terça-feira, 13 de março de 2012

A CIVILIZAÇÃO INDUSTRIAL - A EXPANSÃO DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL




Ciência e Técnica

O desenvolvimento da indústria e da investigação resultou a partir de meados do século XIX num ciclo de desenvolvimento económico acelerado apoiado em descobertas da ciência, avanços da técnica e novas tecnologias:
  • Aceleração do ritmo das inovações
As empresas investem na investigação, laboratórios e técnicos. Os engenheiros assumem importância crescente na empresa pela ligação que estabelecem entre ciência e técnica. A invenção é produto de uma equipa e não apenas de um sujeito inventor. Progressos cumulativos. Novas formas de energia, novas industrias, novos meios de transporte e uma dinâmica inovadora impulsionada pela concorrência. 
  • Novas fontes de energia 
  • Novas indústrias 
  • Desenvolvimento acelerado das comunicações
Elemento essencial da industrialização, os transportes tornam-se fundamentais para movimentar de forma rápida e barata grandes quantidades de mercadorias a longa distância. Caminhos de ferro, navegação transatlântica e canais marítimos tornaram-se meios fundamentais de comunicação. 

No aspecto económico: 
  • livre concorrência
  • concentração empresarial 
As oficinas dão lugar às grandes empresas e a concentração industrial acelera-se no fim do século XIX. As empresas são cada vez maiores e concentram diversos tipos de actividades surgindo as concentrações verticais e horizontais. Surge o Fordismo ou produção em cadeia que articula a estandardização no fabrico com a divisão do trabalho na linha de montagem, o Taylorismo. Os sindicatos criticaram a Taylorização excessiva por impor um ritmo automatizado e alienante de produção com prejuízos para os empregados e as fábricas procuraram aumentar os salários para compensar os inconvenientes. 
Também os bancos seguem a mesma tendência de concentração. A necessidade de capitais para as grandes obras e empreendimentos nomeadamente nos transportes exigem a concentração de somas de capitais muito elevadas em bancos de depósito mas principalmente de investimento. 
  • optimização de recursos
  • desenvolvimento das trocas internacionais e do comércio interno sob o impulso de mais rápidos meios de comunicação que asseguram já a ubiquidade. 
  • capitalismo industrial e financeiro
Racionalização do Trabalho 

Exigências de produção obrigam à reformulação dos processos e da organização do fabrico. Surgem as grandes linhas de produção e adopta-se a organização padronizada da produção com a instalação de grandes linhas de montagem. O Fordismo pretende aumentar a produção e diminuir os tempos mortos da produção aplicando dois métodos de trabalho novos à linha de produção: 
  • Taylorismo segundo o qual o operário realiza apenas uma fase do processo de produção especializando-se num conjunto restrito de operações que realiza de forma automática e com grande destreza.
  • Estandardização segundo o qual são utilizados componentes iguais em vários dos itens fabricados, no sentido de reduzir os custos de produção mantendo a diversidade de artigos produzidos mas utilizando alguns componentes iguais. 
O Fordismo foi fortemente criticado no seu tempo porquanto foram-lhe atribuidos grandes inconvenientes do lado do operário e trabalhador. Assim procurou-se compensar tais inconvenientes com o aumento do salário correspondente aos ganhos de produtividade e aumento de lucros resultantes deste novo sistema de produção. 


Geografia de industrialização

Novas potências industrializadas surgiram a partir de finais do século XIX. França, Alemanha, Estados Unidos e Japão iniciaram percursos de industrialização com sucesso diferenciado apoiando-se em vantagens competitivas das economias respectivas. Acesso a mercados, abundância de matérias primas, desenvolvimento de novas indústrias, e apoios do Estado possibilitaram aos países iniciarem percursos de sucesso que no entanto conduziram o mundo a bloqueios de carácter político derivados de acções imperialistas praticadas pelos estados com maiores necessidades de expansão territorial surgindo o colonialismo intenso e as guerras. 

