quarta-feira, 6 de junho de 2012

PRINCIPAIS VULTOS DA LITERATURA E DAS ARTES EM PORTUGAL NA VIRAGEM DO SÉCULO


Em Portugal, o século XIX é fortemente marcado pela corrente naturalista na pintura. O contacto dos artistas nacionais (como Marques de Oliveira e Silva Porto, fundadores do Grupo do Leão) com a pintura francesa, graças à atribuição de bolsas, permitiu-lhes praticarem com os mestres dos novos estilos. Começaram a privilegiar a pintura ao ar livre, paisagista. Dedicaram-se ao tratamento de temas banais do quotidiano e à representação de elementos anónimos do povo. Um pouco tardio, em relação ao Naturalismo francês, este "realismo na pintura" foi muito bem acolhido, não suscitando a polémica que recebera em França. prolongou-se até ao século XX, altura em que surgem pintores com aproximação ao Simbolismo (como António Carneiro), influenciado pela corrente simbolista francesa.
COLUMBANO - O Grupo do Leão
Óleo sobre tela, 200 x 380
Sentados, da esquerda para a direita: Henrique Pinto, José Malhoa, João Vaz, Silva Porto, Antônio Ramalho, Moura Girão, Rafael Bordalo Pinheiro e Rodrigues Vieira.
De pé, da esquerda para a direita: Ribeiro Cristino, Alberto d'Oliveira, Manuel Fidalgo (empregado de mesa), Columbano, Dias (criado), Antônio Monteiro e Cipriano Martins.


MARQUES DE OLIVEIRA - À Espera dos Barcos
JOSÉ MALHOA - Os Bêbados

SILVA PORTO - O Rebanho

AURÉLIA DE SOUSA - Mulher a coser 
ANTÓNIO CARNEIRO - A vida

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HENRIQUE POUSÃO - Cecília
Na literatura destaque para Eça de Queirós, Cesário Verde, Antero de Quental (realistas), Eugénio de Castro, Camilo Pessanha e António Nobre (simbolistas).
Eça de Queirós

Antero de Quental

Eugénio de Castro
Camilo Pessanha

António Nobre
Na historiografia, Oliveira Martins, autor de Portugal Contemporâneo e da História de Portugal.

Oliveira Martins

AS CORRENTES ESTÉTICAS NA VIRAGEM DO SÉCULO


A segunda metade do século XIX, foi muito rica em propostas artísticas. Aqui fica de forma sintética a sua contextualização:

Realismo - corrente de reacção clara aos pressupostos românticos:

  • em vez do culto do eu, propõe a análise da sociedade;
  • à nostalgia do passado contrapõe a análise crítica da contemporaneidade;
  • por oposição às paisagens dramáticas, representa cenas banais do quotidiano, em que as personagens não são heróis, mas pessoas simples.
O desejo de objectividade na arte reflecte a aceitação da corrente filosófica positivista. O gosto pelo concreto levou a que, na pintura, os artistas Courbet, Millet e Manet representassem cenas do quotidiano; contudo, a tentativa de representar apenas o real chocou a sociedade burguesa da época.
COURBET - Enterro em Ornans
MILLET - Semeando batatas
MANET - Olympia
Impressionismo - foi a partir da tela de Monet Impressão: Sol Nascenteque nasceu o termo impressionistas (utilizado desdenhosamente por um crítico para designar um grupo de pintores, de que se destacam Monet, Renoir, Degas e Cézanne, que desafiaram as convenções artísticas da época). O Impressionismo procurava captar na tela a fugacidade do real. Aproximava-se da pintura realista no tratamento de temas vulgares e urbanos, mas aceitava a subjectividade do olhar, transmitida pelos efeitos de luz e pelas cores inesperadas. Graças à expansão do caminho de ferro e à novidade dos tubos de estanho com as cores já preparadas, os pintores impressionistas puderam trocar os ateliers pelo ar livre.

