terça-feira, 27 de novembro de 2012

PARA ESCLARECER BEM AS PRÁTICAS NAZI-FASCISTAS

Milícias armadas e aparelho repressivo do Estado


Os totalitarismos nazi-fascistas contaram com o apoio de milícias armadas que intervinham na repressão violenta das greves e manifestações. Cedo chamaram a atenção de grandes industriais e financeiros, que viam na sua actuação uma forma eficaz de combater todos os factores de desestabilização da ordem burguesa. Apoiaram-nas, financiaram-nas, militarizaram-nas, transformando-as numa poderosa máquina de repressão dos opositores aos seus interesses económicos e políticos.
Com a ascensão dos partidos totalitários ao poder e com a construção de estados policiais, estas milícias vieram a constituir as forças de sustentação do Estado, transformando-se em forças policiais institucionais de repressão dos opositores ao regime
Na Itália, era a Milícia Voluntária para a Segurança Social e a Organização de Vigilância e Repressão do Antifascismo. Na Alemanha, eram as Secções de Assalto (SA), que foram perdendo poder para as Secções de Segurança do Partido (SS), de carácter paramilitar e para uma tenebrosa polícia política, a Gestapo, que exerciam vigilância atenta e controlo da população, enviando para os campos de concentração quem manifestasse o mínimo sinal de oposição ou fosse denunciado como tal.  


Encenação da força

Outra forma de cativar a simpatia da opinião pública era a organização de grandes manifestações de força, enquadradas no desenvolvimento de intensas ações de propaganda.
As forças de repressão militares e paramilitares exibiam a sua capacidade de organização em espetaculares manifestações de ordem, disciplina, força e autoridade, exibindo o poderoso material bélico, no meio das bandeiras do partido, transformadas em símbolo nacional. Um público fascinado com tal grandeza assistia, fascinado e empolgado com os discursos dos lideres que apelavam ao orgulho nacional e desenvolviam a veneração do poder e o culto do chefe.


Propaganda

As forças do regime desenvolviam uma intensa propaganda de enaltecimento da grandeza nacional e de denúncia de todas as causas que impediam a afirmação dessa grandeza, apoiada em modernas técnicas audiovisuais.
Nas ações de propaganda os ditadores
  •  propõem programas nacionais de resolução da crise económica e de promessas de emprego;
  • apresentam propostas para a recuperação da grandeza da Nação (reintegração de territórios perdidos; expansão imperialista para outros territórios...);
  • prometem pôr fim à agitação socialista e combater o comunismo internacionalista;
  • apelam à pureza da raça (na Alemanha), prometendo eliminar todos os factores de degeneração étnica;
  • prometem ordem, disciplina e estabilidade.

Repressão da inteligência

Na Itália, o Ministério da Imprensa e da Propaganda e, na Alemanha, o Ministério da Cultura e da Propaganda controlam as publicações escritas, a rádio, o cinema, mediante uma apertada censura; colocam a produção intelectual ao serviço do Estado totalitário pela imposição de textos e de programas nacionalistas; proíbem e eliminam toda a produção intelectual contrária à ideologia do regime; perseguem os intelectuais e impõem-lhes a submissão do seu pensamento aos interesses da Nação.
Em particular na Alemanha, as ruas, edifícios públicos, fábricas são equipadas com altifalantes que emitem em contínuo programas nacionalistas.


Mobilização e arregimentação das massas (enquadramento das massas)

A arregimentação submissa da população foi um dos principais meios de afirmação destes regimes.
Começava muito cedo, quando nos primeiros anos de vida as crianças eram integradas em organizações onde eram educadas tendo em vista a formação de fiéis e submissos servidores do Partido e do Estado. Eram organizações com carácter militarista onde imperava a ordem e a disciplina. Na Itália, depois de passarem por sucessivos escalões de formação, os jovens a partir dos 18 anos integravam as Juventudes Fascistas. Na Alemanha, entravam nas Juventudes Hitlerianas. Depois de uma forte inculcação de valores nacionalistas e anticomunistas, através de programas de ensino rigorosamente vigiados e por professores subservientes ao regime, tornavam-se importantes instrumentos de divulgação da ideologia, de vigilância e de repressão da oposição.
Para ter uma vida sem suspeitas nem perseguições a população devia enquadrar-se nos instrumentos de arregimentação que passavam pela filiação no Partido (Nacional-fascista na Itália, Nacional-socialista na Alemanha), condição indispensável para aceder a qualquer posto de trabalho na função pública. Os trabalhadores tinham de se inscrever obrigatoriamente nas organizações corporativas propostas pelo regime (a Frente de Trabalho Nacional-socialista na Alemanha, as Corporações na Itália), pois os sindicatos livres eram proibidos.
Até a ocupação dos tempos livres era controlada pelo regime. Foram criadas instituições nacionais que organizavam atividades de carácter cultural e recreativo, nas quais os trabalhadores tinham o dever patriótico de participar ( o Dopolavoro - Depois do Trabalho - na Itália, o Kraft durch Freude - Alegria no Trabalho - na Alemanha).



