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domingo, 4 de março de 2012

SINTRA E O ROMANTISMO - A NOSSA VISITA DE ESTUDO

Já sabemos que o Romantismo foi um movimento cultural que surgiu na Europa a partir da segunda metade do século XVIII.
Contra a ordem e a rigidez intelectual em vigor na época, os artistas românticos deram uma maior importância à liberdade, imaginação, originalidade e expressão individual, através das quais poderiam alcançar a genialidade.
O individuo arrebatado exprime-se no herói romântico que mergulha no passado e na natureza. 
Defendendo o regresso à natureza, a liberdade criativa e o rompimento de tabus e condicionalismos temáticos e estéticos, os românticos adoptaram uma postura de síntese livre e criativa de várias influências: o exotismo oriental, a natureza, o medievalismo e as qualidades humanas são temas recorrentes no romantismo.
As mudanças sociais e políticas provocadas pela queda do absolutismo e da sociedade de ordens, as guerras frequentes, a revolução industrial em marcha, terão provocado nos meios artísticos e intelectuais sentimentos de inquietação perante um cenário de possibilidades abertas ao homem, numa época de tantas transformações.
No âmbito da política ressurge a exaltação do passado glorioso das nações e povos, justificando as conquistas da liberdade e das nacionalidades. A Idade Média suscitou a recuperação da história antiga que, adaptada ao tempo, resultou em anseios libertários, experiências políticas, ideologias novas. A liberdade tornou-se argumento de luta dos liberais por toda a Europa, reagindo primeiro contra os poderes absolutos, depois contra os grandes impérios industriais.
Grécia, Bélgica, Itália, Alemanha, são produtos da exaltação nacionalista e libertária dos povos europeus na época.
Imagem alusiva à unificação da Itália, com o herói revolucionário Garibaldi em primeiro plano
Na nossa visita de estudo fomos em busca dos vestígios da arquitectura romântica em Sintra.
O Romantismo ligado à recuperação de formas artísticas medievais, acompanhado pelo gosto pelo exótico contido nas culturas orientais, favoreceu o revivalismo e a mistura de vários estilos como o românico, o gótico, o bizantino, o chinês ou o árabe.
Começámos pelo Palácio da Pena, considerado uma das melhores expressões do Romantismo arquitectónico em Portugal.
Na imagem é nítida a diferença entre a parte mais antiga do edifício (na cor avermelhada) e a parte construída no século XIX (em tons de amarelo e adornado com cúpulas)
Edificado no local onde já tinha existido uma ermida no século XIV, dedicada a Nossa Senhora da Pena, e um mosteiro no século XVI, mandado construir por D. Manuel I e entregue à Ordem de S. Jerónimo. Este mosteiro, apesar de muito danificado com o terramoto de 1755, só foi abandonado pelos monges em 1834, com a extinção das ordens religiosas.
D. Fernando de Saxe Coburgo Gotha (marido da rainha D. Maria II e alemão de nascimento), apaixonou-se de tal forma pelo local que comprou o antigo convento e os terrenos à sua volta, iniciando as obras de restauro com o objectivo de transformar o edifício na residência de Verão da família real portuguesa.


O novo palácio foi encomendado ao barão Eschwege, engenheiro de minas, naturalista, botânico e geólogo alemão. O projecto foi idealizado pelo próprio D. Fernando, que interviu também de forma determinante nos detalhes decorativos de influência manuelina e mourisca.


O Palácio resulta, assim, numa mistura de estilos, reinventa universos fantásticos e proporciona um encontro de culturas, através da fusão da arte do Oriente com o Ocidente.
Este resultado foi descrito pelo compositor Richard Strauss quando visitou Sintra no século XIX: "Hoje é o dia mais feliz da minha vida. Conheço a Itália, a Sicília, a Grécia  e o Egipto e nunca vi nada que valha a Pena. (...) e, lá no alto está o castelo do Santo Graal (...) parece sair direitinho de um conto de fadas".

