GRUPO I
1. Deviam referir:
a desagregação dos impérios autocráticos: russo, alemão, austro-húngaro, otomano;
o surgimento de novos Estados independentes: Finlândia, Estados bálticos, Polónia, Checoslováquia, Áustria, Hungria;
os ajustamentos territoriais - por exemplo, o caso da Alsácia e da Lorena que passaram da soberania alemã para a posse da França;
que os novos Estados são repúblicas parlamentares. (20 pontos)
2. A criação da SDN justifica-se com o objetivo de evitar um novo conflito à escala mundial, garantindo a "integridade territorial e a independência política" dos Estados. Os seus membros comprometiam-se a salvaguardar a paz, subordinando-se às leis do direito internacional. O Estado que infringisse os princípios acordados seria sancionado, "romper imediatamente com ele todas as relações comerciais e financeiras". A agressão a um dos países membros obrigava os outros a intervir em sua defesa: "Se um membro recorrer à guerra (...) será considerado como tendo cometido um acto de guerra contra todos os outros membros da Sociedade (...)". (20 pontos)
3. No período do pós-guerra, devido à pouca oferta e à enorme procura de bens, os preços dos produtos tornaram-se galopantes, dificultando a vida das populações cujos salários não acompanhavam este aumento. Para tentar resolver o problema, os governos alemães aumentavam a massa monetária em circulação, desvalorizando a moeda. É esta evolução da desvalorização do marco alemão (em relação ao dólar) que é bem visível no doc. 3, principalmente a partir de 1923. (20 pontos)
4. Keynes critica as condições estabelecidas nos Tratados de Paz (em particular no Tratado de Versalhes) na medida em que os responsáveis políticos das nações vencedoras estão mais preocupados em resolver os seus problemas internos, querendo a reconstrução dos seus países à custa da asfixia económica dos vencidos: "As reparações foram a sua principal preocupação no domínio económico", não se preocupando em definir políticas para a "restauração económica da Europa". Esta política do pague a todo o custo acabou por agravar a inflação e a desvalorização monetária, como se constata no caso alemão patente no doc. 3. (20 pontos)
5. A caricatura apresentada (doc. 5) mostra o presidente norte-americano da época, Woodrow Wilson, numa conversa com Deus em que este lhe pergunta o que era feito dos seus "14 Pontos" enunciados antes das negociações de paz - e que entretanto acabaram por não ser totalmente respeitados no pós-guerra.
De facto, a paz entre vencedores e vencidos não foi acordada entre os dois lados mas imposta pelos vencedores, sendo os vencidos humilhados, vindo ao de cima as tradicionais rivalidades e ambições hegemónicas; na redefinição de fronteiras a questão das minorias nacionais não foi devidamente considerada, não havendo respeito pela identidade étnica e cultural dos povos (doc. 1).
A existência da SDN acabou por ser muito complicada pois os EUA, que a idealizaram, descontentes com as pretensões hegemónicas das potências europeias e com o facto de os vencedores reconstruirem as suas economias à custa da asfixia dos vencidos (doc. 4) não ratificaram o Tratado de Versalhes e acabaram por nunca a integrar. Assim, a ordem internacional definida pela Sociedade das Nações (doc. 2) acabou por sair ameaçada pelos próprios países que a instituíram.
Para além das alterações geopolíticas, a guerra provocou profundas transformações na situação económica da Europa: para travarem a inflação galopante os governos aumentavam a massa monetária em circulação, mas sem ser acompanhada pelo desenvolvimento do processo produtivo. Assim, a moeda rapidamente perdia o seu valor (doc. 3) agravando ainda mais a inflação. (50 pontos)
GRUPO II
1. O Estado soviético desde a Revolução de Outubro levou a cabo variadíssimas mudanças na economia como forma de defender a Revolução e os seus ideais. Na sequência da publicação dos decretos revolucionários, determinou-se a entrega da propriedade fundiária aos sovietes (assembleias) de camponeses, sem qualquer indemnização aos antigos proprietários, abolindo a propriedade privada: "esforçámo-nos por destruir completamente (...) a propriedade senhorial (...) criámos o pequeno e o muito pequeno campesinato"; para além disso, "destruímos a indústria capitalista" atribuindo-se a supervisão das grandes empresas e respetiva produção aos sovietes de operários.
No entanto, a produtividade é muito baixa devido ao período que se seguiu de guerra civil entre os bolcheviques e os seus opositores políticos (mencheviques ou russos brancos). É instituído um "comunismo de guerra" em que as fábricas e as terras foram retiradas do controlo dos sovietes passando para o controlo do Estado através da nacionalização de toda a economia.
Esta política económica, contudo, arruinou o país e Lenine colocou em prática uma Nova Política Económica (NEP) em que se recuou no processo da estatização dos meios de produção e aceitou-se a iniciativa privada em sectores secundários, mas essenciais, da produção, mantendo nacionalizados os sectores chave da economia, como a indústria pesada. Deu-se liberdade de trocas aos sectores industrial, agrícola e comercial para fomentar o mercado interno e a produção de bens essenciais. Este era um recuo que Lenine considerava estratégico para que o Estado soviético implantasse o socialismo de forma sólida. (30 pontos)
2. De acordo com o documento, a Rússia Soviética enfrentou problemas internos:
resistência de vários sectores da população às mudanças introduzidas, por exemplo, a resistência dos camponeses à colectivização das terras e à nacionalização da produção, mantendo um "nível extremamente baixo de produtividade no trabalho";
e problemas externos: a oposição por parte dos países capitalistas da Europa que apoiaram os opositores internos do regime bolchevique "fizeram o possível por nos afundar, por aproveitar a guerra civil na Rússia, para arruinar ao máximo o nosso país...". (20 pontos)
3. Lenine tem como objectivo impor o Estado socialista de forma sólida para que este consiga resistir às forças capitalistas contra-revolucionárias do resto da Europa e fazer vingar a revolução. Para tal, reorganiza o Estado fundindo o Partido com os órgãos estatais, implantando um centralismo democrático.
Aqui o poder é hierarquizado de baixo para cima, sendo exercido de forma autoritária pelas altas figuras do Partido (nomenklatura) que eram, simultâneamente, as altas figuras do Estado. Os diferentes níveis do poder deviam respeitar a rígida hierarquia, em que cada nível devia obedecer aos níveis superiores do Partido/Estado. Só assim, com disciplina, ordem e autoridade, Lenine acreditava ser possível fazer triunfar a revolução dos pobres proletários sobre os capitalistas exploradores. (20 pontos)