quarta-feira, 31 de outubro de 2012
domingo, 28 de outubro de 2012
RATOLÂNDIA - A PROPÓSITO DO ROTATIVISMO PARTIDÁRIO
Curiosa fábula contado por um político canadiano num dos seus discursos.
Mesmo a propósito do rotativismo partidário que se viveu no final da monarquia portuguesa.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
A GRANDE DEPRESSÃO
Ao longo dos anos vinte, apesar da prosperidade evidenciada por largos sectores da economia americana, havia outros que não conheciam o desenvolvimento esperado. A extracção de carvão, a construção ferroviária, têxteis tradicionais e estaleiros navais tardavam em desenvolver-se o suficiente e a ultrapassar uma certa estagnação desde o final da guerra e o desemprego aumentava, além dos baixos salários que em geral eram pagos aos assalariados que obrigavam grande parte da população a viver do crédito e das prestações para comprar todo o género de bens. Colheitas demasiado excedentárias na agricultura provocavam baixos preços e queda dos lucros dos agricultores. Assim, largos sectores de actividade sobreviviam com recurso aos bancos e aos empréstimos, quer para ultrapassar dificuldades de tesouraria quer para manter um certo nível de despesa. Também os investidores accionistas atraídos pelos lucros que a compra e venda de acções gerava desenvolviam paralelamente essa actividade utilizando empréstimos bancários para o fazerem. E assim a especulação bolsista aumentava (a bolha accionista...) apoiada nas expectativas do crescimento económico gerando valores das acções que não correspondia à real situação financeira de muitas empresas bem cotadas.
Entre 21 e 29 de Outubro de 1929 o valor das acções começou a descer a acentuadamente lançando o pânico na Wall Street e levando muita gente a procurar sem resultado vender as acções que subitamente não tinham compradores. Tal aconteceu devido às noticias alarmantes sobre a situação de algumas empresas bem cotadas e pela falência de alguns especuladores ingleses na bolsa de Londres como a casa comercial Clarence Hatry. Os investidores ingleses na Wall Street venderam em massa e o valor das acções dos pequenos investidores caiu a pique levando à insolvência milhares de pequenos investidores que se tinham endividado na banca para investirem nas acções. De um dia para o outro os accionistas ficaram sem dinheiro e os bancos que lhes tinham emprestado também provocando falências em muitas casas bancárias americanas. Outras consequências:
- empresas faliram
- desemprego elevadíssimo
- quebra no consumo
- quebra dos preços
- baixa da produção industrial
- baixa dos salários
Efeitos sociais:
- proliferação dos bairros de lata
- fome e pobreza extremas
Desenvolveu-se assim o longo período de crise a que se deu o nome de Grande Depressão.
Mundialização da crise: persistência da conjuntura deflacionista
A conjuntura era deflacionista, marcada por:
Os efeitos da crise alastraram para todo o mundo. Todos os países dependentes dos capitais americanos foram afectados pela retirada dos investimentos e capitais americanos em outros países nomeadamente na Europa, América do Sul e Oceania. Também os países dependentes do comércio e das exportações para os E.U.A. foram fortemente afectados pela crise e entraram também em crise económica devido à política proteccionista de H. Hoover que aumentou as taxas sobre as importações para 50%.
A conjuntura era deflacionista, marcada por:
- queda dos preços
- quebra da produção
- diminuição do investimento e da produção.
Os países afectados pela crise adoptaram políticas restritivas:
- reduziram a concessão de crédito
- aumentaram impostos
- reduziram ordenados
- desvalorizaram moedas
Mas os efeitos foram ainda mais negativos pois retraia-se a procura dificultando a recuperação económica criando mais obstáculos ao investimento e ao crescimento.
Para melhor entender a conjuntura vivida na época recomenda-se a leitura do livro "As Vinhas da Ira" (1939) do escritor americano John Steinbeck ou o filme com o mesmo nome, datado de 1940 (existe no CRE).
Filmes mais recentes também focaram a temática da Grande Depressão, através de outros pontos de abordagem como "Cinderella Man" de 2005.
ou " Cotton Club" (1984).
domingo, 21 de outubro de 2012
PORTUGAL NO 1º PÓS-GUERRA
A 1ª República caracterizou-se por uma instabilidade governativa constante, a participação de Portugal na Grande Guerra e os seus efeitos nefastos que induziram na sociedade portuguesa os germes da desagregação social e do caos económico. O fim do regime republicano democrático foi uma consequência natural de tal situação visto que ao longo dos anos vinte a violência política cresceu num ambiente de constante vazio de autoridade e poder.
Entre 5 de Outubro de 1910 e 28 de Maio de 1926 houve em Portugal quarenta e cinco governos e oito presidentes da República.
Factores que condicionaram de forma mais acentuada a estabilidade do regime republicano
1. Parlamentarismo - O Parlamento ou Congresso era constituído por duas Câmaras:
- Câmara dos Deputados formada por representantes dos circulos eleitorais (concelhos) maiores de 25 anos e eleitos por 3 anos
- Câmara do Senado formado por representantes dos distritos e províncias ultramarinas, com mais de 35 anos eleitos por 6 anos.
