quarta-feira, 14 de novembro de 2012

AUTARCIA E ESPAÇO VITAL


A necessidade de resolver os problemas económicos e sociais internos evitando o desequilíbrio da balança comercial e os efeitos da redução do comércio internacional nos anos vinte e trinta levou vários países da Europa a desenvolver políticas de exploração de recursos coloniais e de expansão imperialista no sentido da autosuficiência. Foi o caso da Itália e da Alemanha mas também de Portugal. 

Em todos os países se desenvolveram políticas intervencionistas e nacionalistas de redução das importações e de promoção do consumo e da expansão da produção interna.

Na Itália desenvolveram-se políticas dirigistas e centralizadoras de promoção da agricultura, de reequilíbrio da moeda e de elevada taxação aduaneira com o objectivo de reduzir as importações e promover o desenvolvimento da industria. Promoveu-se ainda a expansão territorial em direcção a territórios ricos em matérias primas como a Etiópia e a Líbia. Objectivo: petróleo, cobre, fosfatos. Promoveu-se ainda:

  • organização da economia seguindo os principios do corporativismo
  • campanhas de mobilização da população para grandes projectos: batalha da lira, campanha do trigo, recuperação de terras abandonadas. 
  • Institutos dedicados à recuperação das actividades económicas: Instituto para a Reconstrução Industrial e Instituto Imobiliário
Na Alemanha a necessidade de recuperar a economia reduzindo o desemprego levou a uma política de grandes obras públicas e de défice elevado que financiava o reequipamento do exército, marinha e aviação com objectivos de conquista territorial (espaço vital) em busca de matérias primas mais baratas para a indústria. Promoveu-se ainda:

  • fixação de preços
  • desenvolvimento da agricultura e criação 
  • desenvolvimento das indústrias química, metalúrgica, eléctrica e de sectores como os transportes terrestres, navais e aviação. 

ANTI-SEMITISMO E PERSEGUIÇÃO AOS JUDEUS


Considerando os judeus responsáveis pela derrota da Alemanha e por todos os males sociais e económicos sofridos pelos alemães no período do após guerra, os nazis desenvolveram desde a sua tomada do poder uma política de segregação sobre as comunidades judaicas alemãs. Essa política desenvolveu-se em três fases:

  • Uma primeira vaga de perseguições a partir de 1933 com boicotes de lojas e negócios proibindo o acesso ao funcionalismo público a todos os judeus e afastando-os de postos chave na administração, ensino e saúde, e nas profissões liberais como advogados e médicos. 
  • A partir de 1935 as leis de Nuremberga proibiram casamentos e relações entre arianos e judeus e privação de nacionalidade alemã.
  • A partir de 1938 a liquidação de empresas detidas por judeus e confisco dos bens nos bancos. Destruíram se sinagogas, o culto foi proibido e os judeus passaram a ter que ostentar distintivo na roupa quando em público. A 2ª Guerra Mundial permitiu a execução sumária de 6 milhões de judeus europeus através de um processo que ficou conhecido pela Solução Final. 

O 3º REICH

O FASCISMO EM ITÁLIA



OS DISCURSOS DE MUSSOLINI












OS FASCISMOS - CARACTERÍSTICAS POLÍTICAS DOS REGIMES AUTORITÁRIOS


Os períodos de depressão do após guerra e da Grande Depressão provocaram na Europa rupturas políticas com as democracias levando à instauração de regimes de ditadura em vários países dos mais atingidos pelas dificuldades económicas.

Características políticas dos regimes autoritários 

Os denominados regimes fascistas opunham-se aos princípios da democracia liberal:
  • Eram antiliberais (rejeição da teoria liberal da divisão dos poderes, os homens não são iguais e o governo destina-se aos melhores - as elites - merecendo o maior respeito das massas. Das elites fazem parte a raça dominante, os soldados, as forças militarizadas, os filiados no partido - eram eles que veiculavam a ideologia dominante e asseguravam o cumprimento da ordem)
  • antidemocratas 
  • antiparlamentares (reforço do poder executivo)
  • antimarxistas- antisocialistas e anticomunistas (a luta de classes divide a Nação e enfraquece o Estado)
Desprezavam o multipartidarismo e a divisão dos poderes adoptando governações de tipo centralizado, reforçando o poder executivo. Conferiam preponderância ao Estado e aos valores da Nação, acima dos cidadãos. E mais:
  • defendiam o modelo social corporativo contrário ao antagonismo da divisão da sociedade em classes preferindo a colaboração entre elas organizando os operários em associações sob controlo dos estados evitando o sindicalismo divisionista. (corporativismo)
  • eram nacionalistas defendendo os valores da tradição e da cultura ancestral e contrariando os princípios do internacionalismo proletário. (nacionalismo)
  • defendiam o estado monopartidário contra a divisão em partidos 
  • defendiam o controlo e regulamentação da economia. 
  • defendiam o presidencialismo e o poder pessoal (culto do chefe)
  • propunham a organização dos jovens em organizações de juventudes institucionalizadas, educadas segundo estritas regras e normas de controlo social e ideológico. (obediência cega das massas - culto à Nação e ao chefe, amor ao desporto e à guerra, desprezo pelos valores intelectuais - "ditadura intelectual" com queima de livros)
  • controlavam a imprensa (censura), a cultura e o desporto (através da propaganda) - supressão de jornais, queima de livros, perseguição de intelectuais, utilização do cinema e da rádio como armas de propaganda
  • Atribuindo o primado ao Estado retiravam direitos aos indivíduos e nesse sentido os regimes autoritários violavam constantemente os direitos naturais dos indivíduos propondo a guerra e a repressão policial para purificar os estados e a sociedade. Usavam as polícias políticas, campos de concentração e prisões de alta segurança. - culto da força e da violência e negação dos direitos humanos
  • Propunham a subjugação das raças consideradas inferiores - eslavos, ciganos, Judeus - e o apuramento físico e mental da raça ariana propondo o eugenismo. Desenvolveu-se o anti-semitismo. 
  • Defendiam uma política económica intervencionista buscando a autosuficiência ou autarcia.