sobreviveram à queda do império romano ocidental, transformando-se em escolas eclesiásticas graças ao monaquismo cristão, e conservaram acesa na noite barbárica a chama da cultura clássica, preparadora dos esplêndidos renascimentos posteriores.
O teórico da pedagogia romana pode ser considerado Quintiliano. Nasceu na Espanha no II século d.C., foi professor de retórica em Roma, o primeiro docente pago pelo Estado, quando Vespasiano era imperador. Na Instituição Oratória, em doze livros, expõe o processo de formação do orador – cuja figura ideal já delineara Cícero no De Oratore. Faz Quintiliano uma exposição completa, propondo programas e métodos que foram em grande parte adoptados sucessivamente nas escolas do império. A instituição escolástica compreende os dois graus tradicionais de gramática e retórica. No curso de gramática ensinam-se a língua latina e a língua grega, a interpretação dos poetas – Virgílio e Homero – e as noções necessárias para este fim. No curso de retórica ensinam-se a interpretação dos historiadores – Tito Lívio – e dos oradores – Cícero -, o direito e a filosofia, enquanto fornecem o conteúdo essencial à arte oratória. Um lugar de destaque ocupa as normas e as exercitações de eloquência, o fim supremo da educação romana, segundo o espírito prático-político romano.»

ARTE ROMANA - SÍNTESE

Bem arrumadinha aqui está uma síntese da Arte Romana.

A ARQUITECTURA ROMANA

As principais características da arquitectura romana:
  • É uma arquitectura caracterizada pela monumentalidade, não só pelo o espaço que ocupa, mas também pelo seu significado. Isto decorre também da ideia da imortalidade do Império.
  • É uma arquitectura utilitária, prática, funcional, ou seja, de sentido pragmático. Por esta razão e também pela própria estrutura do Estado, aparecem novas construções, com um grande desenvolvimento da arquitectura civil e militar: basílicas, termas, etc.
  • É uma arquitectura dinâmica, resultado da utilização de alguns elementos construtivos como o arco e a abóbada.
  • Os materiais utilizados são muito variados: pedras cortadas em blocos, argamassa, tijolo, alvenaria, madeira… Quando o material era pobre eram muitas vezes revestidos com estuque, lajes de mármore ou ornamentados com mosaicos ou pinturas.
  • Usa a ordem dórica, jónica e coríntia, mas a mais usada foi a ordem compósita. Também foi muito frequente a sobreposição das ordens arquitectónicas em edifícios muito altos. Normalmente no andar térreo era usada a ordem dórica, no meio a jónica e, no superior, a coríntia. Os capitéis, em geral, apresentam motivos com maior liberdade do que na Grécia e há alguns com figuração. Aparecem grinaldas e bucranios (crânio de cabeça de boi que muitas vezes adornava a métopa da ordem dórica) como elementos decorativos.


Principais diferenças entre a Arquitectura Romana e a Grega: 


  • A romana é uma arquitectura mais ornamentada.
  • A novidade dos temas decorativos.
  • Maior perfeição dos monumentos.
  • Os edifícios têm um grande utilitarismo (pragmatismo).
  • A arquitectura é essencialmente civil e militar, em comparação com a arquitectura essencialmente religiosa na Grécia.
  • Trata-se de uma arquitectura mais dinâmica face à grega, mais estática.
  • O arco, a abóbada e a cúpula são mais frequentemente utilizados, face ao lintel da Grécia.
Apesar destas diferenças, existem muitas semelhanças com a arte grega, pois Roma assimilou numerosos elementos artísticos e arquitectónicos dos países que incorporava no seu Império. Também era frequente empregar artistas nascidos e formados noutras regiões, sendo os principais originários da Grécia.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

EMERITA AUGUSTA (MÉRIDA) - UM EXEMPLO DO URBANISMO ROMANO


Planta-tipo de uma cidade romana
A urbe está rodeada de uma muralha (com torres de vigia) e templanta rectangular. A cidade divide-se em módulos, separados entre si por ruas paralelas de dimensões iguais. Duas ruas, no entanto, têm dimensões maiores: o Cardo (sentido N-S) e o Decumanus (sentido E-O), desembocando cada uma delas nas quatro portas da cidade. No local em que estas duas ruas se cruzam fica o fórum e o mercado, ou seja: os espaços e edifícios mais importantes.
Planta-tipo da cidade romana
Planta-tipo da cidade romana

