domingo, 9 de dezembro de 2012

PROPOSTA DE RESOLUÇÃO DE TESTE

GRUPO I

1. As afirmações de Ana de Castro Osório inserem-se no contexto de intensificação do processo de emancipação da mulher, que teve lugar no início do século XX, e que foi marcado pela luta das mulheres ao nível do reconhecimento da igualdade de direitos civis e políticos (como o direito de voto).
Para a feminista portuguesa era claro que, com o tempo, também a mulher em Portugal daria o primeiro passo no sentido da emancipação, tornando-se independente, ao ingressar no mercado de trabalho e conseguir a sua autonomia financeira "À mulher portuguesa há-de chegar também a sua vez de compreender que só no trabalho pode encontrar a sua carta de alforria (...) sem estar à espera do homem, fonte de todo o dinheiro que hoje a sustenta (...).
Estas ideias tiveram, ainda maior expressão durante a 1ª guerra, quando as mulheres passaram a estar presentes em todos os setores de atividade económica, ao assegurarem funções anteriormente destinadas aos homens, tendo consciência do seu papel no processo económico. 
Trabalhadoras e conscientes do seu valor e do seu novo papel na sociedade, as mulheres libertaram-se de preconceitos e mudam os comportamentos: frequentam festas, clubes, espaços públicos, sem companhia masculina; mudam a sua aparência física (cabelos curtos de mais simples manutenção e vestuário mais confortável e mais adaptado à vida dinâmica); praticam desporto, bebem e fumam em público... (30 pontos)

2. Nas primeiras décadas do século XX jovens artistas organizam-se em movimentos de vanguarda cultural e iniciam-se num conjunto de experiências inovadoras, que acabam por revolucionar as velhas concepções plásticas ao proporem uma estética inteiramente nova. Contribuindo para essa rutura temos os casos de Picasso e Duchamp (Docs. 2 e 3). No caso de Picasso, representante da vanguarda cubista, desmantela a perspectiva, regra da representação clássica e apresenta uma nova visão do espaço, combinando diferentes planos em que o objecto pode ser observado. Quanto a Marcel Duchamp, representante do movimento dada, cujo objectivo fundamental é negar todos os conceitos de arte e de técnicas artísticas, vulgarizando a criação, encara a arte como antiarte, apresentando-se de forma irreverente e provocatória, subvertendo os valores artísticos, chocando pelo absurdo do próprio objecto artístico, pretendendo suscitar reações negativas. (20 pontos) 


GRUPO II

1. O gráfico apresentado no doc. 1 mostra-nos a evolução eleitoral do Partido Nacional Socialista na Alemanha entre 1928 e 1932. Simultaneamente, apresenta-nos a progressão da taxa de desemprego no mesmo período de tempo. Assim, verificamos que no espaço de quatro anos a base eleitoral do Partido Nazi passou de menos de 2 milhões para quase 14 milhões de eleitores. No mesmo período de tempo, a taxa de desemprego subiu de menos de 5% para 30%.
A subida da taxa de desemprego verificada no período em causa, prende-se com a situação vivida na Alemanha, reflexo da crise económica americana que arrastou para a falência a economia mundial. Ao mesmo tempo, a base de apoiantes do Partido Nazi cresce, resultado da máquina de propaganda nazi que promete o relançamento da economia alemã e a resolução do problema dos desempregados. (30 pontos)

2. O doc. 2 faz referência às seguintes características ideológicas do fascismo italiano: rejeição do individualismo "Os valores autónomos do individuo (...) são promovidos, desenvolvidos e defendidos sempre no âmbito da Nação a que estão subordinados", isto é, os direitos do individuo estão submetidos ao interesse do Estado pois o individuo só existe quando enquadrado no Estado; autoritarismo "Os governos devem administrar a coisa pública (...) no supremo interesse da Nação", isto é, o Estado tem como objectivo fazer prosperar a Nação. Para isso, centraliza o poder e coloca o interesse coletivo sobre os interesses individuais, dos grupos profissionais ou das classes sociais. (20 pontos)

3. O ponto 4 do Programa do Partido Nacional Socialista (doc. 3) defende a retirada da nacionalidade alemã a todos os que não sejam considerados de sangue alemão, incluindo os judeus. Ao chegar ao poder, o governo nazi resolve colocar em prática esta legislação discriminatória de carácter antissemita: os judeus foram socialmente segregados, proibidos de se relacionarem com os não judeus, viram os seus negócios boicotados e foram excluídos dos serviços públicos. Os seus bens foram vandalizados, as suas lojas destruídas bem como os seus locais de culto, sendo-lhes retirada a cidadania alemã. Com o decorrer do tempo a segregação intensificou-se, sendo encerrados em guetos e obrigados a usar a estrela de David como elemento identificador nas suas roupas. Com o início da guerra foram levados para campos de concentração e obrigados a condições de vida e de trabalho humilhantes, sendo na sua maioria exterminados. (20 pontos)