Formas tradicionais de produção e a persistência de técnicas e rotinas de produção fizeram persistir o antigo ao lado do novo em países altamente industrializados mas também em estados com grandes dificuldades no arranque industrial como Portugal

Agudização das diferenças - Entre o livre cambismo das economias poderosas e o  proteccionismo dos países menos industrializados


Numa época em que a maioria dos países desenvolvia políticas proteccionistas das suas indústrias domésticas  na sequência das doutrinas económicas tradicionais, os países mais industrializados propunham a liberalização económica e a adopção generalizada de políticas comerciais menos fechadas e mais liberais, na sequência do que era proposto por Smith ou Ricardo. Para este, seria a liberdade de comércio que asseguraria a riqueza de todas as nações.
Depois de adoptada pela Inglaterra, tal política foi aceite progressivamente pelas nações mais industrializadas a partir de meados do século XIX apesar da resistência dos países mais moderados e atrasados que hesitavam entre a abertura alfandegária e a protecção às suas indústrias. Tal foi o caso de Portugal como iremos ver.

As crises cíclicas. 

Uma das desvantagens do livre cambismo veio a ser a ocorrência das crises cíclicas que passaram a afectar os países mais industrializados e quem de si dependia, periodicamente, de 6 em 6 ou 10 em 10 anos. Manifestavam-se por vários sintomas:

  • excesso de capacidade produtiva 
  • baixa de preços e destruição de sotcks
  • suspensão de pagamentos aos bancos e Estados, desemprego e redução de salários
  • falência de bancos e empresas 
  • redução do consumo 
A frequência excessiva destas crises entre 1810 e 1929 levou a que a partir desta última os estados tenham abandonado o liberalismo económico excessivo adoptando políticas intervencionistas. 

segunda-feira, 12 de março de 2012

CORRECÇÃO DA FICHA FORMATIVA REALIZADA NA AULA

1. As seguintes frases demonstram que o pensamento do autor se baseava nos princípios do liberalismo político:
"A liberdade é o direito de qualquer homem estar apenas submetido à lei, o direito de não ser preso, julgado, morto (...) por capricho de um ou vários indivíduos"; remete para os direitos inalienáveis do individuo - liberdade, igualdade perante a lei, segurança - que protegem o homem das ameaças à sua liberdade;
"Direito de cada um exprimir a sua própria opinião"; continua a remeter para os direitos inalienáveis do individuo, neste caso o direito de liberdade de expressão;
"Direito de se reunir a outros indivíduos (...) para professar um culto"; remete para a liberdade de reunião e para a liberdade de culto;
"Direito que todos temos de influenciar a administração do Estado, quer pela nomeação de todos ou de alguns dos seus funcionários, quer representando a Nação"; remete para o direito que o cidadão tem de intervir na governação através dos seus direitos políticos: elegendo os representantes da Nação ou sendo eleito para o desempenho de cargos públicos.


2. O doc. 4 da p. 134 baseia-se nos princípios políticos do liberalismo pois trata-se de uma Carta Constitucional que defende a igualdade perante a lei de todos os cidadãos; todos podem desempenhar cargos públicos (do Estado); garante a liberdade de opinião e de expressão; regulamenta a separação dos poderes e o sufrágio censitário como forma de eleição de parte dos representantes da Nação. Todas estas garantias se opõem ao que acontecia no Antigo Regime, em que os poderes estavam concentrados na pessoa do rei e em que os cidadãos se distinguiam de acordo com os seus direitos de nascimento, em que determinados grupos tinham privilégios e foro próprio (clero e nobreza) e só eles podiam desempenhar cargos públicos.