A IMPORTÂNCIA DAS VIAS ROMANAS NA UNIFICAÇÃO DO IMPÉRIO

As estradas romanas
A construção das calçadas romanas da rede oficial devia-se à iniciativa das autoridades imperiais e estavam sob a direcção do exército, mas eram executadas à custa e com o trabalho das comunidades tribais e locais por cujo território transitavam.
Em primeiro lugar, era planificado o traçado, em segundo lugar, era aberta a caixa da via e, a seguir, eram construídos os muros, parapeitos, vaus e pontes e a fixação de marcos miliários em cada uma das milhas estabelecidas. Contudo, não só era necessário construir, como também conservar as vias ano após ano, daí os numerosos testemunhos dos vários imperadores romanos.

Estradas romanas
Estradas romanas
esquema

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O PRAGMATISMO DA CULTURA ROMANA: O TRAÇADO URBANÍSTICO E OS EDIFÍCIOS

Mais centralizada do que a cidade grega, organizava-se em torno de um fórum;
• FÓRUM: centro administrativo e religioso da cidade romana, era uma grande praça pública e centro da vida pública (política, religiosa, comercial); tinha forma rectangular, com uma área destinada a reuniões ao ar livre, rodeada de colunatas e de edifícios religiosos e administrativos;
• Dos vários edifícios do Fórum, destacam-se:
- a Cúria: onde se reunia o Senado (conselho de notáveis que governavam a cidade);
- a Basílica: servia de tribunal público e de sala de reuniões;
• No fórum e suas imediações erguiam-se os principais templos da cidade (a tríade nacional – Júpiter/Juno/Minerva – simbolizava a presença e poder dos Romanos, no templo do Capitólio);


Foram acrescentados novos espaços ao velho fórum romano, os fóruns imperiais, o que mostra o gosto pela monumentalidade que reflectia a glória de Roma e dos seus imperadores. Esse gosto está patente em quase todo o tipo de construções:
• Bibliotecas e mercados públicos – situados junto aos fóruns;
• Termas – estabelecimentos de banhos públicos, dotados de salas de temperaturas diferentes, vestiários, piscinas de água quente e fria, palestras (onde se praticava ginástica), salas de descanso, de massagens, de reuniões. Para além da higiene, o banho era um momento cultural e civilizacional;


• Aquedutos – para conduzir a água dos reservatórios naturais até aos fontanários públicos e às casas particulares;
• Anfiteatros – local de diversão, palco de lutas com animais selvagens e com gladiadores; o mais conhecido é o Coliseu de Roma (séc. I);


• Circos – onde se realizavam as corridas de cavalos e de carros;



• Teatros – ao ar livre, onde se representavam as tragédias e comédias;
• Casas de habitação – de dois tipos:
- a domus: casa particular, onde moravam os cidadãos mais ricos (em Roma, espalhavam-se pelas colinas), com jardim interior, atrium, piscina e outras comodidades;

- a insula – casa colectiva alugada, lembrando os actuais imóveis, alta e frágil, construída em tijolo e madeira, que ruía com frequência ou era vítima de incêndios.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

