sábado, 27 de novembro de 2010

OS BÁRBAROS (GERMANOS)

A organização política dos germanos era bastante simples. Em época de paz eram governados por uma assembleia de guerreiros, formada pelos homens da tribo em idade adulta. Essa assembleia não tinha poderes legislativos e as suas funções restringiam-se à interpretação dos costumes. Também decidia as questões de guerra e de paz ou se a tribo deveria migrar para outro local.
Em época de guerra, a tribo era governada por uma instituição denominada comitatus. Era a reunião de guerreiros em torno de um líder militar, ao qual todos deviam total obediência. Esse líder era eleito.
Os germanos viviam de uma agricultura rudimentar, da caça e da pesca. Não tendo conhecimento das técnicas agrícolas, eram semi nómadas, pois não sabiam reaproveitar o solo esgotado pelas plantações. A propriedade da terra era colectiva e a sociedade era patriarcal, o casamento monogâmico e o adultério punido. O direito era consuetudinário, ou seja, baseava-se nos costumes.
A religião era politeísta e adoravam as forças da natureza.
Em resumo:
- Economia natural, sem moeda.
- Caça, pesca, saques, pastoreio, agricultura rudimentar.
- Propriedade colectiva da terra.
- Divididos em tribos.
- Sem escrita.
- Direito consuetudinário (baseado nos costumes e na oralidade).
- Religião politeísta .

A QUEDA DE ROMA

Entre os principais povos responsáveis pela fragmentação do Império podemos destacar os Visigodos, Ostrogodos, Anglo-Saxões, Francos, Suevos e Vândalos.
Com a invasão dos Hérulos, em 476, o último imperador romano, Rómulo Augusto, foi deposto. Odoacro, chefe dos Hérulos, subiu ao poder. Era o fim do Império Romano do Ocidente. O Império romano do Oriente, ou Bizantino, manteve-se até à conquista de Constantinopla pelos Turcos em 1553 (séc. XVI).


O saque de Roma (século V)

“Do Ocidente chega-nos uma notícia assustadora; Roma está cercada. Dizem-nos que os seus cidadãos, que haviam pago um resgate, entregando tudo o que tinham de ouro e prata, foram novamente atacados e depois de perderem seus bens, perderam também a vida. (…) A cidade que havia conquistado o mundo foi ela mesma conquistada. Ou, para dizer melhor, morreu de fome, antes de ser destruída. Quase não sobrou ninguém para ser escravizado. Na sua fome desesperada, os romanos comiam coisas horríveis. E até carne humana.”
São Jerónimo. Transcrito por Zelasco. G. et alii. O. cit. v. p.383. Adaptação.

ÁTILA - O "FLAGELO DE DEUS"


Como são os Hunos (século V)“Os historiadores antigos mal mencionam os hunos. Eles habitam nas margens do Mar Glacial. A sua ferocidade supera tudo. Não cozinham nem temperam o que comem. Alimentam-se de raízes silvestres ou da carne do primeiro animal que aparece, carne esta que esquentam por algum tempo, sobre o dorso de seu cavalo, entre suas próprias pernas. Não possuem abrigo. Entre eles não se usam casas, nem túmulos. Não encontraríamos nem mesmo uma cabana. Passam a vida percorrendo as montanhas e as florestas. São endurecidos desde o berço contra o frio, a fome e a sede. Mesmo em viagem, não entram em habitação sem necessidade absoluta e não se crêem nunca em segurança.Não têm reis nem governantes, mas obedecem a chefes, eleitos em cada circunstância. Quando se lançam ao combate, soltam no ar uma gritaria terrível.”
Amiano Marcelino, Res gestae. Transcrito por Courcelle, Pierre. História literária das grandes invasões germânicas. Petrópolis, Vozes, 1955, pp. 151-152.

O modo de vida dos Hunos

“O Historiador Amiano Marcelino (320-390), que era oficial do exército romano, descreveu assim algumas características dos hunos: Os hunos têm um modo de vida muito rude. Não cozinham, nem temperam os alimentos. Comem raízes das plantas e carne semicrua de qualquer animal. Vestem-se com tecidos de linho ou com peles de ratos cosidas umas às outras. Depois de vestir as suas roupas, não as tiram do corpo, até que o tempo as desfaça em pedaços. Não possuem casas, nem cabanas, nem constroem túmulos para os seus mortos. Vivem sempre montados nos seus cavalos. É assim que compram e vendem, comem e bebem. Agarrados ao pescoço do cavalo, dormem em sono profundo. Os hunos não se dedicam à agricultura. Passam a vida andando pelas montanhas e florestas. Não têm qualquer forma de organização estável. Parece que estão sempre fugindo nos seus cavalos e carroças.”
Gilberto Cotrin, História e Reflexão. P. 14

AS INVASÕES BÁRBARAS DO SÉCULO V



Numerosos povos bárbaros invadiram a Gália. Toda a região entre os Alpes e os Pirinéus, entre o Oceano e o Reno foi devastada pelos quados, vândalos, sármatas, albanos, gépidos, hérulos, saxões, burgúndios, alamanos e panoianos. O Império está na miséria. Mogúncia, antes uma cidade tão nobre, foi tomada e arruinada; e na sua igreja, milhares de pessoas foram massacradas. Worms foi destruída, depois de um longo cerco. Reims, aquela cidade poderosa, Amiens, Arras, Espira e Estrasburgo, todas viram os seus cidadãos serem levados como escravos. A Aquitânia e as províncias de Lião e Narbona, com excepção de poucas cidades, ficaram inteiramente despovoadas.”