PARA ARRUMAR IDEIAS


Regimes nazi-fascistas
Rejeitam
Defendem
·         O individualismo, o respeito pelos direitos do homem e pela dignidade humana; os direitos do individuo têm de estar submetidos aos interesses do Estado (que comanda os pensamentos e os comportamentos). Os indivíduos não existem por si só, só existem enquanto enquadrados no Estado;
·         O princípio liberal da igualdade dos homens no nascimento. Defendem que determinadas raças nascem para comandar e outras para obedecer e é dever das raças superiores imporem-se às inferiores;
·         O princípio liberal da liberdade, porque liberdade é tolerância que degenera em permissividade de que resulta divisão e enfraquecimento do grupo;
·         A democracia, considerado um regime de fraqueza, incapaz de salvaguardar o interesse nacional. A escolha dos governantes pelo povo é inútil e demagógica;
·         O pluripartidarismo que apenas gera divisões e discussões inúteis que põem em causa a coesão e a força da Nação;
·         O sistema parlamentar, manifestação de fraqueza do poder, alheio aos interesses da Nação;
·         A razão no comando dos comportamentos do homem. Mais do que as qualidades intelectuais pretendem desenvolver as suas qualidades animais;
·         O socialismo e o comunismo, porque assentam na luta de classes que leva a divisões e enfraquecimento do corpo social; propõem formas de poder em que a maioria de inferiores nascidos para obedecer se sobrepõem às elites nascidas para governar; com a sua política de internacionalização contrariam a coesão e a afirmação nacional;
·         O liberalismo económico por privilegiar os interesses individuais contra os interesses do Estado.
·         O ultranacionalismo, ao considerarem a nação como um valor sagrado, um bem supremo. Por esta razão repudiam a época liberal e procuram os seus modelos no passado mais glorioso das nações, nos tempos áureos de afirmação das nacionalidades, tentando encontrar as origens míticas das raças;
·         O imperialismo, ao defenderem que o nacionalismo deve ser altivo e ambicioso. Deve impelir a Nação superior para fora das suas fronteiras (pela via diplomática ou pela conquista militar). As nações superiores devem subordinar as nações inferiores;
·         O militarismo, ao defenderem o culto da violência e da força, traduzido no exercício físico e no treino militar, nas paradas e desfiles e na intimidação dos opositores. Ridicularizam as políticas pacifistas e exaltam o conflito e a guerra;
·         O autoritarismo do Estado como condição fundamental para a prosperidade da Nação. Contra os particularismos locais afirmam a centralização do poder; o interesse coletivo sobre os interesses individuais, dos grupos profissionais ou das classes sociais. Propõem regimes de ditadura, estados policiais em que a justiça é colocada às suas ordens para “limpar” as impurezas nacionais;
·         O culto do chefe, providencial, guia e salvador da Nação, que se impõe pela sua forte personalidade e que incarna o Estado. Traduz-se pela difusão ilimitada da sua imagem em todos os sítios que a isso se proporcionem, sendo ouvido e aclamado freneticamente e com a saudação “imperial”;
·         O partido único na intermediação das relações entre o chefe e o povo, onde se forma a classe dirigente;
·         O socialismo nacional, na forma corporativista, considerado a melhor arma para combater o internacionalismo comunista e a luta de classes. Patrões e operários cooperam para o mesmo objetivo, a grandeza nacional, em vez de lutarem por interesses individuais;
·         O ideal de autarcia, ao defenderem que o Estado deve ser autossuficiente, quer em produtos agrícolas quer em produtos industriais. É com o desenvolvimento da produção nacional que o Estado se pode tornar forte e independente, além de proporcionar emprego aos cidadãos;
·         A formação e desenvolvimento de um homem novo, viril, apto para o comando, duro para si próprio e para os seus subordinados. As suas grandes características deveriam ser a coragem, o espírito de disciplina, o rigor no cumprimento do dever nacional. Desprovido de qualquer espírito crítico, deve ser formado para acreditar, obedecer e combater. (O homem ideal é o autómato, desprovido de sensibilidade e de qualquer sentido humanitário, capaz de executar, sem discussão, todas as ordens que recebe. Nesta sociedade a mulher é desprezada e considerada cidadã de segunda, limitada à cozinha, à educação dos filhos e aos assuntos religiosos.

