1. As afirmações de Ana de Castro Osório inserem-se no contexto de intensificação do processo de emancipação da mulher, que teve lugar no início do século XX, e que foi marcado pela luta das mulheres ao nível do reconhecimento da igualdade de direitos civis e políticos (como o direito de voto).
Para a feminista portuguesa era claro que, com o tempo, também a mulher em Portugal daria o primeiro passo no sentido da emancipação, tornando-se independente, ao ingressar no mercado de trabalho e conseguir a sua autonomia financeira "À mulher portuguesa há-de chegar também a sua vez de compreender que só no trabalho pode encontrar a sua carta de alforria (...) sem estar à espera do homem, fonte de todo o dinheiro que hoje a sustenta (...).
Estas ideias tiveram, ainda maior expressão durante a 1ª guerra, quando as mulheres passaram a estar presentes em todos os setores de atividade económica, ao assegurarem funções anteriormente destinadas aos homens, tendo consciência do seu papel no processo económico.
Trabalhadoras e conscientes do seu valor e do seu novo papel na sociedade, as mulheres libertaram-se de preconceitos e mudam os comportamentos: frequentam festas, clubes, espaços públicos, sem companhia masculina; mudam a sua aparência física (cabelos curtos de mais simples manutenção e vestuário mais confortável e mais adaptado à vida dinâmica); praticam desporto, bebem e fumam em público... (30 pontos)
2. Nas primeiras décadas do século XX jovens artistas organizam-se em movimentos de vanguarda cultural e iniciam-se num conjunto de experiências inovadoras, que acabam por revolucionar as velhas concepções plásticas ao proporem uma estética inteiramente nova. Contribuindo para essa rutura temos os casos de Picasso e Duchamp (Docs. 2 e 3). No caso de Picasso, representante da vanguarda cubista, desmantela a perspectiva, regra da representação clássica e apresenta uma nova visão do espaço, combinando diferentes planos em que o objecto pode ser observado. Quanto a Marcel Duchamp, representante do movimento dada, cujo objectivo fundamental é negar todos os conceitos de arte e de técnicas artísticas, vulgarizando a criação, encara a arte como antiarte, apresentando-se de forma irreverente e provocatória, subvertendo os valores artísticos, chocando pelo absurdo do próprio objecto artístico, pretendendo suscitar reações negativas. (20 pontos)
GRUPO II
1. O gráfico apresentado no doc. 1 mostra-nos a evolução eleitoral do Partido Nacional Socialista na Alemanha entre 1928 e 1932. Simultaneamente, apresenta-nos a progressão da taxa de desemprego no mesmo período de tempo. Assim, verificamos que no espaço de quatro anos a base eleitoral do Partido Nazi passou de menos de 2 milhões para quase 14 milhões de eleitores. No mesmo período de tempo, a taxa de desemprego subiu de menos de 5% para 30%.
A subida da taxa de desemprego verificada no período em causa, prende-se com a situação vivida na Alemanha, reflexo da crise económica americana que arrastou para a falência a economia mundial. Ao mesmo tempo, a base de apoiantes do Partido Nazi cresce, resultado da máquina de propaganda nazi que promete o relançamento da economia alemã e a resolução do problema dos desempregados. (30 pontos)
2. O doc. 2 faz referência às seguintes características ideológicas do fascismo italiano: rejeição do individualismo "Os valores autónomos do individuo (...) são promovidos, desenvolvidos e defendidos sempre no âmbito da Nação a que estão subordinados", isto é, os direitos do individuo estão submetidos ao interesse do Estado pois o individuo só existe quando enquadrado no Estado; autoritarismo "Os governos devem administrar a coisa pública (...) no supremo interesse da Nação", isto é, o Estado tem como objectivo fazer prosperar a Nação. Para isso, centraliza o poder e coloca o interesse coletivo sobre os interesses individuais, dos grupos profissionais ou das classes sociais. (20 pontos)
3. O ponto 4 do Programa do Partido Nacional Socialista (doc. 3) defende a retirada da nacionalidade alemã a todos os que não sejam considerados de sangue alemão, incluindo os judeus. Ao chegar ao poder, o governo nazi resolve colocar em prática esta legislação discriminatória de carácter antissemita: os judeus foram socialmente segregados, proibidos de se relacionarem com os não judeus, viram os seus negócios boicotados e foram excluídos dos serviços públicos. Os seus bens foram vandalizados, as suas lojas destruídas bem como os seus locais de culto, sendo-lhes retirada a cidadania alemã. Com o decorrer do tempo a segregação intensificou-se, sendo encerrados em guetos e obrigados a usar a estrela de David como elemento identificador nas suas roupas. Com o início da guerra foram levados para campos de concentração e obrigados a condições de vida e de trabalho humilhantes, sendo na sua maioria exterminados. (20 pontos)
4. A juventude italiana estava organizada em escalões de formação consoante a sua faixa etária como nos mostra o doc. 4. Esta organização das crianças e jovens era uma forma de integrar estes setores da população em órgãos de carácter militarista, onde imperava a ordem e a disciplina, e onde eram educados e doutrinados, tendo em vista a formação de fiéis e submissos servidores do partido e do Estado. (30 pontos)
5. Após a guerra, a Europa era assolada por enormes dificuldades económico-financeiras, o que se refletia nas condições de vida das populações de todos os estratos sociais. Perante estas dificuldades económicas, generalizou-se entre a população um sentimento de insatisfação e de agravamento de tensões que levou à revolta e ao confronto político - de um lado a burguesia conservadora, do outro a agitação revolucionária socialista. De facto, este quadro económico e social de crise desenvolve-se numa época em que surgem novos partidos, particularmente de inspiração socialista, e em que os sindicatos intensificavam as suas ações com o objectivo de dinamizarem a causa do proletariado - com o triunfo da revolução soviética e a reorganização do movimento operário, assente na III Internacional (Komintern), promovem a união da classe operária internacional e a divulgação do socialismo marxista-leninista.
Assim, a Europa, nos anos 20, foi afetada por movimentos revolucionários que tentavam instalar no poder soluções governativas inspiradas no socialismo marxista e os regimes democráticos vigentes revelaram grandes dificuldades no seu controlo. A principal consequência desta ação revolucionária foi o aparecimento dos movimentos fascistas numa reação violenta e organizada contra o avanço do comunismo. Estas forças em ascensão ganham cada vez mais apoiantes entre os grupos conservadores e as classes médias, atraídos pela propaganda nacionalista (doc. 3) e anticomunista, prometendo autoridade e disciplina (doc. 2), apelando ao orgulho nacional e denunciando a incapacidade dos governos democráticos e as fragilidades do parlamentarismo.
Com a falência da economia americana, a partir de 1929, e o consequente arrastamento da economia mundial para a depressão, os países europeus sofreram, mais uma vez, o agravamento das suas condições de vida, com as empresas a fechar e o desemprego e a miséria a aumentar (doc. 1). Os regimes totalitários estabeleceram-se na Europa ainda com mais vigor, destacando-se, todavia, dois casos particulares, o italiano (doc. 4) e o alemão (doc. 1).
Estes regimes, contrariando a democracia parlamentar, encaram o Estado como um valor absoluto ao qual se devem subordinar todos os interesses individuais; é ao Estado que compete controlar todas as manifestações da vida política e social (doc. 4), que passam a ser subordinadas a uma única orientação ideológica - a ideologia do partido único.