MONET - Impressão: sol nascente
MONET - Senhora com chapéu de sol
RENOIR - O Passeio
DEGAS - A Estrela
CÉZANNE - Natureza morta
Simbolismo - em reacção ao Realismo e às ideias positivistas, o Simbolismo acentua a possibilidade de existência de uma só realidade e propõe como alternativa a representação simbólica das ideias, razão por que os seus autores foram denominados simbolistas. Gustave Moreau e Puvis de Chavannes souberam criar nas suas telas um ambiente de mistério e de sonho, enquanto Paul Gauguin procurou afastar-se da civilização industrial europeia para procurar, na arte e na vida, um ideal de primitivismo.
Em Inglaterra, a pintura de Rossetti ou de Bourne-Jones (chamada Pré-Rafaelita por recusar os cânones do Renascimento) pode ser integrada na corrente simbolista pela aproximação ao sobrenatural e pela valorização de ambientes de evasão.
MOREAU - Édipo e a Esfinge
Le Rêve, par Puvis de Chavannes.
CHAVANNES - O Sonho
GAUGUIN - Parau Api

ROSSETTI - Helena de Tróia
BOURNE-JONES  - Cortejo Nupcial de Psyche
Arte Nova - assumindo-se, sobretudo, como um estilo decorativo, a Arte Nova resulta da vontade de imprimir colorido e graciosidade a uma Europa descaracterizada pela industrialização. Os artistas da Arte Nova elaboravam jóias refinadas (Lalique), adornavam a entrada para o metropolitano parisiense, ilustravam painéis publicitários com gravuras de mulheres idealizadas entre flores e folhagens (Mucha). O requinte e a elegância permitem identificar, rapidamente, todas as facetas da Arte Nova.
Enquanto corrente arquitectónica, a forma ondulada, a aplicação do ferro e a valorização da estrutura como decoração marcaram as obras de Arte Nova, salientando-se as de Gaudí em Barcelona.
Na pintura, destaque-se Gustave Klimt.
RENÉ LALIQUE - Pendente "A Princesa Longínqua"

ALPHONSE MUCHA
Entrada do metro de Paris em estilo Arte Nova
ANTONI GAUDÍ - Igreja da Sagrada Família, Barcelona
As artes plásticas e a literatura seguiram caminhos comuns na revolução artística da segunda metade do século XIX, em particular nas correntes realista e simbolista.
Na literatura, as descrições minuciosas e a crítica social caracterizaram as obras literárias dos autores realistas, como Flaubert, enquanto Émile Zola (GerminalNanaTeresa Raquin) denunciava as condições de vida do operariado.

Gustave Flaubert

Émile Zola
O simbolismo literário caracterizou-se pela expressão do sobrenatural e pela valorização das ideias subjectivas, nomeadamente na obra de Baudelaire, e em Edgar Allan Poe, autor inglês cujas obras são carregadas de mistério.





sexta-feira, 1 de junho de 2012

O DINAMISMO CULTURAL EM PORTUGAL NOS FINAIS DO SÉCULO XIX

A Regeneração (através do fomento das vias de transporte e da modernização geral) aproximou Portugal, em termos culturais, da Europa desenvolvida.
O grupo que deu origem à revolução artística, chamado Geração de 70 (por serem os anos 70 do século XIX), era composto por autores que se opuseram aos cânones literários da época, nomeadamente Antero de Quental e Eça de Queirós. Em 1865, ainda estes estudavam em Coimbra, a ruptura efectuou-se com a Questão do Bom Senso e do Bom Gosto (também chamada Questão Coimbrã), polémica motivada por uma carta de crítica de Antero de Quental dirigida ao celebrado poeta Castilho.
Mais tarde, em 1871, o programa das Conferências Democráticas, de Antero de Quental, previa "ligar Portugal com o movimento moderno" e "procurar adquirir a consciência dos factos que nos rodeiam na Europa".