sábado, 17 de novembro de 2012

PROPOSTA DE CORREÇÃO DO TESTE

GRUPO I

1. Deviam referir:
 a desagregação dos impérios autocráticos: russo, alemão, austro-húngaro, otomano;
o surgimento de novos Estados independentes: Finlândia, Estados bálticos, Polónia, Checoslováquia, Áustria,  Hungria;
os ajustamentos territoriais - por exemplo, o caso da Alsácia e da Lorena que passaram da soberania alemã para a posse da França;
que os novos Estados são repúblicas parlamentares. (20 pontos)

2. A criação da SDN justifica-se com o objetivo de evitar um novo conflito à escala mundial, garantindo a "integridade territorial e a independência política" dos Estados. Os seus membros comprometiam-se a salvaguardar a paz, subordinando-se às leis do direito internacional. O Estado que infringisse os princípios acordados seria sancionado, "romper imediatamente com ele todas as relações comerciais e financeiras". A agressão a um dos países membros obrigava os outros a intervir em sua defesa: "Se um membro recorrer à guerra (...) será considerado como tendo cometido um acto de guerra contra todos os outros membros da Sociedade (...)". (20 pontos)

3. No período do pós-guerra, devido à pouca oferta e à enorme procura de bens, os preços dos produtos tornaram-se galopantes, dificultando a vida das populações cujos salários não acompanhavam este aumento. Para tentar resolver o problema, os governos alemães aumentavam a massa monetária em circulação, desvalorizando a moeda. É esta evolução da desvalorização do marco alemão (em relação ao dólar) que é bem visível no doc. 3, principalmente a partir de 1923. (20 pontos)

4. Keynes critica as condições estabelecidas nos Tratados de Paz (em particular no Tratado de Versalhes) na medida em que os responsáveis políticos das nações vencedoras estão mais preocupados em resolver os seus problemas internos, querendo a reconstrução dos seus países à custa da asfixia económica dos vencidos: "As reparações foram a sua principal preocupação no domínio económico", não se preocupando em definir políticas para a "restauração económica da Europa". Esta política do pague a todo o custo acabou por agravar a inflação e a desvalorização monetária, como se constata no caso alemão patente no doc. 3. (20 pontos)

5. A caricatura apresentada (doc. 5) mostra o presidente norte-americano da época, Woodrow Wilson, numa conversa com Deus em que este lhe pergunta o que era feito dos seus "14 Pontos" enunciados antes das negociações de paz - e que entretanto acabaram por não ser totalmente respeitados no pós-guerra. 
De facto, a paz entre vencedores e vencidos não foi acordada entre os dois lados mas imposta pelos vencedores, sendo os vencidos humilhados, vindo ao de cima as tradicionais rivalidades e ambições hegemónicas; na redefinição de fronteiras a questão das minorias nacionais não foi devidamente considerada, não havendo respeito pela identidade étnica e cultural dos povos (doc. 1).
A existência da SDN acabou por ser muito complicada pois os EUA, que a idealizaram, descontentes com as pretensões hegemónicas das potências europeias e com o facto de os vencedores reconstruirem as suas economias à custa da asfixia dos vencidos (doc. 4) não ratificaram o Tratado de Versalhes e acabaram por nunca a integrar. Assim, a ordem internacional definida pela Sociedade das Nações (doc. 2) acabou por sair ameaçada pelos próprios países que a instituíram.
Para além das alterações geopolíticas, a guerra provocou profundas transformações na situação económica da Europa: para travarem a inflação galopante os governos aumentavam a massa monetária em circulação, mas sem ser acompanhada pelo desenvolvimento do processo produtivo. Assim, a moeda rapidamente perdia o seu valor (doc. 3) agravando ainda mais a inflação. (50 pontos)

GRUPO II

1. O Estado soviético desde a Revolução de Outubro levou a cabo variadíssimas mudanças na economia como forma de defender a Revolução e os seus ideais. Na sequência da publicação dos decretos revolucionários, determinou-se a entrega  da propriedade fundiária aos sovietes (assembleias) de camponeses, sem qualquer indemnização aos antigos proprietários, abolindo a propriedade privada: "esforçámo-nos por destruir completamente (...) a propriedade senhorial (...) criámos o pequeno e o muito pequeno campesinato"; para além disso, "destruímos a indústria capitalista" atribuindo-se a supervisão das grandes empresas e respetiva produção aos sovietes de operários.
No entanto, a produtividade é muito baixa devido ao período que se seguiu de guerra civil entre os bolcheviques e os seus opositores políticos (mencheviques ou russos brancos). É instituído um "comunismo de guerra" em que as fábricas e as terras foram retiradas do controlo dos sovietes passando para o controlo do Estado através da nacionalização de toda a economia. 
Esta política económica, contudo, arruinou o país e Lenine colocou em prática uma Nova Política Económica (NEP) em que se recuou no processo da estatização dos meios de produção e aceitou-se a iniciativa privada em sectores secundários, mas essenciais, da produção, mantendo nacionalizados os sectores chave da economia, como a indústria pesada. Deu-se liberdade de trocas aos sectores industrial, agrícola e comercial para fomentar o mercado interno e a produção de bens essenciais. Este era um recuo que Lenine considerava estratégico para que o Estado soviético implantasse o socialismo de forma sólida. (30 pontos)