A visita continuou em Monserrate, mas antes.... era tempo de almoço e, apesar de o sol estar "envergonhado", não choveu "a cântaros" como no dia anterior, por isso pudemos fazer um piquenique em plena serra.
Só tenho fotos do almoço do H3, porque será? Terá alguma coisa a ver com o facto de o Francisco ter andado a tirar as fotos? Uma coisa é certa, a conversa estava animada mas o Eduardo estava muito mais interessado em ler as notícias do jornal desportivo!
H3 (novamente...). Se alguém tiver fotos interessantes do almoço, todas as contribuições serão bem vindas.
Finalmente, depois da barriga cheia e de tudo empacotado, atravessámos a estrada e fomos visitar o Parque e o Palácio de Monserrate. Tudo começou quando no século XVI um frade trouxe para Sintra uma imagem de Nossa Senhora de Monserrat, depois de uma peregrinação ao Eremitério Beneditino de Monserrat, na Catalunha. Aqui fundou uma pequena capelinha que, dessa forma, atribuiu o nome de Monserrate a este local.
Em meados do século XVIII, a propriedade já estava nas mãos de um rico comerciante inglês que aqui mandou construir uma vivenda acastelada de estilo neogótico que arrendou em 1794 ao escritor inglês William Beckford, que foi fazendo obras no jardim e na casa até à data da sua partida em 1799.
William Beckford
Em 1809, quando Lord Byron visitou o local, apesar de abandonado, ainda lhe deu a impressão de que este era "o primeiro e mais lindo lugar deste reino".
Lord Byron
O edifício actual foi projectado pelo arquitecto inglês James Knowles Jr., a pedido do rico comerciante inglês Francis Cook que tinha comprado a propriedade em 1855. Novos elementos de influências góticas, indianas e mouriscas são acrescentados ao palácio já existente, transformando-o num edifício exemplar do romantismo português.
A par do palácio, Cook mandou construir um magnífico parque, em que não falta uma capela convenientemente modificada com o objectivo de se assemelhar a uma ruína romântica, como era habitual nos jardins ingleses dos finais do século XVIII. Foi aqui que tivemos o nosso momento de poesia romântica declamada pelo Leandro (H3) e pelo Ricardo (H2), que leram poemas de Antero de Quental e de Almeida Garrett. Pena não termos nenhuma foto desse momento (ai Francisco...) mas temos algumas das ruínas, o que nos permite relembrar a ambiência criada no local.
A ruína da capela com o seu arco neogótico, fazendo reviver o gosto pela Idade Média
Relativamente à literatura romântica, convém relembrar que as circunstâncias que propiciaram esta nova corrente, arrastaram consigo uma acentuada tendência para a insegurança, para a inquietação, para o desajustamento que mergulha os autores ora num estado de melancolia, ora num estado de revolta. 
Este é um mundo literário cheio de paixões exaltadas, de traições, de malfeitores, de ambientes terríficos e mórbidos, ou um mundo de sonho, vivido na solidão, em contacto com uma natureza turbulenta, alvoroçada, sombria, ao pôr do sol, durante a noite, nas estações românticas (Outono Inverno), povoada de receios, de fantasmas, de visões terríficas.
A natureza sombria em Monserrate
Com o Romantismo alemão vem o grito de revolta contra o imperialismo napoleónico e a afirmação do nacionalismo e, como tal, o medievalismo, o regresso ao passado, o subjectivismo e, na sua sequência, o sentimentalismo.
De Inglaterra vem o gosto pela paisagem solitária, luarenta, saudosa, com as ruínas musgosas e evocadoras do passado. É este ambiente que propicia o clima em que floresce o romance histórico de Walter Scott e é nele que se realiza a obra da narrativa poética do aventureiro, revolucionário e sentimental Lord Byron.
A paisagem solitária de Monserrate
A paisagem solitária mas também turbulenta, com as suas cascatas
O Romantismo entra na literatura portuguesa com o poema D. Branca (1826), de Almeida Garrett. O ambiente político (lutas entre liberais e absolutistas), o seu exílio, temperamento e época em que viveu transformaram-no no grande romântico de Folhas Caídas e Viagens na Minha Terra.

