domingo, 9 de setembro de 2012

EXPOSIÇÃO - A GERAÇÃO DE 500 E A INFANTA D. MARIA

O Panteão Nacional (Igreja de Santa Engrácia em Lisboa) apresenta ao público, a partir de 6 de setembro, a exposição A Geração de 500 e a Infanta D. Maria, da pintora Isabel Nunes.

Tendo
 como figura central a Infanta D. Maria (filha de D. Manuel I), esta exposição reúne mais de 40 pinturas. Nela se observa o mapa político, social e cultural da Europa através dos painéis dos Reis, dos Nobres, da Ciência, da Cultura e das Artes da geração de 500.
Encontram-se, igualmente representados, os Navegadores, os homens que abriram as portas ao mundo, dando desta forma o primeiro passo no processo da Globalização.





Foto: A Geração de 500 e a Infanta D. Maria
Panteão Nacional, Lisboa

O Panteão Nacional apresenta ao público a partir do dia 6 de setembro às 18h30, no Coro Alto, a exposição A Geração de 500 e a Infanta D. Maria, da pintora Isabel Nunes.

Tendo como figura central a Infanta D. Maria, esta exposição reúne mais de 40 pinturas. Nela se observa o mapa político, social e cultural da Europa através dos painéis dos Reis, dos Nobres, da Ciência, da Cultura e das Artes da geração de 500.

Encontram-se, igualmente representados, os Navegadores, os homens que abriram as portas ao mundo, dando desta forma o primeiro passo no processo da Globalização.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

PRINCIPAIS VULTOS DA LITERATURA E DAS ARTES EM PORTUGAL NA VIRAGEM DO SÉCULO


Em Portugal, o século XIX é fortemente marcado pela corrente naturalista na pintura. O contacto dos artistas nacionais (como Marques de Oliveira e Silva Porto, fundadores do Grupo do Leão) com a pintura francesa, graças à atribuição de bolsas, permitiu-lhes praticarem com os mestres dos novos estilos. Começaram a privilegiar a pintura ao ar livre, paisagista. Dedicaram-se ao tratamento de temas banais do quotidiano e à representação de elementos anónimos do povo. Um pouco tardio, em relação ao Naturalismo francês, este "realismo na pintura" foi muito bem acolhido, não suscitando a polémica que recebera em França. prolongou-se até ao século XX, altura em que surgem pintores com aproximação ao Simbolismo (como António Carneiro), influenciado pela corrente simbolista francesa.
COLUMBANO - O Grupo do Leão
Óleo sobre tela, 200 x 380
Sentados, da esquerda para a direita: Henrique Pinto, José Malhoa, João Vaz, Silva Porto, Antônio Ramalho, Moura Girão, Rafael Bordalo Pinheiro e Rodrigues Vieira.
De pé, da esquerda para a direita: Ribeiro Cristino, Alberto d'Oliveira, Manuel Fidalgo (empregado de mesa), Columbano, Dias (criado), Antônio Monteiro e Cipriano Martins.


MARQUES DE OLIVEIRA - À Espera dos Barcos
JOSÉ MALHOA - Os Bêbados

SILVA PORTO - O Rebanho

AURÉLIA DE SOUSA - Mulher a coser 
ANTÓNIO CARNEIRO - A vida

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HENRIQUE POUSÃO - Cecília
Na literatura destaque para Eça de Queirós, Cesário Verde, Antero de Quental (realistas), Eugénio de Castro, Camilo Pessanha e António Nobre (simbolistas).
Eça de Queirós

Antero de Quental

Eugénio de Castro
Camilo Pessanha

António Nobre
Na historiografia, Oliveira Martins, autor de Portugal Contemporâneo e da História de Portugal.