Amiano Marcelino, Res gestae. Transcrito por Robinson, James Harvey. O.cit. V1. pp 44-44. (Adaptação)

Habitando as regiões fronteiriças do Império Romano, os povos bárbaros foram penetrando os territórios de Roma num processo lento e gradual. Inicialmente, dado o colapso da estrutura militar e as constantes guerras civis, os imperadores romanos realizavam acordos, pelos quais os bárbaros ganhavam o direito de habitar essas regiões. Em troca, eles defendiam a fronteira da invasão de outros povos. Esses primeiros bárbaros, incorporados no mundo romano, ficaram conhecidos como federados.
Nos séculos IV e V este processo de invasão ganhou feições mais conflituosas. Com a pressão exercida pelos Hunos (tártaro-mongóis), liderados pelo temível Átila, os povos bárbaros começaram a intensificar o processo de invasão do Império Romano.

A CRISE DO IMPÉRIO E SUA CONSEQUENTE DIVISÃO

A crise sócio-económica:- A diminuição das guerras de conquista e a consequente diminuição do número de escravos, afectou a produção;

- No século III a crise económica atingiu o seu apogeu, as moedas perderam valor e os salários e os preços elevaram-se, provocando o aumento da população marginalizada e uma maior exploração da mão-de-obra escrava, responsável por revoltas sociais, exigindo uma constante intervenção militar.
- A disputa entre generais por maior influência política tendeu a agravar-se com o início das migrações bárbaras.
- Entre 293 e 305, o Imperador Diocleciano dividiu o Império em duas e depois em quatro partes, dando origem à Tetrarquia, numa tentativa de fortalecer a organização política sobre as várias províncias que compunham o império e aumentar o controle sobre os exércitos.
Tetrarquia consistiu na divisão do Império entre dois Augustos e dois Césares: Constâncio Cloro ficou com a zona Ocidental; Maximiano com o território da Itália e boa parte da África setentrional; Galério recebeu a Europa Oriental (Ilíria, Macedónia, Grécia); Diocleciano recebeu o Oriente (territórios asiáticos e Egipto).
- Durante o governo de Diocleciano e Constantino, várias medidas foram adoptadas na tentativa de conter a crise, como a criação de impostos pagos em produtos, congelamento de preços e salários e a fixação do camponês à terra.
- O imperador Constantino foi ainda o responsável pela conciliação entre o Império e o cristianismo, a partir do Édito de Milão (313), que garantia a liberdade religiosa aos cristãos, que até então haviam sofrido intensas perseguições.
- A nova religião foi ainda mais reforçada durante o governo de Teodósio quando, através do Édito de Tessalónica, o cristianismo foi considerado como religião oficial do Império.
A política imperial baseava-se na utilização da Igreja como aliada, na medida em que esta era uma instituição hierarquizada e centralizada e que nesse sentido, contribuiria para justificar a centralização do poder.
- Com a morte do imperador Teodósio I, em 395, o Império Romano foi dividido entre os seus dois filhos: Arcádio, que ficou com o Orientetendo por capital Constantinopla (Bizâncio), e Honório, que ficou com o Ocidentetendo por capital Roma. A partir daí, ocorreu uma progressiva separação entre Ocidente e Oriente.
A desordem política, a anarquia militar e a disseminação do Cristianismo são factores que, somados às Invasões Bárbaras, foram responsáveis pela crise e queda do Império Romano.
Esse processo de ocupação foi realizado pelos bárbaros, povos que eram assim chamados pelos romanos por viverem fora dos territórios do Império e não falarem latim. Foi com a introdução das tradições dos bárbaros, também chamados germânicos, que o mundo feudal começou lentamente a surgir.

CONTEÚDOS PARA O TESTE

Conteúdos
Aprendizagens relevantes
2. O modelo romano
2.1 Roma, cidade ordenadora de um império urbano
2.2 A afirmação imperial da cultura urbana pragmática








2.3 A romanização da Península Ibérica: um exemplo de integração de uma região periférica no universo imperial

- Reconhecer o carácter urbano da civilização romana;
- Explicar a importância assumida pelo imperador como elemento de coesão política;
- Interpretar a extensão do direito de cidadania romana como um processo de integração da pluralidade de regiões no Império;
- Distinguir formas de organização do espaço nas cidades do Império tendo em conta as suas funções cívicas, políticas e culturais;
- Distinguir particularidades da romanização da Península Ibérica