GRUPO I
1. A doutrina liberal aplicada à economia resultou no livre-cambismo, sistema adotado no Reino Unido e que se foi expandindo pelos países industrializados da Europa durante a segunda metade do século XIX.
No documento 1, Robert Peel, primeiro ministro inglês, ao recusar-se a estabelecer um preço mínimo para o trigo, exprimia o princípio básico do regime livre-cambista: a ausência de intervenção do Estado nos mecanismos económicos ("sejam os senhores os próprios a garanti-lo pondo-se em igualdade com os seus competidores pela atividade e pela inteligência"). O livre-cambismo eliminava ou reduzia bastante os direitos alfandegários, deixando funcionar o sistema da livre concorrência. Passava, assim, a ser da responsabilidade dos produtores especializarem-se na produção de recursos nacionais de maneira a conseguirem colocá-los no mercado a preços competitivos ("Não compete ao Governo garantir-lhes os lucros que hão-de ter").
2. O século XIX é o século da vitória burguesa mas também da miséria operária.
A sociedade da época substituiu o nascimento pelo estatuto económico como critério de diferenciação social. No século XIX, devido à aplicação maciça do capital nas atividades industriais, a burguesia enriqueceu e conseguiu o pleno reconhecimento social. Para tal, contribuiu em muito, a legislação liberal, que retirou privilégios ao clero e à nobreza, abrindo as portas à burguesia do acesso aos cargos mais elevados.
A pintura representada no documento 3 evidencia a importância do grupo familiar para a prosperidade burguesa. Os membros das várias gerações desta família da alta burguesia mostram-se prósperos e unidos, é uma burguesia com consciência de classe, orgulhosa de si própria que se faz representar na comodidade do lar, num momento festivo; que não dispensa nenhum dos seus membros, desde os mais novos (a criança tem um lugar de destaque na cena familiar ganhando grande importância na família burguesa do século XIX) aos mais idosos (o ancião não dispensa a leitura do jornal, fundamental na formação da opinião pública e que reflete a importância da instrução).
Na imagem representada no documento dois, os habitantes do bairro operário encontram-se na miséria; apesar de muitos deles terem um salário, as suas roupas são velhas e rotas, a postura corporal revela abatimento, não há sorrisos. Ás crianças espera-as as mesmas condições de trabalho dos adultos. Aqui a casa não é um lugar aconchegado, mas sim sobrelotado e promiscuo. A rua onde são representados também não é um local agradável: sujidade, água contaminada, animais e roupa a secar são o cenário do seu quotidiano.
3. A expansão da revolução industrial, no século XIX, agudizou as diferenças sociais. Apesar de os regimes políticos liberais terem conquistado a igualdade de tratamento na lei, não impediram a desigualdade nos rendimentos. A total liberdade de produção e de comércio (Doc. 1) contribuía para a supremacia dos detentores do capital (os patrões burgueses) sobre aqueles que apenas possuíam o seu salário (os proletários). Também este salário dependia, como qualquer produto, da lei da oferta e da procura.
Vários pensadores oitocentistas, chocados com a falta de proteção social dos regimes capitalistas, propuseram teorias alternativas que reclamavam da injustiça do sistema capitalista que reservava aos detentores do capital, o bem-estar (Doc. 3), e aos operários, a miséria (Doc. 2).
O sistema de pensamento e com consequências práticas mais visíveis consistiu no socialismo científico (ou marxismo), delineado por Marx e Engels.
No Manifesto do Partido Comunista, os autores concluem que "A história de toda a sociedade até aos nossos dias não é mais do que a história da luta de classes", logo também na sociedade industrial os interesses do capitalista e do operário são opostos. Marx previa, então, que dessa luta resultaria a "supremacia política" dos operários durante a etapa da ditadura do proletariado. O estádio final do processo histórico consistiria na sociedade sem classes - o comunismo.
A ideologia marxista contribuiu para a conquista de direitos sociais pelos trabalhadores. Sob o lema "Proletários de todos os países, uni-vos" o movimento operário organizou-se em associações internacionais para conseguir o direito à greve, à redução das horas de trabalho e à melhoria das condições de vida do operariado.
3. A expansão da revolução industrial, no século XIX, agudizou as diferenças sociais. Apesar de os regimes políticos liberais terem conquistado a igualdade de tratamento na lei, não impediram a desigualdade nos rendimentos. A total liberdade de produção e de comércio (Doc. 1) contribuía para a supremacia dos detentores do capital (os patrões burgueses) sobre aqueles que apenas possuíam o seu salário (os proletários). Também este salário dependia, como qualquer produto, da lei da oferta e da procura.
