domingo, 23 de setembro de 2012

AS VANGUARDAS ARTÍSTICAS - RUPTURAS COM OS CÂNONES DAS ARTES E DA LITERATURA


movimento modernista desenvolveu-se nos inícios do século XX a partir da Europa e em cidades cosmopolitas e com forte movimentação cultural como Paris, ponto de encontro das vanguardas culturais da Europa e do mundo. Reagindo contra o classicismo naturalista e o paradigma romântico e conformista do século XIX os movimentos artísticos vanguardistas procuraram exprimir um intimismo de raiz psicológica matizado com a visão relativista dos fenómenos e da realidade.
Nova estética influenciada pela psicanálise, a psicologia e o pensamento relativista desfigurando a realidade e admitindo visões alternativas:  

Fauvismo – 1904 Paris - Matisse, Derain, Rouault. Arte infantil, ingénua e alegre que utiliza cores agressivas e imagens deformadas. 

Expressionismo – 1905 Dresden - Van Gogh, 
Munch, Kirchner - sobrevalorização do Eu e das angústias da existência, dramatismo na utilização de tons fortes e ambientes pesados onde o pessimismo está presente rejeitando o classicismo romântico.

Van Gogh
Munch
Cubismo analítico 1908 até 1912 - Braque, Picasso, Juan Gris. Decomposição do espaço tridimensional e geometrização multidimensional da realidade. Os objectos expõem várias facetas do Eu simultaneamente atingindo uma essência.   
Picasso 
Cubismo sintético - reagrupamento do objecto reagindo contra a decomposição extrema a que os analíticos tinham chegado em 1911. Simplificação das formas e agregação de materiais ou justaposição na composição de objectos toscos com intuito simbólico, agrupados de acordo com uma ideia essencial que remete para o sentido da obra. Braque. Gris, Leger, Delaunay. Guernica foi das últimas pinturas cubistas de Picasso. 
Braque 
Futurismo 1909 Itália - Marinetti. Rejeição do passado e glorificação do futuro. A máquina e a velocidade como fonte de inspiração. O mundo industrial e a guerra, o dinamismo e o movimento.

                                                                         Marinetti
Abstraccionismo sensível ou líricoKandinsky, 1910 – baseado no expressionismo distinguiu-se pelas cores vivas, pelo apelo ao inconsciente, onírico e intuitivo. Combinação de formas e cores.
Kandinsky
Cubismo sintético depois de 1912 - a não decomposição do objecto numa imagem que sintetiza as suas características, muita cor

Neoplasticismo ou Abstraccionismo geométrico –  Piet Mondrian, geometrismo 1917 – Holanda pintura limpa geométrica, ordenada e desprovida de acessório e inutilidades, figuras geométricas elementares que exprimem uma função social da arte como realidade pura desprovida do  inessencial.
Mondrian
Dadaísmo 1916 Suiça - Tzara, Hans Harp. Denúncia da sociedade, desprezo pela guerra e pela arte que é reflexo da obra dos homens. Chocante e obsceno para agitar a sociedade, subversão sem sentido, retrato do próprio mundo. O ilógico, acaso, absurdo. 

Surrealismo – 1924 Paris - Breton, Magritte, Dali. Surgido na literatura, o surrealismo projectava o inconsciente e onírico na obra de arte explorando o psiquismo dos autores. Terreno de divagação de várias correntes técnicas o surrealismo sublinhava o retrato do mundo inconsciente dos sujeitos.

                                                                         Salvador Dali
Magritte

MUTAÇÕES NOS COMPORTAMENTOS E NA CULTURA


Vamos "passar a perna" à ordem dos conteúdos do programa para que, ainda durante o mês de Outubro, possamos fazer a nossa visita ao Museu de Arte Contemporânea (mais conhecido como Museu do Chiado), ver a exposição "O Modernismo Feliz", minimamente preparados para apreciar algumas das obras dos artistas portugueses das primeiras décadas do século XX.
Como tal, vamos estudar as mudanças verificadas no comportamento das pessoas e nos movimentos culturais e artísticos ao longo desse período.