Da esquerda para a direita: Eça de Queirós, Oliveira Martins, Antero de Quental,  Ramalho Ortigão e Guerra Junqueiro
António Feliciano de Castilho

Os elementos da Geração de 70, constituindo o Cenáculo, renovaram os cânones estéticos e intervieram na sociedade, em especial através do ciclo de Conferências no Casino Lisbonense. As Conferências do Casino eram uma lufada de ar fresco na cultura nacional; contudo, foram interrompidas pela proibição do governo que se sentia ameaçado pela polémica.
A Geração de 70, embora muito profícua em obras literárias e ensaios, dar-se-ia por derrotada nos seus objectivos revolucionários, intitulando-se o grupo dos "Vencidos da Vida" nos anos 80 do século XIX. O grande mentor da Geração de 70, Antero de Quental, suicidou-se em 1891.


A CRENÇA NO PODER DA CIÊNCIA E NO ENSINO

Na segunda metade do século XIX, os grandes avanços da técnica e da ciência criaram um verdadeiro cientismo (primado da ciência).
Foram feitos inúmeros estudos que marcaram o conhecimento científico até à actualidade:

  • Marie Curie (e o seu marido Pierre) dedicou a sua vida à ciência - a Física -, em particular ao conhecimento da radioactividade; 



  • Pasteur demonstrou a existência de microrganismos - as bactérias - no ambiente, desenvolvendo vacinas e o método de pasteurização dos alimentos;



  • o químico Mendeleiev elaborou a primeira tabela periódica dos elementos;



  • Koch, no seguimento dos estudos de Pasteur, isolou a bactéria (também conhecida como bacilo de Koch) que provoca a tuberculose;



  • o biólogo Charles Darwin concluiu que os animais - incluindo o Homem - sofreram alterações morfológicas ao londo de períodos de tempo muito longos, as quais resultaram de bem sucedidas adaptações ao meio ambiente (teoria evolucionista);





As ciências sociais, à semelhança das ciências exactas, procuraram estabelecer leis gerais e definir métodos rigorosos de pesquisa:
  • Auguste Comte foi a figura fundamental na definição do pensamento científico da segunda metade do século XIX. Criou o Positivismo, sistema filosófico que leva o cientismo ao seu expoente máximo, ao estabelecer que a Humanidade alcançará o estado positivo quando o conhecimento se basear apenas em factos comprovados pela ciência;



  • Émile Durkheim sistematizou as regras da nova disciplina das Ciências Sociais: a Sociologia;



  • Karl Marx analisou os modos de produção ao longo da História, transformando o socialismo num sistema científico da análise da sociedade - o materialismo histórico ou socialismo científico.



Também a questão da educação se tornou um tema prioritário para vários governos europeus no século XIX:
  • o aprofundamento dos sistemas representativos (demoliberalismo) fez com que o direito de voto se estendesse à maioria da população, pelo que a classe política viu interesse na difusão do ensino público como meio de esclarecer os cidadãos e de exercer influência nas suas decisões;
  • o espírito positivista, ao considerar unicamente como verdadeiro o conhecimento obtido através da observação e da experimentação, contribuiu para a valorização de instituições ligadas à ciência (universidades, laboratórios, museus de História natural);
  • a laicização dos Estados, ao retirar da alçada da Igreja a tradicional função educadora, levou a uma maior responsabilização dos Estados na alfabetização;
  • as classes médias, ligadas à vida urbana, procuraram cursos que promovessem a sua ascensão social, nomeadamente os que davam acesso a profissões liberais. 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