3. Podemos considerar os seguintes fundamentos essenciais do Estado Liberal:

  • O Constitucionalismo: os regimes liberais elaboram as suas constituições. Cada país democrático tem uma Constituição que é a sua lei básica, regulando todas as outras leis, normas e regulamentos que as instituições do país têm de seguir. 
  • A Separação dos Poderes: com base na teoria da Separação dos Poderes, cada órgão de soberania não deve intrometer-se nos assuntos e competências dos outros órgãos. 
  • A representatividade da Nação: através do sufrágio, os cidadãos elegem os seus representantes nos órgãos de soberania. 
  • A Secularização das instituições: o liberalismo procura assegurar a independência da religião face ao Estado. Tomaram-se medidas com o objectivo de retirar poder à Igreja: revertendo para a Nação o usufruto dos seus bens; retirando-se-lhe o controlo dos registos civis e das instituições de ensino e apoio social, através da criação de redes nacionais escolares e de saúde. Tenta-se descristianizar o pensamento e as mentalidades libertando-as do peso opressivo da religião, dando apoio à investigação científica e às universidades. 

4. As propostas dos principais teóricos do liberalismo económico (Quesnay, Gournay e Adam Smith) têm por base os princípios orientadores da organização económica dos estados contemporâneos como: a iniciativa individual e a livre concorrência, a ausência do controlo do Estado sobre as actividades económicas (defendendo a ausência de proteccionismo e dirigismo estatal). Assim:
  • Quesnay, defensor do fisiocratismo, considera que a actividade agrícola era a base da riqueza dos países e que devia ser dada aos agricultores a liberdade de aproveitarem os solos de forma a deles retirar o maximo de rendimentos. Considerava que a liberdade era a essência de toda a actividade humana,  contrariamente às ideias proteccionistas e dirigistas dos economistas mercantilistas da época. 
  • Gournay, para quem a busca do lucro e a livre iniciativa do capitalista deviam ser protegidas pelo Estado, defendia a importância do comércio como fonte de riqueza das nações. 
  • Adam Smith, considera que o trabalho é a verdadeira fonte de riqueza e a livre iniciativa dos individuos contribui para o enriquecimento dos Estados. A livre iniciativa deve ser, assim, protegida pelo Estado que não lhe deve colocar restrições. Deveriam suprimir-se os monopólios, exclusivos e todos os mecanismos proteccionistas de forma a promover o livre cambismo no comércio internacional. Defende a lei da oferta e da procura e a livre concorrência que equilibram a produção e o consumo. 

5. Na França a escravatura foi abolida em 1791 mas permaneceu  nas colónias devido aos  interesses dos comerciantes e proprietários de plantações das Antilhas. A Convenção aboliu definitivamente a escravatura em 1794. Restabelecida por Napoleão em 1802 foi definitivamente abolida em 1848. 
Em Portugal, desde Pombal, em 1761,  que era proibido o transporte de escravos negros para Portugal tendo-se proposto a libertação dos filhos de escravos aqui residentes. A escravidão continuou porém nas colónias a apoiar um intenso tráfego principalmente com o Brasil. Em 1869 e sem o controlo do Brasil tornou-se possível a abolição do tráfego a sul do Equador proibindo a sua movimentação para fora do continente africano apoiando pelo contrário o desenvolvimento económico dos territórios coloniais africanos. 

sexta-feira, 9 de março de 2012

GUIÃO DO FILME

Aqui ficam os temas orientadores para a elaboração do guião do filme visionado na aula:

Título:

Contexto

Tema:
Época e local da acção:

Conteúdo

Personagem principal:
Personagens secundárias:
Caracterização psicológica da personagem principal:
Ambiente (político/social/religioso/económico/cultural) em que decorre a acção:
Grupos sociais representados:
Usos e costumes retratados:
Vestuário:
Música:

Espaço de opinião

O que aprendi com o filme:
Cena ou frase preferida. Justifico.

quinta-feira, 8 de março de 2012

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

 
Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa conferência internacional realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher".

domingo, 4 de março de 2012

VAMOS AO TRABALHO - O ROMANTISMO

Com este trabalho pretende-se a abordagem ao Romantismo nas suas várias vertentes, para que os alunos percepcionem o carácter inovador e de clivagem com a ordem estética clássica e académica anterior, em que a liberdade na criação e o sentir individual são a expressão estética da ideologia liberal.