4. A juventude italiana estava organizada em escalões de formação consoante a sua faixa etária como nos mostra o doc. 4. Esta organização das crianças e jovens era uma forma de integrar estes setores da população em órgãos de carácter militarista, onde imperava a ordem e a disciplina, e onde eram educados e doutrinados, tendo em vista a formação de fiéis e submissos servidores do partido e do Estado. (30 pontos)

5. Após a guerra, a Europa era assolada por enormes dificuldades económico-financeiras, o que se refletia nas condições de vida das populações de todos os estratos sociais. Perante estas dificuldades económicas, generalizou-se entre a população um sentimento de insatisfação e de agravamento de tensões que levou à revolta e ao confronto político - de um lado a burguesia conservadora, do outro a agitação revolucionária socialista. De facto, este quadro económico e social de crise desenvolve-se numa época em que surgem novos partidos, particularmente de inspiração socialista, e em que os sindicatos intensificavam as suas ações com o objectivo de dinamizarem a causa do proletariado - com o triunfo da revolução soviética e a reorganização do movimento operário, assente na III Internacional (Komintern), promovem a união da classe operária internacional e a divulgação do socialismo marxista-leninista.
Assim, a Europa, nos anos 20, foi afetada por movimentos revolucionários que tentavam instalar no poder soluções governativas inspiradas no socialismo marxista e os regimes democráticos vigentes revelaram grandes dificuldades no seu controlo. A principal consequência desta ação revolucionária foi o aparecimento dos movimentos fascistas numa reação violenta e organizada contra o avanço do comunismo. Estas forças em ascensão ganham cada vez mais apoiantes entre os grupos conservadores e as classes médias, atraídos pela propaganda nacionalista (doc. 3) e anticomunista, prometendo autoridade e disciplina (doc. 2), apelando ao orgulho nacional e denunciando a incapacidade dos governos democráticos e as fragilidades do parlamentarismo.
Com a falência da economia americana, a partir de 1929,  e o consequente arrastamento da economia mundial para a depressão, os países europeus sofreram, mais uma vez, o agravamento das suas condições de vida, com as empresas a fechar e o desemprego e a miséria a aumentar (doc. 1). Os regimes totalitários estabeleceram-se na Europa ainda com mais vigor, destacando-se, todavia, dois casos particulares, o italiano (doc. 4) e o alemão (doc. 1).
Estes regimes, contrariando a democracia parlamentar, encaram o Estado como um valor absoluto ao qual se devem subordinar todos os interesses individuais; é ao Estado que compete controlar todas as manifestações da vida política e social (doc. 4), que passam a ser subordinadas a uma única orientação ideológica - a ideologia do partido único.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

STALIN: O "HOMEM DE AÇO"









O ESTALINISMO


Na Rússia, depois da morte de Lenine, sobreveio a luta pela sua sucessão que opôs Estaline a Trotsky. 
Estaline acabou por se impor levando a Rússia a uma nova fase de colectivização e desenvolvimento industrial e agrícola intenso à custa de uma repressão forte e implacável. 
Os Kulaks foram reprimidos fortemente e as suas propriedades nacionalizadas, surgindo as cooperativas de produção agrícolas ou quintas colectivas, os Kolkhozes, segundo os mesmos princípios desenvolvidos no período pós-revolucionário. 
Na indústria foi reforçada a colectivização da indústria e a planificação da economia com o objectivo de evitar as crises económicas. Criaram-se planos quinquenais: 
  • de 1928 a 1932 na indústria pesada, com aumento de impostos sobre as industrias privadas, rigorosa legislação laboral e contratação de técnicos estrangeiros e formação de quadros superiores. 
  • de 1933 a 1938 na indústria ligeira, bens de consumo, vestuário e calçado. 
  • de 1938 a 1943 interrompido pela guerra pretendia o desenvolvimento da metalurgia, química e hidroeléctrica. 
Tal política foi acompanhada do reforço do Estado totalitário: 
  • Privação das liberdades fundamentais;
  • Enquadramento dos jovens em organizações de juventude; 
  • Controlo de todos os organismos e instituições pelo Partido Comunista da União Soviética; 
  • Exaltação da cultura russa e do ideal proletário e comunista apoiados na polícia política e nos campos de concentração na Sibéria. Ainda:
  • Purgas políticas do partido a partir de 1934 com a eliminação de antigos quadros bolcheviques e liquidação de oficiais e quadros superiores do Estado que divergiam das posições de Estaline. 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