PROPOSTA DE RESOLUÇÃO DO TESTE

GRUPO I

1. A doutrina liberal aplicada à economia resultou no livre-cambismo, sistema adotado no Reino Unido e que se foi expandindo pelos países industrializados da Europa durante a segunda metade do século XIX.
No documento 1, Robert Peel, primeiro ministro inglês, ao recusar-se a estabelecer um preço mínimo para o trigo, exprimia o princípio básico do regime livre-cambista: a ausência de intervenção do Estado nos mecanismos económicos ("sejam os senhores os próprios a garanti-lo pondo-se em igualdade com os seus competidores pela atividade e pela inteligência"). O livre-cambismo eliminava ou reduzia bastante os direitos alfandegários, deixando funcionar o sistema da livre concorrência. Passava, assim, a ser da responsabilidade dos produtores especializarem-se na produção de recursos nacionais de maneira a conseguirem colocá-los no mercado a preços competitivos ("Não compete ao Governo garantir-lhes os lucros que hão-de ter").

2. O século XIX é o século da vitória burguesa mas também da miséria operária.
A sociedade da época substituiu o nascimento pelo estatuto económico como critério de diferenciação social. No século XIX, devido à aplicação maciça do capital nas atividades industriais, a burguesia enriqueceu e conseguiu o pleno reconhecimento social. Para tal, contribuiu em muito, a legislação liberal, que retirou privilégios ao clero e à nobreza, abrindo as portas à burguesia do acesso aos cargos mais elevados.
A pintura representada no documento 3 evidencia a importância do grupo familiar para a prosperidade burguesa. Os membros das várias gerações desta família da alta burguesia mostram-se prósperos e unidos, é uma burguesia com consciência de classe, orgulhosa de si própria que se faz representar na comodidade do lar, num momento festivo; que não dispensa nenhum dos seus membros, desde os mais novos (a criança tem um lugar de destaque na cena familiar ganhando grande importância na família burguesa do século XIX) aos mais idosos (o ancião não dispensa a leitura do jornal, fundamental na formação da opinião pública e que reflete a importância da instrução).
Na imagem representada no documento dois, os habitantes do bairro operário encontram-se na miséria; apesar de muitos deles terem um salário, as suas roupas são velhas e rotas, a postura corporal revela abatimento, não há sorrisos. Ás crianças espera-as as mesmas condições de trabalho dos adultos. Aqui a casa não é um lugar aconchegado, mas sim sobrelotado e promiscuo. A rua onde são representados também não é um local agradável: sujidade, água contaminada, animais e roupa a secar são o cenário do seu quotidiano.


3. A expansão da revolução industrial, no século XIX, agudizou as diferenças sociais. Apesar de os regimes políticos liberais terem conquistado a igualdade de tratamento na lei, não impediram a desigualdade nos rendimentos. A total liberdade de produção e de comércio (Doc. 1) contribuía para a supremacia dos detentores do capital (os patrões burgueses) sobre aqueles que apenas possuíam o seu salário (os proletários). Também este salário dependia, como qualquer produto, da lei da oferta e da procura.
Vários pensadores oitocentistas, chocados com a falta de proteção social dos regimes capitalistas, propuseram teorias alternativas que reclamavam da injustiça do sistema capitalista que reservava aos detentores do capital, o bem-estar (Doc. 3), e aos operários, a miséria (Doc. 2). 
O sistema de pensamento e com consequências práticas mais visíveis consistiu no socialismo científico (ou marxismo), delineado por Marx e Engels.
No Manifesto do Partido Comunista, os autores concluem que "A história de toda a sociedade até aos nossos dias não é mais do que a história da luta de classes", logo também na sociedade industrial os interesses do capitalista e do operário são opostos. Marx previa, então, que dessa luta resultaria a "supremacia política" dos operários durante a etapa da ditadura do proletariado. O estádio final do processo histórico consistiria na sociedade sem classes - o comunismo.
A ideologia marxista contribuiu para a conquista de direitos sociais pelos trabalhadores. Sob o lema "Proletários de todos os países, uni-vos" o movimento operário organizou-se em associações internacionais para conseguir o direito à greve, à redução das horas de trabalho e à melhoria das condições de vida do operariado.