Uma nova sociabilidade

O inicio do século trouxe às cidades do mundo ocidental um movimento frenético que inspirava optimismo e esperança. Apesar de tudo as memórias do conflito e da crise ainda perduravam principalmente nas cidades europeias dos países ainda atingidos pela recessão. 

A estandardização dos comportamentos desenvolveu-se do que resultou uma massificação de preconceitos e crenças interiorizadas por grandes grupos de pessoas geralmente habitando nas cidades. Generalizava-se uma cultura de massas que era também uma cultura de ócio. Desenvolveram-se os espaços e a indústria de entretenimento subsidiadas pela classe média que acedia a todo o tipo de bens de consumo e conteúdos culturais. 

O desporto, o espectáculo e a cultura adquiriram novo dinamismo e projecção tornando-se sectores económicos de grande investimento impulsionados pelos factores acima citados.


A crise dos valores tradicionais

A par de uma transformação nos hábitos a sociedade ocidental assistiu a uma erosão progressiva nos seus costumes e valores mais ancestrais. A burguesia, herdeira de uma posição privilegiada sentiu os efeitos desse desgaste ainda acelerado pela descrença nos valores propagandeados pelas revoluções  liberais. Perante as dificuldades e o sofrimento, as classes mais baixas sentiram que a sua sorte poderia depender da movimentação e acção política. Tal crença levou-as a adoptar ideologias que no ambiente difícil do pós-guerra não tardaram a dominar largos sectores da população nomeadamente nos países mais industrializados.
A família, o casamento, a religião e mesmo as mais básicas regras de conduta e da moral passaram a sofrer os efeitos de um individualismo e uma anomia crescentes que tiveram como efeito o desenraizamento e a marginalidade típicas das sociedades urbanas mas também o relativismo dos valores e das crenças.

 





A emancipação feminina
A mulher adquiriu projecção nova nesta sociedade. A sociedade descobriu uma presença cada vez mais constante da mulher em todos os domínios. Espectáculo, política, desporto, cultura, arte, ciência, vida social  eram ambientes onde a mulher se distinguiu e onde se impôs. Desde o século XIX a mulher lutava pelo reconhecimento da sua posição não só na sociedade mas mesmo na família. A partir de inícios do século XX o direito ao voto passou a ser reivindicado pelos movimentos feministas. Destacaram-se as sufragistas britânicas lideradas por Emmeline Pankurst que recorreram a todo o tipo de argumentos e formas de luta para exigir um tratamento igual ao dos homens. Em Portugal, Maria Veleda, Ana Castro Osório, Adelaide Cabete e Carolina Beatriz Ângelo destacaram-se na Liga Republicana das Mulheres Portuguesas. Só no final da Primeira Grande Guerra é que as mulheres europeias começaram a ver os seus direitos políticos reconhecidos. 

Descrença no pensamento positivista e as novas concepções científicas

No início do século XX, rejeição gradual do racionalismo e positivismo científico. Outras vias se abrem ao pensamento humano.
·        Begson considerava que além da Física e Matemática, existia um pensamento intuitivo que explicava os comportamentos humanos e libertava os homens do espartilho racionalista.

·        Teoria Quântica, a energia desenvolve-se através de movimentos muito rápidos de porções mínimas e variáveis de matéria, os quantum.

·        Teoria da Relatividade, tempo decorre mais depressa ou devagar consoante a velocidade dos corpos.

A verdade científica não tinha o grau de certeza que até então se pensava. Surgiu assim o Relativismo. 



Concepções psicanalíticas
Freud desenvolveu a Psicanálise que divide a mente em três zonas: inconsciente, subconsciente e consciente. O inconsciente influencia muitos dos nossos comportamentos explicando-os através de noções como a de recalcamento e sublimação, sonhos e livre associação. 



A psicanálise influenciou a sociedade e a arte admitindo comportamentos e  leituras da realidade alternativos aos do senso comum.