Oliveira Martins

AS CORRENTES ESTÉTICAS NA VIRAGEM DO SÉCULO


A segunda metade do século XIX, foi muito rica em propostas artísticas. Aqui fica de forma sintética a sua contextualização:

Realismo - corrente de reacção clara aos pressupostos românticos:

  • em vez do culto do eu, propõe a análise da sociedade;
  • à nostalgia do passado contrapõe a análise crítica da contemporaneidade;
  • por oposição às paisagens dramáticas, representa cenas banais do quotidiano, em que as personagens não são heróis, mas pessoas simples.
O desejo de objectividade na arte reflecte a aceitação da corrente filosófica positivista. O gosto pelo concreto levou a que, na pintura, os artistas Courbet, Millet e Manet representassem cenas do quotidiano; contudo, a tentativa de representar apenas o real chocou a sociedade burguesa da época.
COURBET - Enterro em Ornans
MILLET - Semeando batatas
MANET - Olympia
Impressionismo - foi a partir da tela de Monet Impressão: Sol Nascenteque nasceu o termo impressionistas (utilizado desdenhosamente por um crítico para designar um grupo de pintores, de que se destacam Monet, Renoir, Degas e Cézanne, que desafiaram as convenções artísticas da época). O Impressionismo procurava captar na tela a fugacidade do real. Aproximava-se da pintura realista no tratamento de temas vulgares e urbanos, mas aceitava a subjectividade do olhar, transmitida pelos efeitos de luz e pelas cores inesperadas. Graças à expansão do caminho de ferro e à novidade dos tubos de estanho com as cores já preparadas, os pintores impressionistas puderam trocar os ateliers pelo ar livre.

MONET - Impressão: sol nascente
MONET - Senhora com chapéu de sol
RENOIR - O Passeio
DEGAS - A Estrela
CÉZANNE - Natureza morta
Simbolismo - em reacção ao Realismo e às ideias positivistas, o Simbolismo acentua a possibilidade de existência de uma só realidade e propõe como alternativa a representação simbólica das ideias, razão por que os seus autores foram denominados simbolistas. Gustave Moreau e Puvis de Chavannes souberam criar nas suas telas um ambiente de mistério e de sonho, enquanto Paul Gauguin procurou afastar-se da civilização industrial europeia para procurar, na arte e na vida, um ideal de primitivismo.
Em Inglaterra, a pintura de Rossetti ou de Bourne-Jones (chamada Pré-Rafaelita por recusar os cânones do Renascimento) pode ser integrada na corrente simbolista pela aproximação ao sobrenatural e pela valorização de ambientes de evasão.
MOREAU - Édipo e a Esfinge
Le Rêve, par Puvis de Chavannes.
CHAVANNES - O Sonho
GAUGUIN - Parau Api

ROSSETTI - Helena de Tróia
BOURNE-JONES  - Cortejo Nupcial de Psyche
Arte Nova - assumindo-se, sobretudo, como um estilo decorativo, a Arte Nova resulta da vontade de imprimir colorido e graciosidade a uma Europa descaracterizada pela industrialização. Os artistas da Arte Nova elaboravam jóias refinadas (Lalique), adornavam a entrada para o metropolitano parisiense, ilustravam painéis publicitários com gravuras de mulheres idealizadas entre flores e folhagens (Mucha). O requinte e a elegância permitem identificar, rapidamente, todas as facetas da Arte Nova.
Enquanto corrente arquitectónica, a forma ondulada, a aplicação do ferro e a valorização da estrutura como decoração marcaram as obras de Arte Nova, salientando-se as de Gaudí em Barcelona.
Na pintura, destaque-se Gustave Klimt.
RENÉ LALIQUE - Pendente "A Princesa Longínqua"

ALPHONSE MUCHA
Entrada do metro de Paris em estilo Arte Nova
ANTONI GAUDÍ - Igreja da Sagrada Família, Barcelona
As artes plásticas e a literatura seguiram caminhos comuns na revolução artística da segunda metade do século XIX, em particular nas correntes realista e simbolista.
Na literatura, as descrições minuciosas e a crítica social caracterizaram as obras literárias dos autores realistas, como Flaubert, enquanto Émile Zola (GerminalNanaTeresa Raquin) denunciava as condições de vida do operariado.