PROCESSO

Os alunos formam cinco grupos de trabalho, pesquisam em livros e na web. Organizam a informação pesquisada segundo o que é solicitado nas Tarefas e apresentam o trabalho aos colegas de turma.

TAREFAS

O Romantismo na Pintura

  • Elaborar uma apresentação em powerpoint sobre a "Expressão da Sensibilidade" na pintura romântica;
  • Contemple os autores apresentados no manual de História e outros que entender pertinentes;
  • Não exceda 20 diapositivos;
  • Para cada quadro apresentado não esquecer a identificação da pintura;
  • Sugere-se a exploração das seguintes rubricas temáticas:
- Características gerais da pintura romântica (cores, temas, perspectiva...);
- Estados de alma;
- Sentimento da Natureza;
- O nacionalismo;
- O fascínio do exótico e o interesse por eventos contemporâneos.
  • Termine a apresentação com um comentário ao quadro que tiver reunido as preferências do grupo. 

O Romantismo na Escultura

  • Elaborar uma apresentação em powerpoint sobre a "Expressão da Sensibilidade" na escultura romântica;
  • Contemple os autores apresentados no manual de História e outros que entender pertinentes;
  • Não exceda 10 diapositivos;
  • Enuncie as características gerais da escultura desta época;
  • Apresente algumas obras, temas e autores, não esquecendo de referir obras e autores nacionais;
  • Para cada obra apresentada não esquecer a identificação;
  • Seleccione uma das obras e comente-a detalhadamente.



O Romantismo na Arquitectura


  • Elaborar uma apresentação em powerpoint sobre a "Expressão da Sensibilidade" na arquitectura romântica;
  • Contemple os autores e obras apresentados no manual de História e outros que entender pertinentes;
  • Não exceda 20 diapositivos;
  • Para cada edifício apresentado não esquecer a identificação do monumento;
  • Deve referir os revivalismos históricos e os exotismos, com referências concretas a monumentos quer em Portugal quer no estrangeiro;
  • Apresentar em pormenor um edifício à escolha.
O Romantismo na Música


  • Elaborar uma apresentação em powerpoint sobre a "Expressão da Sensibilidade" na música romântica;
  • Contemple os compositores apresentados no manual de História e outros que entender pertinentes;
  • Não exceda 20 diapositivos;
  • Apresente as características gerais da música romântica;
  • Faça a biografia de três músicos da época romântica;
  • Apresente extractos musicais de obras representativas dos seguintes géneros:
- Ópera;
- Sinfonia;
- Técnica instrumental.
  • Apresente os apontamentos musicais com uma nota introdutória sobre o compositor, temática da obra, como foi aceite na época e outras informações que considere pertinentes.

O Romantismo na Literatura

  • Elaborar uma apresentação em powerpoint sobre a "Expressão da Sensibilidade" na literatura romântica;
  • Contemple os autores apresentados no manual de História e outros que entender pertinentes (tem de apresentar obrigatoriamente um português);
  • Não exceda 20 diapositivos;
  • Para cada autor apresentado não esquecer a sua correcta identificação, nacionalidade e fotografia;
  • Fazer um pequeno resumo biográfico, principais obras e sua temática;
  • Deve apresentar excertos de obras em que as características da literatura romântica estejam presentes, em poesia e prosa.
AVALIAÇÃO

O trabalho será avaliado de acordo com os seguintes critérios:
Itens de avaliação
Critérios a observar
Pontuação
Desempenho individual
Autonomia
10

Cumprimento das tarefas/Responsabilidade
10
Desempenho em grupo
Interactividade
10

Respeito pelos colegas
10
Produto Final
Conteúdo do Powerpoint
Pertinência e organização da informação seleccionada
50


Abordagem de todos os itens do processo
50


Correcção ortográfica e gramatical
10


Apresentação gráfica
10

Apresentação oral
Encadeamento do discurso e clareza da linguagem
15


Recursos utilizados
15


Capacidade de esclarecer dúvidas colocadas
10

RECURSOS

Aqui ficam alguns recursos que podem utilizar como ponto de partida para o vosso trabalho:
Saraiva, A. J. e Lopes, Óscar, 1993, História da Literatura Portuguesa, 17.ª ed., Porto, Porto Editora
Manuais de História 11º ano (Módulo 5, unidade 5.2)
Enciclopédias (procurar entradas relativas aos temas e personalidades pretendidas).