Competia ao Congresso fazer as leis, suspendê-las ou revogá-las, elaborar o orçamento da República, organizar a defesa nacional e nomear e destituir o Presidente da República. O regime era portanto de preponderância do poder legislativo sobre o executivo. A constante interferência do Congresso na actividade governativa tornava ineficaz a acção dos governos. Com efeito, os repetidos desentendimentos entre os partidos com assento no Parlamento inviabilizavam a constituição de maiorias parlamentares e geravam impasses irresolúveis que, às vezes por questões secundárias, faziam cair governos e presidentes. Os governos republicanos deixavam assim transparecer uma incapacidade cada vez maior para resolver as dificuldades que o país sentia já desde a monarquia.
2. Laicismo da República - As medidas tomadas pelos governos republicanos nomeadamente no campo da separação entre Igreja e Estado marcaram negativamente as relações entre o Estado e a Santa Sé mas também criando clivagens com grande parte da população católica do país.
3. Participação de Portugal na Grande Guerra - a participação de Portugal na Grande Guerra provocou enorme desequilíbrio financeiro acentuando os problemas de carácter económico e social. Racionamentos de alimentos, inflação, desvalorizações monetárias, défice da balança comercial.
4. Agravamento da instabilidade política - consequência da participação na Guerra e dos seus perniciosos efeitos económicos e financeiros, a instabilidade agravou-se com o crescimento da actividade sindical, greves e manifestações e a adopção de uma estratégia de sindicalismo revolucionário marcado pelo alastramento dos ideais comunistas. A fome, as doenças e a suspensão de pagamento de salários a diversos sectores profissionais, os baixos salários e o desemprego implicaram o recurso das organizações operárias à sabotagem e ao terrorismo.
A guerra provocou também a instauração de dois períodos de ditadura: em 1915, Pimenta de Castro, e em 1917, Sidónio Pais. Sidónio governou durante um ano com grande apoio dos políticos mais conservadores, incluindo monárquicos e mesmo da Igreja. Depois da sua morte que coincidiu com o final da guerra, os monárquicos procuraram no início de 1919 aproveitar o clima de confusão e indefinição política para instaurarem a Monarquia do norte mas não o conseguiram. O parlamentarismo regressou mas com uma instabilidade acrescida. Afonso Costa foi para Paris e novos políticos surgiram mas sem conseguirem reencaminhar o país numa direcção coerente. A violência alastrou e impôs-se no quotidiano, principalmente em Lisboa. E o poder político, fragilizado, revela-se incapaz de resolver os problemas.
Perante esta situação, os sectores conservadores (destacando-se os mais poderosos grupos económicos e as altas patentes militares) receiam que Portugal enverede pela via do socialismo (triunfante em 1917, na Rússia). À semelhança do que acontecia na Europa, culpam o regime parlamentar de ser o causador de todos os males da República, aspiram por um governo forte, autoritário que ponha termo à instabilidade política e à agitação social e que defenda melhor os seus interesses de classe.
A guerra provocou também a instauração de dois períodos de ditadura: em 1915, Pimenta de Castro, e em 1917, Sidónio Pais. Sidónio governou durante um ano com grande apoio dos políticos mais conservadores, incluindo monárquicos e mesmo da Igreja. Depois da sua morte que coincidiu com o final da guerra, os monárquicos procuraram no início de 1919 aproveitar o clima de confusão e indefinição política para instaurarem a Monarquia do norte mas não o conseguiram. O parlamentarismo regressou mas com uma instabilidade acrescida. Afonso Costa foi para Paris e novos políticos surgiram mas sem conseguirem reencaminhar o país numa direcção coerente. A violência alastrou e impôs-se no quotidiano, principalmente em Lisboa. E o poder político, fragilizado, revela-se incapaz de resolver os problemas.
Perante esta situação, os sectores conservadores (destacando-se os mais poderosos grupos económicos e as altas patentes militares) receiam que Portugal enverede pela via do socialismo (triunfante em 1917, na Rússia). À semelhança do que acontecia na Europa, culpam o regime parlamentar de ser o causador de todos os males da República, aspiram por um governo forte, autoritário que ponha termo à instabilidade política e à agitação social e que defenda melhor os seus interesses de classe.
1926 - Ditadura e autoritarismo
Neste contexto de ameaças e instabilidade, entre o caminho da revolução popular ao modelo da U.R.S.S. e o da ditadura semelhante ao da Espanha - Primo de Rivera - e da Itália - Mussolini - os políticos e militares portugueses escolheram o da instauração duma ditadura (28 de Maio de 1926) do tipo do sul da Europa. As proximidades geográficas e vizinhanças ideológicas impuseram o rumo do autoritarismo.
O novo governo decreta o fim das liberdades individuais, dissolve o Congresso da República e extingue todas as instituições de inspiração liberal e democrática. (chegou ao fim a 1ª República e com ela a democracia parlamentar).
O novo governo decreta o fim das liberdades individuais, dissolve o Congresso da República e extingue todas as instituições de inspiração liberal e democrática. (chegou ao fim a 1ª República e com ela a democracia parlamentar).
| Gomes da Costa e as suas tropas desfilam em Lisboa (6-06-1926) |
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
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