Vários pensadores oitocentistas, chocados com a falta de proteção social dos regimes capitalistas, propuseram teorias alternativas que reclamavam da injustiça do sistema capitalista que reservava aos detentores do capital, o bem-estar (Doc. 3), e aos operários, a miséria (Doc. 2).
O sistema de pensamento e com consequências práticas mais visíveis consistiu no socialismo científico (ou marxismo), delineado por Marx e Engels.
No Manifesto do Partido Comunista, os autores concluem que "A história de toda a sociedade até aos nossos dias não é mais do que a história da luta de classes", logo também na sociedade industrial os interesses do capitalista e do operário são opostos. Marx previa, então, que dessa luta resultaria a "supremacia política" dos operários durante a etapa da ditadura do proletariado. O estádio final do processo histórico consistiria na sociedade sem classes - o comunismo.
A ideologia marxista contribuiu para a conquista de direitos sociais pelos trabalhadores. Sob o lema "Proletários de todos os países, uni-vos" o movimento operário organizou-se em associações internacionais para conseguir o direito à greve, à redução das horas de trabalho e à melhoria das condições de vida do operariado.
GRUPO II
1. No século XIX, o crescimento económico e demográfico de vários países europeus criou exigências novas. A rápida expansão industrial, aliada ao protecionismo de finais do século, conduziu os estados a exercerem preponderância política, económica e cultural sobre determinadas áreas de influência. A industrialização agravou o fosso entre um mundo desenvolvido e um mundo atrasado. Por um lado, os países industrializados, (Inglaterra, Alemanha, França, Bélgica...) exploravam as matérias-primas das suas colónias, obtendo-as a baixos preços; por outro lado, procuravam mercados para a colocação de "todo o excesso da (...) produção"; as colónias eram, também, locais para onde podia ser escoada a população europeia. Por último, afigurava-se , ainda, como justificação razoável para o colonialismo uma certa missão civilizadora, que atribuía ao colono «branco» o direito (e a obrigação) de espalhar os progressos materiais e a cultura europeia pelo mundo.
No contexto do imperialismo europeu, a África, com as suas riquezas inexploradas, foi um dos continentes mais procurados, passando a ser entendida, como referem os exploradores portugueses, como "um dos vastos quarteirões do mundo", para se tornar em "amplo campo de afã comercial".
2. Em 1884, reuniram-se as potências industriais europeias com o fim de estabelecer as regras da partilha de África entre os estados industrializados.
Uma das principais resoluções da Conferência de Berlim dizia respeito à legitimidade da ocupação dos territórios africanos: estabeleceu-se o princípio da ocupação efetiva segundo o qual, para a ocupação de um território ser reconhecida, os países colonizadores deviam mostrar-se capazes de assegurar uma autoridade suficiente para fazer respeitar os direitos adquiridos.
Esta decisão tinha implicações sobre a política colonial portuguesa, pois Portugal, que até então havia assegurado as colónias com base no direito histórico (era o país que tinha descoberto ou que primeiro ocupara os territórios), tinha de mostrar que tinha meios para manter o seu domínio em África.
A expedição de Hermenegildo Capelo e de Roberto Ivens inscreve-se, precisamente, na tentativa de corresponder ao princípio de ocupação efetiva. Ainda antes da Conferência de Berlim, a Sociedade de Geografia de Lisboa delineara um projeto de ocupação da faixa de território entre Angola e Moçambique (ligando o oceano Indico ao oceano Atlântico), apelidado de "Mapa Cor-de-Rosa". Em 1886, Capelo e Ivens convidavam à leitura das aventuras ao longo da "tortuosa vereda (por nós trilhada), desde Angola até Moçambique".
3. No Doc. 1 Capelo e Ivens antevêem o interesse económico do continente africano para os europeus, prognosticando que, "de esquecido e oculto que foi, tornar-se-á dentro em pouco opulento, cobiçável e assaz visitado". Assim aconteceu, nomeadamente no que diz respeito à cobiça. O imperialismo gerou disputas pelos territórios africanos, sendo que, para Portugal o episódio de maior impacto foi a questão do ultimato. O projeto português do Mapa Cor-de- Rosa colidia com o projeto inglês de ligar o Norte ao Sul de África, do Cairo ao Cabo. Em 1890, a Inglaterra forçou Portugal a prescindir dessa zona entre Angola e Moçambique por meio de uma intimação - o Ultimato, que ameaçava com o corte de relações diplomáticas e o recurso à força. O governo português cedeu, receando exigências maiores por parte dos ingleses.