2. De acordo com o documento, a Rússia Soviética enfrentou problemas internos:
resistência de vários sectores da população às mudanças introduzidas, por exemplo, a resistência dos camponeses à colectivização das terras e à nacionalização da produção, mantendo um "nível extremamente baixo de produtividade no trabalho";
e problemas externos: a oposição por parte dos países capitalistas da Europa que apoiaram os opositores internos do regime bolchevique "fizeram o possível por nos afundar, por aproveitar a guerra civil na Rússia, para arruinar ao máximo o nosso país...". (20 pontos)

3. Lenine tem como objectivo impor o Estado socialista de forma sólida para que este consiga resistir às forças capitalistas contra-revolucionárias do resto da Europa e fazer vingar a revolução. Para tal, reorganiza o Estado fundindo o Partido com os órgãos estatais, implantando um centralismo democrático.
Aqui o poder é hierarquizado de baixo para cima, sendo exercido de forma autoritária pelas altas figuras do Partido (nomenklatura) que eram, simultâneamente, as altas figuras do Estado. Os diferentes níveis do poder  deviam respeitar a rígida hierarquia, em que cada nível devia obedecer aos níveis superiores do Partido/Estado. Só assim, com disciplina, ordem e autoridade, Lenine acreditava ser possível fazer triunfar a revolução dos pobres proletários sobre os capitalistas exploradores. (20 pontos)

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

AUTARCIA E ESPAÇO VITAL


A necessidade de resolver os problemas económicos e sociais internos evitando o desequilíbrio da balança comercial e os efeitos da redução do comércio internacional nos anos vinte e trinta levou vários países da Europa a desenvolver políticas de exploração de recursos coloniais e de expansão imperialista no sentido da autosuficiência. Foi o caso da Itália e da Alemanha mas também de Portugal. 

Em todos os países se desenvolveram políticas intervencionistas e nacionalistas de redução das importações e de promoção do consumo e da expansão da produção interna.

Na Itália desenvolveram-se políticas dirigistas e centralizadoras de promoção da agricultura, de reequilíbrio da moeda e de elevada taxação aduaneira com o objectivo de reduzir as importações e promover o desenvolvimento da industria. Promoveu-se ainda a expansão territorial em direcção a territórios ricos em matérias primas como a Etiópia e a Líbia. Objectivo: petróleo, cobre, fosfatos. Promoveu-se ainda:

  • organização da economia seguindo os principios do corporativismo
  • campanhas de mobilização da população para grandes projectos: batalha da lira, campanha do trigo, recuperação de terras abandonadas. 
  • Institutos dedicados à recuperação das actividades económicas: Instituto para a Reconstrução Industrial e Instituto Imobiliário
Na Alemanha a necessidade de recuperar a economia reduzindo o desemprego levou a uma política de grandes obras públicas e de défice elevado que financiava o reequipamento do exército, marinha e aviação com objectivos de conquista territorial (espaço vital) em busca de matérias primas mais baratas para a indústria. Promoveu-se ainda:

  • fixação de preços
  • desenvolvimento da agricultura e criação 
  • desenvolvimento das indústrias química, metalúrgica, eléctrica e de sectores como os transportes terrestres, navais e aviação. 

ANTI-SEMITISMO E PERSEGUIÇÃO AOS JUDEUS


Considerando os judeus responsáveis pela derrota da Alemanha e por todos os males sociais e económicos sofridos pelos alemães no período do após guerra, os nazis desenvolveram desde a sua tomada do poder uma política de segregação sobre as comunidades judaicas alemãs. Essa política desenvolveu-se em três fases:

  • Uma primeira vaga de perseguições a partir de 1933 com boicotes de lojas e negócios proibindo o acesso ao funcionalismo público a todos os judeus e afastando-os de postos chave na administração, ensino e saúde, e nas profissões liberais como advogados e médicos. 
  • A partir de 1935 as leis de Nuremberga proibiram casamentos e relações entre arianos e judeus e privação de nacionalidade alemã.
  • A partir de 1938 a liquidação de empresas detidas por judeus e confisco dos bens nos bancos. Destruíram se sinagogas, o culto foi proibido e os judeus passaram a ter que ostentar distintivo na roupa quando em público. A 2ª Guerra Mundial permitiu a execução sumária de 6 milhões de judeus europeus através de um processo que ficou conhecido pela Solução Final.