PARA ESCLARECER BEM AS PRÁTICAS NAZI-FASCISTAS

Milícias armadas e aparelho repressivo do Estado


Os totalitarismos nazi-fascistas contaram com o apoio de milícias armadas que intervinham na repressão violenta das greves e manifestações. Cedo chamaram a atenção de grandes industriais e financeiros, que viam na sua actuação uma forma eficaz de combater todos os factores de desestabilização da ordem burguesa. Apoiaram-nas, financiaram-nas, militarizaram-nas, transformando-as numa poderosa máquina de repressão dos opositores aos seus interesses económicos e políticos.
Com a ascensão dos partidos totalitários ao poder e com a construção de estados policiais, estas milícias vieram a constituir as forças de sustentação do Estado, transformando-se em forças policiais institucionais de repressão dos opositores ao regime
Na Itália, era a Milícia Voluntária para a Segurança Social e a Organização de Vigilância e Repressão do Antifascismo. Na Alemanha, eram as Secções de Assalto (SA), que foram perdendo poder para as Secções de Segurança do Partido (SS), de carácter paramilitar e para uma tenebrosa polícia política, a Gestapo, que exerciam vigilância atenta e controlo da população, enviando para os campos de concentração quem manifestasse o mínimo sinal de oposição ou fosse denunciado como tal.  


Encenação da força

Outra forma de cativar a simpatia da opinião pública era a organização de grandes manifestações de força, enquadradas no desenvolvimento de intensas ações de propaganda.
As forças de repressão militares e paramilitares exibiam a sua capacidade de organização em espetaculares manifestações de ordem, disciplina, força e autoridade, exibindo o poderoso material bélico, no meio das bandeiras do partido, transformadas em símbolo nacional. Um público fascinado com tal grandeza assistia, fascinado e empolgado com os discursos dos lideres que apelavam ao orgulho nacional e desenvolviam a veneração do poder e o culto do chefe.


Propaganda

As forças do regime desenvolviam uma intensa propaganda de enaltecimento da grandeza nacional e de denúncia de todas as causas que impediam a afirmação dessa grandeza, apoiada em modernas técnicas audiovisuais.
Nas ações de propaganda os ditadores
  •  propõem programas nacionais de resolução da crise económica e de promessas de emprego;
  • apresentam propostas para a recuperação da grandeza da Nação (reintegração de territórios perdidos; expansão imperialista para outros territórios...);
  • prometem pôr fim à agitação socialista e combater o comunismo internacionalista;
  • apelam à pureza da raça (na Alemanha), prometendo eliminar todos os factores de degeneração étnica;
  • prometem ordem, disciplina e estabilidade.

Repressão da inteligência

Na Itália, o Ministério da Imprensa e da Propaganda e, na Alemanha, o Ministério da Cultura e da Propaganda controlam as publicações escritas, a rádio, o cinema, mediante uma apertada censura; colocam a produção intelectual ao serviço do Estado totalitário pela imposição de textos e de programas nacionalistas; proíbem e eliminam toda a produção intelectual contrária à ideologia do regime; perseguem os intelectuais e impõem-lhes a submissão do seu pensamento aos interesses da Nação.
Em particular na Alemanha, as ruas, edifícios públicos, fábricas são equipadas com altifalantes que emitem em contínuo programas nacionalistas.


Mobilização e arregimentação das massas (enquadramento das massas)

A arregimentação submissa da população foi um dos principais meios de afirmação destes regimes.
Começava muito cedo, quando nos primeiros anos de vida as crianças eram integradas em organizações onde eram educadas tendo em vista a formação de fiéis e submissos servidores do Partido e do Estado. Eram organizações com carácter militarista onde imperava a ordem e a disciplina. Na Itália, depois de passarem por sucessivos escalões de formação, os jovens a partir dos 18 anos integravam as Juventudes Fascistas. Na Alemanha, entravam nas Juventudes Hitlerianas. Depois de uma forte inculcação de valores nacionalistas e anticomunistas, através de programas de ensino rigorosamente vigiados e por professores subservientes ao regime, tornavam-se importantes instrumentos de divulgação da ideologia, de vigilância e de repressão da oposição.
Para ter uma vida sem suspeitas nem perseguições a população devia enquadrar-se nos instrumentos de arregimentação que passavam pela filiação no Partido (Nacional-fascista na Itália, Nacional-socialista na Alemanha), condição indispensável para aceder a qualquer posto de trabalho na função pública. Os trabalhadores tinham de se inscrever obrigatoriamente nas organizações corporativas propostas pelo regime (a Frente de Trabalho Nacional-socialista na Alemanha, as Corporações na Itália), pois os sindicatos livres eram proibidos.
Até a ocupação dos tempos livres era controlada pelo regime. Foram criadas instituições nacionais que organizavam atividades de carácter cultural e recreativo, nas quais os trabalhadores tinham o dever patriótico de participar ( o Dopolavoro - Depois do Trabalho - na Itália, o Kraft durch Freude - Alegria no Trabalho - na Alemanha).