Concluindo: no final da realização de cada um dos trabalhos e respectiva apresentação à turma, os alunos terão apreendido como as várias expressões que a Arte Romântica adquiriu, demonstram:
  • o predomínio da sensibilidade e da imaginação sobre a razão através do individualismo
  • a revolta contra as normas sociais e religiosas
  • a exaltação da liberdade e da emancipação das nações
  • a evasão das realidades do quotidiano para lugares exóticos e épocas distantes como a Idade Média.

SINTRA E O ROMANTISMO - A NOSSA VISITA DE ESTUDO

Já sabemos que o Romantismo foi um movimento cultural que surgiu na Europa a partir da segunda metade do século XVIII.
Contra a ordem e a rigidez intelectual em vigor na época, os artistas românticos deram uma maior importância à liberdade, imaginação, originalidade e expressão individual, através das quais poderiam alcançar a genialidade.
O individuo arrebatado exprime-se no herói romântico que mergulha no passado e na natureza. 
Defendendo o regresso à natureza, a liberdade criativa e o rompimento de tabus e condicionalismos temáticos e estéticos, os românticos adoptaram uma postura de síntese livre e criativa de várias influências: o exotismo oriental, a natureza, o medievalismo e as qualidades humanas são temas recorrentes no romantismo.
As mudanças sociais e políticas provocadas pela queda do absolutismo e da sociedade de ordens, as guerras frequentes, a revolução industrial em marcha, terão provocado nos meios artísticos e intelectuais sentimentos de inquietação perante um cenário de possibilidades abertas ao homem, numa época de tantas transformações.
No âmbito da política ressurge a exaltação do passado glorioso das nações e povos, justificando as conquistas da liberdade e das nacionalidades. A Idade Média suscitou a recuperação da história antiga que, adaptada ao tempo, resultou em anseios libertários, experiências políticas, ideologias novas. A liberdade tornou-se argumento de luta dos liberais por toda a Europa, reagindo primeiro contra os poderes absolutos, depois contra os grandes impérios industriais.
Grécia, Bélgica, Itália, Alemanha, são produtos da exaltação nacionalista e libertária dos povos europeus na época.
Imagem alusiva à unificação da Itália, com o herói revolucionário Garibaldi em primeiro plano
Na nossa visita de estudo fomos em busca dos vestígios da arquitectura romântica em Sintra.
O Romantismo ligado à recuperação de formas artísticas medievais, acompanhado pelo gosto pelo exótico contido nas culturas orientais, favoreceu o revivalismo e a mistura de vários estilos como o românico, o gótico, o bizantino, o chinês ou o árabe.
Começámos pelo Palácio da Pena, considerado uma das melhores expressões do Romantismo arquitectónico em Portugal.
Na imagem é nítida a diferença entre a parte mais antiga do edifício (na cor avermelhada) e a parte construída no século XIX (em tons de amarelo e adornado com cúpulas)
Edificado no local onde já tinha existido uma ermida no século XIV, dedicada a Nossa Senhora da Pena, e um mosteiro no século XVI, mandado construir por D. Manuel I e entregue à Ordem de S. Jerónimo. Este mosteiro, apesar de muito danificado com o terramoto de 1755, só foi abandonado pelos monges em 1834, com a extinção das ordens religiosas.
D. Fernando de Saxe Coburgo Gotha (marido da rainha D. Maria II e alemão de nascimento), apaixonou-se de tal forma pelo local que comprou o antigo convento e os terrenos à sua volta, iniciando as obras de restauro com o objectivo de transformar o edifício na residência de Verão da família real portuguesa.