As vanguardas artísticas: rupturas com os cânones das artes e da literatura
O movimento modernista desenvolveu-se nos inícios do século XX a partir da Europa e em cidades cosmopolitas e com forte movimentação cultural como Paris, ponto de encontro das vanguardas culturais da Europa e do mundo. Reagindo contra o classicismo naturalista e o paradigma romântico e conformista do século XIX os movimentos artísticos vanguardistas procuraram exprimir um intimismo de raiz psicológica matizado com a visão relativista dos fenómenos, admitindo visões alternativas e desfigurando a realidade. 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

ESTÁ QUASE

As Galerias Romanas escondidas por baixo da Rua da Prata só se abrem ao público um fim-de-semana por ano e a oportunidade chega nos dias 28, 29 e 30 de Setembro. Será possível visitar construções romanas com quase 2000 anos.

As Galerias Romanas, situadas sob o cruzamento da Rua da Prata com a Rua da Conceição, em plena baixa de Lisboa, estão habitualmente inundadas. Mas há um fim-de-semana por ano em que os bombeiros retiram a água e transformam as Galerias numa exposição a céu aberto. Associando-se às comemorações das Jornadas Europeias do Património, as visitas são feitas em grupo e orientadas por técnicos do Museu da Cidade.

Descobertas em 1771, durante a reconstrução da cidade de Lisboa, na sequência do grande terramoto de 1755, o arqueólogo António Marques calcula que estas Galerias tenham sido construídas no século I.

As visitas guiadas são de entrada livre, basta aparecerem no nº 77 da Rua da Conceição na próxima sexta, sábado ou domingo entre as 10h00 e as 17h30 (horário da última entrada). Preparem-se para enfrentar longas filas de espera, pois a afluência é sempre elevada (principalmente no domingo).



quinta-feira, 20 de setembro de 2012

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O NOVO EQUILÍBRIO GLOBAL DO 1º PÓS-GUERRA


O final da 1ª Grande Guerra trouxe grandes mudanças no equilíbrio de poderes internacional. A Alemanha saía destroçada e vencida e a Inglaterra e a França, potências vencedoras do conflito, enfrentavam a dura tarefa da reconstrução económica.
Apesar de afectados pelo conflito os E.U.A. tornavam-se então a grande potência mundial.

Na Conferência de Paz iniciada em Janeiro de 1919 em Paris, com o intuito de negociar e impor aos países vencidos condições e indemnizações, estiveram presentes apenas os países vencedores, entre os quais Portugal. Destaca-se a Mensagem dos 14 pontos ao Congresso dos E.U.A. apresentada pelo presidente Wilson à Conferência de Paz que serviu de base às negociações pondo em discussão um conjunto de princípios de diplomacia internacional que aliás serviriam também como fundamento da Sociedade das Nações.

Das discussões ocorridas entre os países vencedores da guerra na Conferência de Paz resultaram tratados de paz entre países vencedores e países vencidos:

Tratado de Versalhes entre os aliados e a Alemanha
Tratado de Saint Germain entre os países aliados e a nova república da Áustria
Tratado de Sèvres entre os aliados e a Turquia
Tratado de Trianon entre os aliados e a nova república da Hungria
Tratado de Neuilly entre os aliados e a Bulgária


Triunfo das nacionalidades e da democracia

Os tratados conduziram a uma reorganização do mapa político da Europa e de algumas regiões de África e da Ásia.

Depois do desaparecimento do império russo desapareceram também os grandes impérios centrais da Europa, a Alemanha, Austro-Hungria e Império Turco surgindo em vez deles diversos novos pequenos estados dando prosseguimento ao princípio das nacionalidades defendido pelos políticos liberais desde o século XIX.

Surgiram assim na Europa no final do conflito a Finlândia, Estónia, Letónia, Lituania, Polónia, Checoslováquia, Jugoslávia e Hungria, na Ásia, a Arábia, Curdistão, Arménia, territórios sob mandato da SDN, a Síria, Líbano, Mesopotâmia e Palestina.

A França recuperou a Alsácia-Lorena, a Bélgica ganhou os cantões de Eupen e Malmedy, a Itália recebeu o Tirol e a Istria, a Dinamarca recuperou o norte de Schleswig, a Roménia recebeu a Transilvania e a Bessarábia enquanto a Grécia recebeu a Trácia da Bulgária.