PARA ARRUMAR IDEIAS


Regimes nazi-fascistas
Rejeitam
Defendem
·         O individualismo, o respeito pelos direitos do homem e pela dignidade humana; os direitos do individuo têm de estar submetidos aos interesses do Estado (que comanda os pensamentos e os comportamentos). Os indivíduos não existem por si só, só existem enquanto enquadrados no Estado;
·         O princípio liberal da igualdade dos homens no nascimento. Defendem que determinadas raças nascem para comandar e outras para obedecer e é dever das raças superiores imporem-se às inferiores;
·         O princípio liberal da liberdade, porque liberdade é tolerância que degenera em permissividade de que resulta divisão e enfraquecimento do grupo;
·         A democracia, considerado um regime de fraqueza, incapaz de salvaguardar o interesse nacional. A escolha dos governantes pelo povo é inútil e demagógica;
·         O pluripartidarismo que apenas gera divisões e discussões inúteis que põem em causa a coesão e a força da Nação;
·         O sistema parlamentar, manifestação de fraqueza do poder, alheio aos interesses da Nação;
·         A razão no comando dos comportamentos do homem. Mais do que as qualidades intelectuais pretendem desenvolver as suas qualidades animais;
·         O socialismo e o comunismo, porque assentam na luta de classes que leva a divisões e enfraquecimento do corpo social; propõem formas de poder em que a maioria de inferiores nascidos para obedecer se sobrepõem às elites nascidas para governar; com a sua política de internacionalização contrariam a coesão e a afirmação nacional;
·         O liberalismo económico por privilegiar os interesses individuais contra os interesses do Estado.
·         O ultranacionalismo, ao considerarem a nação como um valor sagrado, um bem supremo. Por esta razão repudiam a época liberal e procuram os seus modelos no passado mais glorioso das nações, nos tempos áureos de afirmação das nacionalidades, tentando encontrar as origens míticas das raças;
·         O imperialismo, ao defenderem que o nacionalismo deve ser altivo e ambicioso. Deve impelir a Nação superior para fora das suas fronteiras (pela via diplomática ou pela conquista militar). As nações superiores devem subordinar as nações inferiores;
·         O militarismo, ao defenderem o culto da violência e da força, traduzido no exercício físico e no treino militar, nas paradas e desfiles e na intimidação dos opositores. Ridicularizam as políticas pacifistas e exaltam o conflito e a guerra;
·         O autoritarismo do Estado como condição fundamental para a prosperidade da Nação. Contra os particularismos locais afirmam a centralização do poder; o interesse coletivo sobre os interesses individuais, dos grupos profissionais ou das classes sociais. Propõem regimes de ditadura, estados policiais em que a justiça é colocada às suas ordens para “limpar” as impurezas nacionais;
·         O culto do chefe, providencial, guia e salvador da Nação, que se impõe pela sua forte personalidade e que incarna o Estado. Traduz-se pela difusão ilimitada da sua imagem em todos os sítios que a isso se proporcionem, sendo ouvido e aclamado freneticamente e com a saudação “imperial”;
·         O partido único na intermediação das relações entre o chefe e o povo, onde se forma a classe dirigente;
·         O socialismo nacional, na forma corporativista, considerado a melhor arma para combater o internacionalismo comunista e a luta de classes. Patrões e operários cooperam para o mesmo objetivo, a grandeza nacional, em vez de lutarem por interesses individuais;
·         O ideal de autarcia, ao defenderem que o Estado deve ser autossuficiente, quer em produtos agrícolas quer em produtos industriais. É com o desenvolvimento da produção nacional que o Estado se pode tornar forte e independente, além de proporcionar emprego aos cidadãos;
·         A formação e desenvolvimento de um homem novo, viril, apto para o comando, duro para si próprio e para os seus subordinados. As suas grandes características deveriam ser a coragem, o espírito de disciplina, o rigor no cumprimento do dever nacional. Desprovido de qualquer espírito crítico, deve ser formado para acreditar, obedecer e combater. (O homem ideal é o autómato, desprovido de sensibilidade e de qualquer sentido humanitário, capaz de executar, sem discussão, todas as ordens que recebe. Nesta sociedade a mulher é desprezada e considerada cidadã de segunda, limitada à cozinha, à educação dos filhos e aos assuntos religiosos.