Almeida Garrett
Também Alexandre Herculano será um grande autor do romantismo com Harpa do Crente e o romance histórico (O Bobo, O Monge de Cister, Eurico o Presbítero).

Alexandre Herculano
Já posteriormente, Camilo Castelo Branco (Amor de Perdição) ou Castilho são marcados por um ultrarromantismo de caraácter pessimista e trágico.

Camilo Castelo Branco
Bom, antes desta paragem na literatura romântica íamos a caminho do Palácio de Monserrate, não era? Continuemos pois!
E aí vamos nós!
Ena, parece o metro em hora de ponta!

Estou mesmo a ouvir os pensamentos da rapaziada: e pronto... a prof de história já se está a tentar ver livre de nós outra vez (todos os anos tenta pelo menos uma vez). Agora vai-nos deixar aqui no meio da floresta. Parecemos hobbits no Senhor dos Anéis! A qualquer momento aparece por aí um troll!
Já subimos... já descemos... e agora? para a esquerda ou para a direita?
Falta muito? Quando é que chegamos?
Finalmente, vislumbra-se qualquer coisita pelo meio da vegetação!
OOOOHHHH! Podemos rebolar-nos na relva?
E assim terminou o nosso percurso romântico em Sintra mas, ainda nos faltava o percurso queirosiano e foi o que fizemos quando voltámos para a vila.
E cá estamos nós na escadaria do Palácio da vila já com Os Maias na mão e a acompanhar Carlos da Maia no cap. VIII, por Sintra, em busca de Maria Eduarda
" Era uma linda manhã muito fresca, toda azul e branca, sem uma nuvem, com um lindo sol que aquecia, e punha nas ruas, nas fachadas das casas, barras alegres de claridade dourada."

"Só ao avistar o Paço descerrou os lábios:
- Sim senhor, tem cachet!
E foi o que mais lhe agradou - este maciço e silencioso palácio, sem florões e sem torres, patriarcalmente assentado entre o casario da vila, com as suas belas janelas manuelinas que lhe fazem um nobre semblante real, o vale aos pés, frondoso e fresco, e no alto as duas chaminés colossais, disformes, resumindo tudo, como se essa residência fosse toda ela uma cozinha talhada às proporções de uma gula de rei que cada dia come todo um reino."

"Eram duas da tarde quando os dois amigos saíram enfim do hotel, a fazer esse passeio a Seteais - que desde Lisboa tentava tanto o maestro. Na praça, defronte das lojas vazias e silenciosas, cães vadios dormiam ao sol: através das grades da cadeia, os presos pediam esmola.(...)"

A antiga cadeia (hoje posto de correios)
" De vez em quando aparecia um bocado da serra, com a sua muralha de ameias correndo sobre as penedias, ou via-se o Castelo da Pena, solitário, lá no alto.”

Lá está o castelo, pendurado na serra
"Defronte do hotel Lawrence, Carlos retardou o passo, mostrou-o ao Cruges.
- Tem o ar mais simpático..."

Pois, cá está ele!
Foi inaugurado em 1780, sendo o hotel mais antigo da Península Ibérica e um dos mais antigos da Europa. No século XIX recebeu como hóspedes muitas figuras ilustres nacionais e estrangeiras (Lord Byron, Camilo Castelo Branco, Oliveira Martins, Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão).
Bem encostadinhas ao Lawrence's, não sei se repararam nelas!
Sei que na altura em que por aqui passámos vocês estavam demasiado distraídos com um sintrense que aí encontrámos.


Como sei que tinham muita curiosidade para saber como era o Lawrence's por dentro, aqui fica um exemplo:

A biblioteca
O tanque/fonte na entrada com peixes
“(...) o maestro declarou que preferia estar ali, ouvindo correr a água, a ver monumentos caturras...
- Sintra não são pedras velhas, nem coisas góticas... Sintra é isto, uma pouca de água, um bocado de musgo... Isto é um paraíso!...”