MELHOR DESAFIO DEMOCRÁTICO

Depois de analisadas as respostas ao vosso desafio democrático (quem quiser pode ler todas as respostas dadas nos comentários) aqui fica aquele que pode ser considerado o mais completo, organizado, coerente e bem escrito:
1- A democracia ateniense era uma democracia em que todos os cidadão eram iguais, quer fossem ricos ou pobres. A democracia grega baseava-se em três fundamentos: a isonomia (igualdade perante a lei), a isegoria (liberdade de expressão) e por ultimo a isocracia (igualdade de acesso aos cargos políticos). Estes fundamentos completaram-se quando Péricles, prestigiado político helénico, criou as mistoforias. As mistoforias eram um ordenado que o Estado pagava aos cidadãos que exerciam cargos na função pública. Foram estes ordenados que tornaram a democracia grega numa democracia verdadeiramente directa (todos os cidadãos podiam fazer parte ou seja participar directamente na eclésia- assembleia de todos os cidadãos), pois dava o direito aos mais pobres de participarem também na vida política (convém dizer que cidadão Ateniense era aquele filho de pai e mãe Ateniense, do sexo masculino, com serviço militar cumprido, todos os outros eram excluídos). Tal como a democracia actual a democracia ateniense estava dividida em três poderes: poder legislativo (eclésia e bule), judicial (areópago e hilieu) e por ultimo executivo (estrategos e arcontes). Era a partir da eclésia- assembleia de todos os cidadãos- que se sorteavam os cidadãos para a bulé (responsável pelas leis), para o helieu (tribunal responsável dos crimes mais vulgares) e para os arcontes (funções religiosas e judiciais), elegiam os estrategos (chefes militares e políticos) e os cidadãos para o areópago (antigos arcontes que tratavam os crimes mais importantes). Todos estes cargos, à excepção do areópago, eram mudados anualmente, com a finalidade de evitar a corrupção e para que todos os cidadãos participem de igual modo na eclésia. Um dos maiores medos do povo ateniense era sem dúvida a tirania, ou seja, um tirano apoderar-se da democracia devido ao seu poder e riqueza. Para evitar que tal coisa acontecesse criaram o ostracismo. O ostracismo consistia na votação do elemento que os cidadãos achassem vir a ser um possível tirano. Este era obrigado a sair da cidade-estado durante dez anos, não perdendo nenhum dos seus bens. A democracia ateniense dava bastante importância à igualdade social, por essa razão pagava uma recompensa aos cidadãos que trabalhavam pela cidade e os mais ricos eram obrigados a pagar uma espécie de imposto, as liturgias, para navios de guerra e festas religiosas.
A principal diferença entre a democracia actual e a ateniense, é que a democracia actual é uma democracia representativa ou seja os cidadão elegem os seus representantes (deputados) para governar o país (através da assembleia), e a democracia ateniense era uma democracia directa pois todos os cidadãos participam directamente na eclésia.





2- A democracia ateniense é considerada actualmente como uma democracia bastante limitada, isto porque a maior parte da população não tinha direitos políticos (mulheres, metecos e escravos). Para além disso era uma democracia que autorizava a existência de escravos, que nem sequer eram considerados pessoas mas apenas bens. 
As mulheres atenienses tinham poucos direitos. Estas dedicavam toda a sua vida à educação das crianças e a trabalhos domésticos. Quando casadas, passavam da tutela do pai para a do marido. Se enviuvassem ficariam sob a tutela do filho mais velho ou do parente do sexo masculino mais próximo. Nas casas mais ricas as mulheres habitavam uma zona específica da casa- o gineceu. A principal função da mulher era passar despercebida na sociedade.
Os metecos eram extremamente importantes pois dedicavam-se às actividades artesanais e comercias. No entanto tinham uma vida bastante complicada na Polis. A sua condição de "estrangeiro" era hereditária, ou seja, passava de pais para filhos. Estes não podiam de qualquer forma participar na política, não tinham direito a possuir bens, tinham de cumprir o serviço militar para depois poder combater a favor da sua cidade-estado, eram obrigados a pagar impostos, o metécio, e por fim podiam participar nas diversas festas e jogos.
Os escravos, por sua vez, nem eram considerados pessoas. A lei não lhes reconhecia personalidade civil. Não eram autorizados a possuir bens, a formar família e tinham que obedecer ao seu ‘patrão’. Trabalhavam essencialmente nos serviços domésticos, campos e minas. 

Patrícia Simões
10º H2

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O DIREITO ROMANO NA UNIFICAÇÃO DO IMPÉRIO



O Direito romano foi um dos maiores agentes da romanização ao conceder a cidadania romana, por etapas, a todos os habitantes do Império.
O Título de “cidadão romano” conferia, juridicamente, vários direitos distintos:
Possuir e transmitir propriedade;
Proceder a uma acção judicial;
Contrair matrimónio legítimo;
Participar do sacerdócio;
Direito de voto nas assembleias;
Ser elegível para as magistraturas (e para o Senado).