O novo palácio foi encomendado ao barão Eschwege, engenheiro de minas, naturalista, botânico e geólogo alemão. O projecto foi idealizado pelo próprio D. Fernando, que interviu também de forma determinante nos detalhes decorativos de influência manuelina e mourisca.


O Palácio resulta, assim, numa mistura de estilos, reinventa universos fantásticos e proporciona um encontro de culturas, através da fusão da arte do Oriente com o Ocidente.
Este resultado foi descrito pelo compositor Richard Strauss quando visitou Sintra no século XIX: "Hoje é o dia mais feliz da minha vida. Conheço a Itália, a Sicília, a Grécia  e o Egipto e nunca vi nada que valha a Pena. (...) e, lá no alto está o castelo do Santo Graal (...) parece sair direitinho de um conto de fadas".

A visita continuou em Monserrate, mas antes.... era tempo de almoço e, apesar de o sol estar "envergonhado", não choveu "a cântaros" como no dia anterior, por isso pudemos fazer um piquenique em plena serra.
Só tenho fotos do almoço do H3, porque será? Terá alguma coisa a ver com o facto de o Francisco ter andado a tirar as fotos? Uma coisa é certa, a conversa estava animada mas o Eduardo estava muito mais interessado em ler as notícias do jornal desportivo!
H3 (novamente...). Se alguém tiver fotos interessantes do almoço, todas as contribuições serão bem vindas.
Finalmente, depois da barriga cheia e de tudo empacotado, atravessámos a estrada e fomos visitar o Parque e o Palácio de Monserrate. Tudo começou quando no século XVI um frade trouxe para Sintra uma imagem de Nossa Senhora de Monserrat, depois de uma peregrinação ao Eremitério Beneditino de Monserrat, na Catalunha. Aqui fundou uma pequena capelinha que, dessa forma, atribuiu o nome de Monserrate a este local.
Em meados do século XVIII, a propriedade já estava nas mãos de um rico comerciante inglês que aqui mandou construir uma vivenda acastelada de estilo neogótico que arrendou em 1794 ao escritor inglês William Beckford, que foi fazendo obras no jardim e na casa até à data da sua partida em 1799.
William Beckford
Em 1809, quando Lord Byron visitou o local, apesar de abandonado, ainda lhe deu a impressão de que este era "o primeiro e mais lindo lugar deste reino".
Lord Byron
O edifício actual foi projectado pelo arquitecto inglês James Knowles Jr., a pedido do rico comerciante inglês Francis Cook que tinha comprado a propriedade em 1855. Novos elementos de influências góticas, indianas e mouriscas são acrescentados ao palácio já existente, transformando-o num edifício exemplar do romantismo português.
A par do palácio, Cook mandou construir um magnífico parque, em que não falta uma capela convenientemente modificada com o objectivo de se assemelhar a uma ruína romântica, como era habitual nos jardins ingleses dos finais do século XVIII. Foi aqui que tivemos o nosso momento de poesia romântica declamada pelo Leandro (H3) e pelo Ricardo (H2), que leram poemas de Antero de Quental e de Almeida Garrett. Pena não termos nenhuma foto desse momento (ai Francisco...) mas temos algumas das ruínas, o que nos permite relembrar a ambiência criada no local.
A ruína da capela com o seu arco neogótico, fazendo reviver o gosto pela Idade Média
Relativamente à literatura romântica, convém relembrar que as circunstâncias que propiciaram esta nova corrente, arrastaram consigo uma acentuada tendência para a insegurança, para a inquietação, para o desajustamento que mergulha os autores ora num estado de melancolia, ora num estado de revolta. 
Este é um mundo literário cheio de paixões exaltadas, de traições, de malfeitores, de ambientes terríficos e mórbidos, ou um mundo de sonho, vivido na solidão, em contacto com uma natureza turbulenta, alvoroçada, sombria, ao pôr do sol, durante a noite, nas estações românticas (Outono Inverno), povoada de receios, de fantasmas, de visões terríficas.
A natureza sombria em Monserrate
Com o Romantismo alemão vem o grito de revolta contra o imperialismo napoleónico e a afirmação do nacionalismo e, como tal, o medievalismo, o regresso ao passado, o subjectivismo e, na sua sequência, o sentimentalismo.
De Inglaterra vem o gosto pela paisagem solitária, luarenta, saudosa, com as ruínas musgosas e evocadoras do passado. É este ambiente que propicia o clima em que floresce o romance histórico de Walter Scott e é nele que se realiza a obra da narrativa poética do aventureiro, revolucionário e sentimental Lord Byron.
A paisagem solitária de Monserrate
A paisagem solitária mas também turbulenta, com as suas cascatas
O Romantismo entra na literatura portuguesa com o poema D. Branca (1826), de Almeida Garrett. O ambiente político (lutas entre liberais e absolutistas), o seu exílio, temperamento e época em que viveu transformaram-no no grande romântico de Folhas Caídas e Viagens na Minha Terra.