GRUPO II

1. No século XIX, o crescimento económico e demográfico de vários países europeus criou exigências novas. A rápida expansão industrial, aliada ao protecionismo de finais do século, conduziu os estados a exercerem preponderância política, económica e cultural sobre determinadas áreas de influência. A industrialização agravou o fosso entre um mundo desenvolvido e um mundo atrasado. Por um lado, os países industrializados, (Inglaterra, Alemanha, França, Bélgica...) exploravam as matérias-primas das suas colónias, obtendo-as a baixos preços; por outro lado, procuravam mercados para a colocação de "todo o excesso da (...) produção"; as colónias eram, também, locais para onde podia ser escoada a população europeia. Por último, afigurava-se , ainda, como justificação razoável para o colonialismo uma certa missão civilizadora, que atribuía ao colono «branco» o direito (e a obrigação) de espalhar os progressos materiais e a cultura europeia pelo mundo.
No contexto do imperialismo europeu, a África, com as suas riquezas inexploradas, foi um dos continentes mais procurados, passando a ser entendida, como referem os exploradores portugueses, como "um dos vastos quarteirões do mundo", para se tornar em "amplo campo de afã comercial".


2. Em 1884, reuniram-se as potências industriais europeias com o fim de estabelecer as regras da partilha de África entre os estados industrializados.
Uma das principais resoluções da Conferência de Berlim dizia respeito à legitimidade da ocupação dos territórios africanos: estabeleceu-se o princípio da ocupação efetiva segundo o qual, para a ocupação de um território ser reconhecida, os países colonizadores deviam mostrar-se capazes de assegurar uma autoridade suficiente para fazer respeitar os direitos adquiridos.
Esta decisão tinha implicações sobre a política colonial portuguesa, pois Portugal, que até então havia assegurado as colónias com base no direito histórico (era o país que tinha descoberto ou que primeiro ocupara os territórios), tinha de mostrar que tinha meios para manter o seu domínio em África.
A expedição de Hermenegildo Capelo e de Roberto Ivens inscreve-se, precisamente, na tentativa de corresponder ao princípio de ocupação efetiva. Ainda antes da Conferência de Berlim, a Sociedade de Geografia de Lisboa delineara um projeto de ocupação da faixa de território entre Angola e Moçambique (ligando o oceano Indico ao oceano Atlântico), apelidado de "Mapa Cor-de-Rosa". Em 1886, Capelo e Ivens convidavam à leitura das aventuras ao longo da "tortuosa vereda (por nós trilhada), desde Angola até Moçambique".

3. No Doc. 1 Capelo e Ivens antevêem o interesse económico do continente africano para os europeus, prognosticando que, "de esquecido e oculto que foi, tornar-se-á dentro em pouco opulento, cobiçável e assaz visitado". Assim aconteceu, nomeadamente no que diz respeito à cobiça. O imperialismo gerou disputas pelos territórios africanos, sendo que, para Portugal o episódio de maior impacto foi a questão do ultimato. O projeto português do Mapa Cor-de- Rosa colidia com o projeto inglês de ligar o Norte ao Sul de África, do Cairo ao Cabo. Em 1890, a Inglaterra forçou Portugal a prescindir dessa zona entre Angola e Moçambique por meio de uma intimação - o Ultimato, que ameaçava com o corte de relações diplomáticas e o recurso à força. O governo português cedeu, receando exigências maiores por parte dos ingleses.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