Gustave Flaubert

Émile Zola
O simbolismo literário caracterizou-se pela expressão do sobrenatural e pela valorização das ideias subjectivas, nomeadamente na obra de Baudelaire, e em Edgar Allan Poe, autor inglês cujas obras são carregadas de mistério.





sexta-feira, 1 de junho de 2012

O DINAMISMO CULTURAL EM PORTUGAL NOS FINAIS DO SÉCULO XIX

A Regeneração (através do fomento das vias de transporte e da modernização geral) aproximou Portugal, em termos culturais, da Europa desenvolvida.
O grupo que deu origem à revolução artística, chamado Geração de 70 (por serem os anos 70 do século XIX), era composto por autores que se opuseram aos cânones literários da época, nomeadamente Antero de Quental e Eça de Queirós. Em 1865, ainda estes estudavam em Coimbra, a ruptura efectuou-se com a Questão do Bom Senso e do Bom Gosto (também chamada Questão Coimbrã), polémica motivada por uma carta de crítica de Antero de Quental dirigida ao celebrado poeta Castilho.
Mais tarde, em 1871, o programa das Conferências Democráticas, de Antero de Quental, previa "ligar Portugal com o movimento moderno" e "procurar adquirir a consciência dos factos que nos rodeiam na Europa".

Da esquerda para a direita: Eça de Queirós, Oliveira Martins, Antero de Quental,  Ramalho Ortigão e Guerra Junqueiro
António Feliciano de Castilho

Os elementos da Geração de 70, constituindo o Cenáculo, renovaram os cânones estéticos e intervieram na sociedade, em especial através do ciclo de Conferências no Casino Lisbonense. As Conferências do Casino eram uma lufada de ar fresco na cultura nacional; contudo, foram interrompidas pela proibição do governo que se sentia ameaçado pela polémica.
A Geração de 70, embora muito profícua em obras literárias e ensaios, dar-se-ia por derrotada nos seus objectivos revolucionários, intitulando-se o grupo dos "Vencidos da Vida" nos anos 80 do século XIX. O grande mentor da Geração de 70, Antero de Quental, suicidou-se em 1891.


A CRENÇA NO PODER DA CIÊNCIA E NO ENSINO

Na segunda metade do século XIX, os grandes avanços da técnica e da ciência criaram um verdadeiro cientismo (primado da ciência).
Foram feitos inúmeros estudos que marcaram o conhecimento científico até à actualidade:

  • Marie Curie (e o seu marido Pierre) dedicou a sua vida à ciência - a Física -, em particular ao conhecimento da radioactividade; 



  • Pasteur demonstrou a existência de microrganismos - as bactérias - no ambiente, desenvolvendo vacinas e o método de pasteurização dos alimentos;



  • o químico Mendeleiev elaborou a primeira tabela periódica dos elementos;



  • Koch, no seguimento dos estudos de Pasteur, isolou a bactéria (também conhecida como bacilo de Koch) que provoca a tuberculose;



  • o biólogo Charles Darwin concluiu que os animais - incluindo o Homem - sofreram alterações morfológicas ao londo de períodos de tempo muito longos, as quais resultaram de bem sucedidas adaptações ao meio ambiente (teoria evolucionista);





As ciências sociais, à semelhança das ciências exactas, procuraram estabelecer leis gerais e definir métodos rigorosos de pesquisa:
  • Auguste Comte foi a figura fundamental na definição do pensamento científico da segunda metade do século XIX. Criou o Positivismo, sistema filosófico que leva o cientismo ao seu expoente máximo, ao estabelecer que a Humanidade alcançará o estado positivo quando o conhecimento se basear apenas em factos comprovados pela ciência;



  • Émile Durkheim sistematizou as regras da nova disciplina das Ciências Sociais: a Sociologia;



  • Karl Marx analisou os modos de produção ao longo da História, transformando o socialismo num sistema científico da análise da sociedade - o materialismo histórico ou socialismo científico.



Também a questão da educação se tornou um tema prioritário para vários governos europeus no século XIX:
  • o aprofundamento dos sistemas representativos (demoliberalismo) fez com que o direito de voto se estendesse à maioria da população, pelo que a classe política viu interesse na difusão do ensino público como meio de esclarecer os cidadãos e de exercer influência nas suas decisões;
  • o espírito positivista, ao considerar unicamente como verdadeiro o conhecimento obtido através da observação e da experimentação, contribuiu para a valorização de instituições ligadas à ciência (universidades, laboratórios, museus de História natural);
  • a laicização dos Estados, ao retirar da alçada da Igreja a tradicional função educadora, levou a uma maior responsabilização dos Estados na alfabetização;
  • as classes médias, ligadas à vida urbana, procuraram cursos que promovessem a sua ascensão social, nomeadamente os que davam acesso a profissões liberais.