Almeida Garrett
Também Alexandre Herculano será um grande autor do romantismo com Harpa do Crente e o romance histórico (O Bobo, O Monge de Cister, Eurico o Presbítero).

Alexandre Herculano
Já posteriormente, Camilo Castelo Branco (Amor de Perdição) ou Castilho são marcados por um ultrarromantismo de caraácter pessimista e trágico.

Camilo Castelo Branco
Bom, antes desta paragem na literatura romântica íamos a caminho do Palácio de Monserrate, não era? Continuemos pois!
E aí vamos nós!
Ena, parece o metro em hora de ponta!

Estou mesmo a ouvir os pensamentos da rapaziada: e pronto... a prof de história já se está a tentar ver livre de nós outra vez (todos os anos tenta pelo menos uma vez). Agora vai-nos deixar aqui no meio da floresta. Parecemos hobbits no Senhor dos Anéis! A qualquer momento aparece por aí um troll!
Já subimos... já descemos... e agora? para a esquerda ou para a direita?
Falta muito? Quando é que chegamos?
Finalmente, vislumbra-se qualquer coisita pelo meio da vegetação!
OOOOHHHH! Podemos rebolar-nos na relva?
E assim terminou o nosso percurso romântico em Sintra mas, ainda nos faltava o percurso queirosiano e foi o que fizemos quando voltámos para a vila.
E cá estamos nós na escadaria do Palácio da vila já com Os Maias na mão e a acompanhar Carlos da Maia no cap. VIII, por Sintra, em busca de Maria Eduarda
" Era uma linda manhã muito fresca, toda azul e branca, sem uma nuvem, com um lindo sol que aquecia, e punha nas ruas, nas fachadas das casas, barras alegres de claridade dourada."

"Só ao avistar o Paço descerrou os lábios:
- Sim senhor, tem cachet!
E foi o que mais lhe agradou - este maciço e silencioso palácio, sem florões e sem torres, patriarcalmente assentado entre o casario da vila, com as suas belas janelas manuelinas que lhe fazem um nobre semblante real, o vale aos pés, frondoso e fresco, e no alto as duas chaminés colossais, disformes, resumindo tudo, como se essa residência fosse toda ela uma cozinha talhada às proporções de uma gula de rei que cada dia come todo um reino."

"Eram duas da tarde quando os dois amigos saíram enfim do hotel, a fazer esse passeio a Seteais - que desde Lisboa tentava tanto o maestro. Na praça, defronte das lojas vazias e silenciosas, cães vadios dormiam ao sol: através das grades da cadeia, os presos pediam esmola.(...)"

A antiga cadeia (hoje posto de correios)
" De vez em quando aparecia um bocado da serra, com a sua muralha de ameias correndo sobre as penedias, ou via-se o Castelo da Pena, solitário, lá no alto.”