" - Vejam vocês isto!- gritou o Cruges, que parara, esperando-os - isto é sublime.Era apenas um bocadito de estrada, apertada entre dois velhos muros cobertos de hera, assombreada por grandes árvores entrelaçadas, que lhe faziam um toldo de folhagem aberto à luz como uma renda: no chão tremiam manchas de sol: e, na frescura e no silêncio, uma água que se não via ia fugindo e cantando."


" Mas ao chegar a Seteais, Cruges teve uma desilusão diante daquele vasto terreiro coberto de erva, com o palacete ao fundo, enxovalhado, de vidraças partidas, e erguendo pomposamente sobre o arco, em pleno céu, o seu grande escudo de armas."
(...) Iam ambos caminhando por uma das alamedas laterais, verde e fresca, de uma paz religiosa, como um claustro feito de folhagem."


"Quando passaram o arco, encontraram Carlos sentado num dos bancos de pedra, fumando pensativamente a sua cigarrette. (...) do vale subia uma frescura e um grande ar; e algures, em baixo, sentia-se um prantear de um repuxo."


"Cruges, no entanto, encostado ao parapeito, olhava a grande planície de lavoura que se estendia em baixo, rica e bem trabalhada, repartida em quadros verde-claros e verde-escuros, que lhe faziam lembrar um pano
feito de remendos que ele tinha na mesa do seu quarto. Tiras brancas de estrada serpenteavam pelo meio(...).
O mar ficava ao fundo, numa linha unida esbatida na tenuidade difusa da bruma azulada: e por cima arredondava-se um grande azul lustroso como um belo esmalte,(...)”.

E estávamos a terminar o nosso percurso e assim:
" -Agora Cruges, filho, repara tu naquela tela sublime.
O maestro embasbacou. No vão do arco, como dentro de uma pesada moldura de pedra, brilhava, à luz rica da tarde, um quadro maravilhoso, de uma composição quase fantástica, como a ilustração de uma bela novela de cavalaria e de amor. Era no primeiro plano o terreiro, deserto e verdejando, todo salpicado de botões amarelos; ao fundo, o renque cerrado de antigas árvores, com hera nos troncos, fazendo ao longo da grade uma muralha de folhagem reluzente, e, do céu azul-claro, o cume airoso da serra, toda cor de violeta-escura, coroada pelo Palácio da Pena, romântico e solitário no alto, com o seu parque sombrio aos pés, a torre esbelta perdida no ar, e as cúpulas brilhando ao sol como se fossem feitas de ouro.”


No final, de regresso à vila, não fizemos como as personagens do romance que só se lembraram de comer queijadas quando já iam a caminho de Lisboa. Entre queijadas e travesseiros, tortas de laranja e suspiros, a dificuldade estava na escolha.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

VISITA DE ESTUDO AO MOSTEIRO DOS JERÓNIMOS

Hoje, para além da visita ao Museu Nacional de Arte Antiga, visitámos também a Igreja de Santa Maria de Belém - vulgarmente conhecida como Mosteiro dos Jerónimos, por aí terem habitado os monges da Ordem de São Jerónimo (até 1833).
Ficámos a saber que foi mandado construir por D. Manuel I, entre 1501-1502, e a sua construção demorou cerca de 100 anos. 
Soubemos também que Diogo de Boitaca foi o seu primeiro arquitecto, mas que muitos outros mestres se encarregaram da obra ao longo das décadas.
De igual forma, soubemos que a obra foi financiada com a "Vintena da Pimenta", isto é, um imposto criado pelo rei que consistia em 5% de todo o ouro trazido da Guiné, bem como das especiarias e das pedras preciosas vindas da Índia.
Na época, o mosteiro teria sensivelmente este aspecto:

Mas com o terramoto de 1755, grande parte da cidade de Lisboa ficou reduzida a escombros e o mosteiro também ficou muito danificado:

No século XIX, o edifício sofreu modificações com as obras de restauro a que foi submetido, que apesar de não terem alterado a estrutura primitiva, deram-lhe a forma que hoje lhe conhecemos:



Hoje analisámos o Portal Sul, grandioso e ricamente decorado


E também a Porta Axial (a principal), onde se encontram representadas cenas do Nascimento de Jesus Cristo e as estátuas dos mecenas da obra (D. Manuel I e a rainha D. Maria, acompanhados pelos seus santos patronos - São Jerónimo e São João Baptista, respectivamente). 


Neste portal já se encontram elementos característicos da arte renascentista, como os querubins com asas, o realismo das representações do casal real e a representação do nu de São Jerónimo.
Na Igreja pudemos observar as colunas ricamente decoradas com motivos exóticos vegetalistas e náuticos (por exemplo, cordas), o tecto em abóbada (composta por nervuras e, por isso, denominada polinervada), em que se encontram motivos característicos do estilo gótico-manuelino: símbolos relacionados com a figura do rei como a Cruz de Cristo, a Esfera Armilar e o Escudo Régio.

Ao fundo, na Capela-Mor, inaugurada em 1572, já se encontram as características distintivas da arquitectura renascentista: colunas com duas ordens clássicas, mármores coloridos, linhas direitas, simetria. É aqui que se encontra o Panteão Real com os túmulos dos reis D. Manuel I e D. João III e respectivas rainhas; nas capelas laterais podemos ainda encontrar os túmulos de vários príncipes e princesas, bem como o do cardeal D. Henrique (rei de Portugal entre 1578 e 1580 - após a morte de D. Sebastião no Norte de África) e o pseudo-túmulo de D. Sebastião (que se encontra vazio, uma vez que os seus restos mortais nuca foram encontrados e resgatados).
Também aqui na Igreja de Santa Maria de Belém encontramos dois dos maiores vultos nacionais daquela época: Vasco da Gama e Luís de Camões.
Túmulo de Luís de Camões
Para recordarem os pormenores podem fazer aqui a visita virtual.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

PAINÉIS DE SÃO VICENTE (ATRIBUÍDO A NUNO GONÇALVES - SEGUNDA METADE DO SÉCULO XV)

O tema é a veneração a São Vicente aquando das campanhas contra os Mouros, em Marrocos, durante a dinastia de Avis (óleo e têmpera).

quarta-feira, 18 de maio de 2011

BIOMBOS (ESCOLA DE KANO - 1593/1602)

Arte namban (pintura a têmpera sobre papel de amoreira revestido a folha de ouro, seda, laca e metal).

terça-feira, 17 de maio de 2011

VISITA AO MUSEU NACIONAL DE ARTE ANTIGA

A visita ao Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) enquadra-se no âmbito do ponto 3.3 do Módulo 3, considerado de aprofundamento pelo programa de História A de 10º ano.
O MNAA, também conhecido por Museu das Janelas Verdes, alberga um acervo de enorme valor para o estudo da história da arte portuguesa e internacional, nomeadamente para o período de transição entre a arte medieval, em particular o estilo gótico, e a adopção dos cânones artísticos do Renascimento.
A vastidão da colecção impôs que restringíssemos a visita a um conjunto de peças seleccionadas, de que se destacam três obras: os Painéis de São Vicente (políptico), as Tentações de Santo Antão (triptíco) e os Biombos Namban.
Entre meados do século XV e a primeira metade do século XVI, a pintura portuguesa registou um movimento de renovação admirável, fruto da influência de artistas do Renascimento europeu (como Jan van Eyck, que se deslocou ao nosso país) e da mestria dos pintores nacionais, integrados em oficinas artísticas (por exemplo, frei Carlos, da Oficina de Francisco Henriques, em Évora, ou Vasco Fernandes, de Viseu), que produziram obras-primas incontornáveis.