O CULTO IMPERIAL NA UNIFICAÇÃO DO IMPÉRIO


O culto imperial em Conímbriga
«Culto Imperial
O fórum foi o polo central do culto imperial na cidade. Este culto era, por sua vez, o elemento essencial de agregação política e ideológica das cidades com Roma.
Uma das formas mais efectivas de promoção do culto imperial era a sua associação a cultos estabelecidos, mediante a invocação de outros deuses com o epíteto de Augusto: conhecem-se assim em Conimbriga dedicatórias a Apolo, Augusto e a Marte Augusto; mas o mesmo epíteto se podia aplicar a divindades indígenas de natureza desconhecida como os Remetes.
O culto imperial, todavia, não dispensava a devoção directa ao Imperador, aos seus ancestrais divinizados e aos outros elementos da sua família.
A primeira imagem imperial existente em Conimbriga terá sido uma figura togada de Caio, chamado Calígula, que reinou entre 37 e 41, morrendo vítima de uma conspiração, tendo-se procedido à chamada “damnatio memoriae”, o que terá acarretado que a estátua teve de ser retrabalhada no sentido de a fisionomia do imperador louco ser substituída pela do seu respeitabilíssimo avô Augusto.»
Fonte: Conímbriga

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

AINDA A PROPÓSITO DOS LEGIONÁRIOS

Este pequeno excerto da série de televisão "Roma" mostra em cerca de um minuto as bases da organização das legiões: disciplina, organização e domínio das técnicas/tácticas de combate.

LEGIONÁRIOS E ACAMPAMENTOS

Como alguns de vós demonstraram alguma curiosidade relativamente ao funcionamento das legiões romanas, aqui fica um filme sobre o assunto. Excepcionalmente, e para vos ajudar nalgum vocabulário que possam ter mais dificuldade em compreender, segue-se-lhe a tradução da locução feita em castelhano. 
"O exército romano encontrava-se muito bem organizado, ainda que a sua estrutura tenha mudado ao longo dos tempos. Na época de Júlio César, a unidade mínima era a centúria, composta por 80 homens e comandada por um centurião. Duas centúrias eram um manípulo e três manípulos compunham uma coorte com 480 legionários. Uma legião era constituída por dez coortes, que em batalha formavam três filas.
O equipamento básico de um legionário era composto por um elmo, um protector dorsal ou cota de malha, um escudo circular ou rectangular, uma adaga, uma espada e uma lança.
As legiões montavam acampamentos sempre da mesma forma, ainda que o tamanho variasse consoante se destinasse a uma coorte, uma legião ou várias. 
Se o exército ficava estacionado durante muito tempo, o acampamento convertia-se em semi-permanente ou permanente (aquartelamento), sendo montado com materiais mais resistentes e duradouros. Rodeado por um fosso e um muro de planta rectangular, era cruzado por duas vias que davam acesso a quatro portas. Os seus pontos principais eram o praetorium, onde se localizava o Estado Maior, e o forum onde se reuniam os legionários em parada. As legiões dispunham-se em fileiras paralelas de tendas, em cujas pontas ficavam as dos centuriões.
Os legionários ingressavam no exército, após um período de instrução militar, onde serviam durante vinte anos. 
Os acampamentos dos legionários, espalhados pelo Império, asseguravam a protecção das províncias de tão vasto território (que abarcava 60 milhões de habitantes)."
Fonte: arteHistoria

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

AUGUSTO VISTO POR ELE PRÓPRIO


Octávio César Augusto, nome completo Caio Júlio César Octaviano Augusto, em latim Gaius Iulius Caesar Octavianus Augustus (23 de Setembro de 63 a.C. – 19 de Agosto de 14 d.C.), foi o primeiroimperador romano.

«Aos dezanove anos de idade, formei um exército, por decisão particular e a expensas próprias, por meio do qual restituí a liberdade à República, oprimida pelo domínio de um partido. A esse título, o Senado inscreveu-me no seu grémio, por meio de decretos honoríficos (…), dando-me o posto de cônsul para efeitos de tomar a palavra, e outorgou-me o poder [imperium]. Mandou-me velar pela salvação da República como propretor e em conjunto com os cônsules. O povo, por sua vez, nesse mesmo ano, tendo ambos os cônsules tombado em combate, elegeu-me cônsul e triúnviro para organizar a República. (…) Fui proclamado imperator. O Senado decretou-me diversas vezes mais o triunfo; de todas eu me escusei. Depus no Capitólio os louros dos meus feixes (fasces), em cumprimento dos votos formulados em cada guerra (…). Nos meus triunfos foram levados à frente do meu carro nove reis ou filhos de reis. (…) Estava eu no meu décimo terceiro consulado, quando o Senado, a Ordem Equestre e o Povo Romano inteiro me designaram Pai da Pátria [Pater Patriae].»
PEREIRA, M. Helena da Rocha, Os Feitos do Divino Augusto