Lá está o castelo, pendurado na serra
"Defronte do hotel Lawrence, Carlos retardou o passo, mostrou-o ao Cruges.
- Tem o ar mais simpático..."

Pois, cá está ele!
Foi inaugurado em 1780, sendo o hotel mais antigo da Península Ibérica e um dos mais antigos da Europa. No século XIX recebeu como hóspedes muitas figuras ilustres nacionais e estrangeiras (Lord Byron, Camilo Castelo Branco, Oliveira Martins, Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão).
Bem encostadinhas ao Lawrence's, não sei se repararam nelas!
Sei que na altura em que por aqui passámos vocês estavam demasiado distraídos com um sintrense que aí encontrámos.


Como sei que tinham muita curiosidade para saber como era o Lawrence's por dentro, aqui fica um exemplo:

A biblioteca
O tanque/fonte na entrada com peixes
“(...) o maestro declarou que preferia estar ali, ouvindo correr a água, a ver monumentos caturras...
- Sintra não são pedras velhas, nem coisas góticas... Sintra é isto, uma pouca de água, um bocado de musgo... Isto é um paraíso!...”


" - Vejam vocês isto!- gritou o Cruges, que parara, esperando-os - isto é sublime.Era apenas um bocadito de estrada, apertada entre dois velhos muros cobertos de hera, assombreada por grandes árvores entrelaçadas, que lhe faziam um toldo de folhagem aberto à luz como uma renda: no chão tremiam manchas de sol: e, na frescura e no silêncio, uma água que se não via ia fugindo e cantando."


" Mas ao chegar a Seteais, Cruges teve uma desilusão diante daquele vasto terreiro coberto de erva, com o palacete ao fundo, enxovalhado, de vidraças partidas, e erguendo pomposamente sobre o arco, em pleno céu, o seu grande escudo de armas."
(...) Iam ambos caminhando por uma das alamedas laterais, verde e fresca, de uma paz religiosa, como um claustro feito de folhagem."


"Quando passaram o arco, encontraram Carlos sentado num dos bancos de pedra, fumando pensativamente a sua cigarrette. (...) do vale subia uma frescura e um grande ar; e algures, em baixo, sentia-se um prantear de um repuxo."


"Cruges, no entanto, encostado ao parapeito, olhava a grande planície de lavoura que se estendia em baixo, rica e bem trabalhada, repartida em quadros verde-claros e verde-escuros, que lhe faziam lembrar um pano
feito de remendos que ele tinha na mesa do seu quarto. Tiras brancas de estrada serpenteavam pelo meio(...).
O mar ficava ao fundo, numa linha unida esbatida na tenuidade difusa da bruma azulada: e por cima arredondava-se um grande azul lustroso como um belo esmalte,(...)”.

E estávamos a terminar o nosso percurso e assim:
" -Agora Cruges, filho, repara tu naquela tela sublime.
O maestro embasbacou. No vão do arco, como dentro de uma pesada moldura de pedra, brilhava, à luz rica da tarde, um quadro maravilhoso, de uma composição quase fantástica, como a ilustração de uma bela novela de cavalaria e de amor. Era no primeiro plano o terreiro, deserto e verdejando, todo salpicado de botões amarelos; ao fundo, o renque cerrado de antigas árvores, com hera nos troncos, fazendo ao longo da grade uma muralha de folhagem reluzente, e, do céu azul-claro, o cume airoso da serra, toda cor de violeta-escura, coroada pelo Palácio da Pena, romântico e solitário no alto, com o seu parque sombrio aos pés, a torre esbelta perdida no ar, e as cúpulas brilhando ao sol como se fossem feitas de ouro.”


No final, de regresso à vila, não fizemos como as personagens do romance que só se lembraram de comer queijadas quando já iam a caminho de Lisboa. Entre queijadas e travesseiros, tortas de laranja e suspiros, a dificuldade estava na escolha.