A 1ª REPÚBLICA E O IDEÁRIO REPUBLICANO


A revolução foi preparada para ter início no dia 4 de Outubro, em Lisboa. Desde a madrugada foram-se organizando os oficiais revoltosos, que puderam contar com o auxílio da Marinha. Seguiram-se recontros entre os republicanos e as forças fiéis à monarquia.
A República foi proclamada às 9:00 horas do dia 5 de Outubro de 1910, da varanda dos Paços do Concelho.
Logo após a revolução, formou-se um Governo Provisório presidido por Teófilo Braga.
A Assembleia Nacional Constituinte elaborou a Constituição de 1911 e elegeu o primeiro presidente da República (Manuel de Arriaga). As linhas de fundo do regime político republicano eram:
  • a superioridade do poder legislativo (parlamentarismo), pois o Congresso da República, composto pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, era dotado de amplos poderes: controlava o Governo e podia destituir o presidente da República. Esta característica pode em parte explicar a instabilidade governativa da Primeira República;
  • o carácter simbólico da figura do presidente da República, o qual era eleito pelo Congresso e não podia exercer direito de veto sobre as leis emanadas do próprio Congresso;
  • o sufrágio directo e universal para os maiores de 21 anos que soubessem ler e escrever ou fossem chefes de família.
Propaganda republicana na imprensa da época
As ideias republicanas assentam:
  • na laicização do Estado (separação entre a Igreja e o Estado) - porém as medidas anticlericais do ministro Afonso Costa (por exemplo, a expulsão dos jesuítas) fizeram com que a Primeira República perdesse parte do apoio popular;
  • na abolição da sociedade de ordens (através da aniquilação definitiva dos privilégios da nobreza e do clero);
  • na defesa dos trabalhadores (defendendo o direito à greve e o descanso obrigatório aos domingos para os assalariados);
  • no direito à instrução (reforma do ensino público) - a Primeira República conseguiu alguns resultados no domínio do ensino, no entanto, afastou os analfabetos da participação política.

OS PROBLEMAS DA SOCIEDADE PORTUGUESA E A CONTESTAÇÃO DA MONARQUIA


No final do século XIX a sociedade portuguesa era mais instruída e informada que em 1852. A vida urbana tinha-se alterado significativamente, propiciando a proliferação das ideias republicanas e anti-monárquicas principalmente entre a burguesia urbana de Lisboa, Porto e Coimbra. Entre os factores que contribuíram para isso: 
  • A vida dos cafés, a educação básica e os jornais tornaram a opinião pública muito informada e interventiva. 
  • O rotativismo partidário entre os partidos do regime Regenerador e Progressista e a falta de soluções   contribuíram para a falta de credibilidade do sistema monárquico liberal, havendo suspeitas de manipulação de resultados eleitorais. 
  • os governos e o rei passaram a ser muito criticados sendo cada vez mais frequente a censura ao regime. 
  • A insatisfação e descontentamento populares eram grandes devido à crise económica e financeira que assolava o país. 
Neste contexto surgiu o Partido Republicano em 1876 desenvolvendo uma retórica antigovernamental e aproveitando todos os factos políticos e económicos que resultassem em argumentos que mobilizassem as populações e encontrassem eco nas suas reivindicações. 

Em 1890 o episódio do Mapa cor de rosa e do Ultimatum deu argumentos à oposição para reclamar com violência contra o rei. Abandonando aos ingleses as pretensões de ocupação dos territórios do Chire o governo português deu argumentos aos republicanos para desenvolverem uma série de acções populares de protesto contra o rei e os interesses ingleses.
Um ano depois em 31 de Janeiro de 1891 deu-se a primeira revolta republicana em Portugal.

O ambiente de contestação e de quase estado de sitio fez com que o rei visse a sua autoridade posta em causa sendo obrigado a tomar medidas de reforço do seu poder:
  • Convidou o politico João Franco para primeiro ministro
  • dissolveu o Parlamento em 1907 e deu a João Franco poderes de ditadura.
O sentimento antimonárquico tornou-se muito forte levando a Carbonária a organizar um atentado contra o rei em 1908, o regicídio, no qual faleceu também o príncipe herdeiro Luís Filipe.




D. Manuel tornou-se o último rei de Portugal como D. Manuel II. Sem conseguir resolver os problemas nacionais governou em contestação quase permanente sendo deposto em 5 de Outubro de 1910 juntamente com sua mãe D. Amélia.