A Alemanha era no entanto a potência mais afectada. Além da perda de territórios na África e Ásia perdia também o seu enorme poder militar.

Entre os alemães o sentimento de vingança desenvolveu-se ao longo dos anos tendo como principal alvo a França, considerada responsável pelas duras condições de derrota impostas pelos aliados, o Diktat.

Hitler na sua obra Mein Kampf dá voz a sentimentos revanchistas contra franceses e judeus ao afirmar:

"O sonho da França é e sempre será impedir a formação de um poder sólido na Alemanha, conservando um sistema de pequenos Estados com forças equilibradas e sem uma direcção uniforme, com a ocupação da margem esquerda do Reno para assegurar a sua hegemonia na Europa." e mais adiante, "... assim o judeu é hoje o grande instigador do completo aniquilamento da Alemanha. Todos os ataques contra a Alemanha, no mundo inteiro, são da autoria de judeus."

As perdas da Alemanha foram enormes:
  • perda dos territórios coloniais
  • separação da Prússia Oriental do território alemão através do corredor de Danzig, cidade polaca enclave polaco sob a protecção da Sociedade das Nações.
  • Devolução dos territórios da Alsácia e Lorena à França, Eupen e Malmedy à Bélgica, diversas regiões alemãs integradas na Polónia, Checoslováquia e Dinamarca.
  • perda de grande parte da frota mercante.
  • ocupação pela França das minas do Sarre e da Renânia.
  • pagamento de indemnizações de guerra
  • desmilitarização da Alemanha com perda de grande parte do exército e da infantaria além da frota naval e aviação de combate.
  • desmilitarização da margem direita e esquerda do Reno com ocupação das regiões de fronteira com a França, por exércitos deste país.

Sociedade das Nações

Durante os trabalhos da Conferência de Paz os países vencedores do conflito sob proposta do presidente Wilson dos E.U.A., decidiram a criação de uma organização mundial que propunha a resolução dos conflitos pela via pacífica. Antecessora da O.N.U., na S.D.N. existiam vários organismos como o Tribunal Internacional de Justiça, o Banco Internacional, a Organização Internacional do Trabalho e algumas outras que procuravam dar seguimento aos objectivos propostos pela organização.

Vários problemas acabaram por limitar o alcance de intervenção da S.D.N. dificultando a sua missão e retirando-lhe eficácia:
  • Os países vencidos pela guerra como a Alemanha não faziam parte da organização e
  • alguns dos vencedores como Portugal ou a Itália não se mostraram satisfeitos com as reparações pagas pelos países agressores.
  • Isolacionismo dos E.U.A.
  • Regulamentação das fronteiras e a satisfação das reivindicações das minorias nacionais, muito criticada nos países vencidos criando animosidades e oposição às condições dos tratados de paz. O Diktat de Versalhes foi por exemplo muito criticado pelos alemães.
  • As relações estabelecidas entre a Alemanha e alguns dos países vencedores da guerra dificultaram a tomada de posições contra as manobras e actividades belicistas de Hitler ao longo dos anos 30.


Os constrangimentos da política interna e externa dos E.U.A. levantada pelo lamentável estado dos países europeus e pela questão das reparações de guerra fez com que a S.D.N. perdesse grande parte da sua credibilidade e margem de manobra.

A situação da Europa no pós-guerra era muito difícil: destruição, quebra demográfica, inflação galopante e desvalorizações monetárias acentuadas.

E.U.A. 

A guerra permitiu grande prosperidade aos Estados Unidos da América. No entanto sentiu os efeitos críticos de um período de excesso de produção mas a economia conseguiu recuperar através da adopção generalizada do novo modelo de produção industrial, da concentração monopolista de empresas beneficiando ainda do relançamento da economia europeia. Também a adopção pelos países europeus do Gold Exchange Standard permitiu a reanimação do comércio internacional. Os E.U.A. tornaram-se o grande financiador das economias europeias nomeadamente a alemã permitindo-lhe o pagamento das reparações e indemnizações que eram devidas ao Reino Unido e à França. 

A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL