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quinta-feira, 17 de março de 2022

IMOBILISMO POLÍTICO E CRESCIMENTO ECONÓMICO - PORTUGAL DO PÓS-GUERRA A 1974

 A estagnação do mundo rural


A neutralidade de Portugal durante a guerra permitiu a permanência do regime salazarista que soube habilmente conduzir a diplomacia e evitar alianças incómodas. Nos anos 70 em vésperas da Revolução dos Cravos o país continuava atrasado e desfasado da evolução das economias europeias. 

No aspeto agrícola, sector protegido pela retórica tradicionalista do poder o país estava mergulhado no atraso com velhas técnicas e uma exploração agrícola antiquada e pouco produtiva. Apesar do grande número de pessoas que dependiam da terra a produtividade era baixíssima e não atingia metade da média europeia. 
No II Plano de Fomento de 1959, procurou-se modernizar a agricultura e promover a exploração agrícola mecanizada e de média dimensão como base para um bom rendimento dos proprietários e um nível de consumo que sustentasse a indústria. No entanto contra essas medidas se terão erguido as vozes dos grandes proprietários do sul que procuraram inviabilizar tais esforços. 
Incentivos e subsídios acabaram nas mãos de vinhateiros e latifundiários desta forma desviando-se dos objetivos que tinham estado na sua base. Também os preços agrícolas e os salários se mantiveram muito baixos com isso se prejudicando a rentabilidade das explorações e de toda a economia. 
A emigração
A emigração foi a solução para muita da gente do interior mas também das cidades. Eternizando a pobreza o país perdeu dinamismo com a emigração. Esta, tornou-se mais intensa à medida que o atraso dos campos se acentuava face a uma Europa onde as condições de vida melhoravam a todo o momento. O défice agrícola cresceu para 25% do défice global do país. 
A emigração teve razões políticas também com a fuga de muitos jovens à guerra colonial ao longo dos anos 60. Clandestina na maior parte das situações a emigração forneceu muito capital à nossa economia por via das remessas que eram permitidas pelos acordos de transferência de capitais. 
A emigração se teve algumas vantagens nomeadamente económicas teve inconvenientes no envelhecimento da população e reduziu a população ativa. 

O desenvolvimento industrial 
Apesar da política de autarcia desenvolvida por Salazar o país continuou dependente do fornecimentos de matérias primas, bens e equipamentos importados. A guerra acentuou a escassez e chamou a atenção para a necessidade de industrializar o país. 
Em 1945 a Lei de Fomento e Reorganização Industrial estabeleceu as bases da política de industrialização das décadas seguintes que no entanto acentuava a vertente de isolacionismo económico que vinha sendo desenvolvida. O I Plano de Fomento (1953 a 1958) acentuou o investimento público na modernização de infraestruturas de comunicação, eletricidade e transportes. 
O II Plano de Fomento desenvolvido entre 1959 e 1964 incidiu privilegiadamente nas indústrias transformadoras de base como as alimentares químicos, petróleos, siderurgia etc. Esta fase assistiu à entrada de Portugal na EFTA, a assinatura dos acordos de comércio livre e acordos com o Banco Mundial e o FMI. Entre 1965 e 1967 desenvolveu-se um Plano Intercalar de Fomento que prenunciou novas orientações do comércio e do investimento viradas para o comércio externo. O conjunto destas medidas representou o abandono das políticas de autarcia e de isolamento e a entrada de investimento estrangeiro no país através da instalação de várias linhas de montagem de bens de consumo como automóveis e eletrodomésticos. 
O 3º Plano de Fomento desenvolvido a partir de 1968 por Marcelo Caetano aceitava claramente as regras do comércio internacional e apoiava a lógica de concorrência e de concentração empresarial além de incentivar a exportação nomeadamente de têxteis, lanifícios e calçado e o investimento estrangeiro no país. 

Urbanismo 
A par das transformações económicas processou-se uma transformação urbana assinalável. As migrações de populações rurais para os grandes centros urbanos acentuou-se atraídas pelo emprego na indústria e comunicações então em grande desenvolvimento. Cidades desde Braga a Setúbal conheceram grande expansão. No entanto, a par desta migração não houve a correspondente construção de infraestruturas que continuaram obsoletas. Os ordenados mantiveram-se também a níveis muito baixos e o modelo de desenvolvimento não permitia um crescimento assinalável do PIB motivo pelo qual continuavam a existir muitos bairros de lata, construções clandestinas e falta de saneamento básico e de transportes públicos eficientes.  

O fomento económico das colónias 
O modelo de desenvolvimento das colónias foi até aos anos 40 o tradicional sem grandes investimentos industriais remetendo as colónias para o papel de fornecedoras de matérias primas aliás conforme o estipulado no Ato Colonial de 1930. A partir de 1953 o desenvolvimento das colónias seguiu a par com o estipulado nos planos de fomento estimulando-se o investimento público e privado e abrindo-se as portas ao investimento estrangeiro. Desenvolveram-se infraestruturas de transportes e os sectores agrícolas e extrativo. Também a industrialização se desenvolveu com capitais privados e estrangeiros atraídos pelas riquezas imensas dos territórios mesmo após o início da guerra colonial período durante o qual o investimento ainda aumentou mais. 

Radicalização de posições e o sobressalto político de 1958
Com o final da guerra e o fim das ditaduras do eixo também em Portugal se anunciavam mudanças que se acreditava poderem mudar a face do país. Convocaram-se eleições livres antecipadas e anunciaram-se medidas de revisão constitucional. Ainda no ano de 1945 fundou-se o MUD - Movimento de Unidade Democrática, fizeram-se propostas de alteração do calendário eleitoral e sugeriram-se mudanças: 

  • liberdades de reunião, expressão e de opinião, 
  • reformulação de cadernos eleitorais 
  • adiamento das eleições para permitir a formação de partidos. 

As reivindicações não foram satisfeitas. As listas de adesão ao MUD foram analisadas pela política que exerceu repressão sobre todos aqueles que ao movimento tinham aderido. 

A evolução das tensões da Guerra Fria e o alastramento do comunismo na Europa sobressaltaram o regime, travaram as reformas e Portugal aderiu à NATO. 
Em 1949 novo ato eleitoral para eleição de Presidente da República viu a candidatura de Norton de Matos surgir no quadrante democrático mas o clima de repressão obrigou-o a desistir. 
O acontecimento seguinte que concentrou os esforços da oposição foram as eleições de 1958  também para a Presidência da República. O candidato do regime era Américo Tomás enquanto o da oposição era o general Humberto Delgado. A candidatura do "General sem Medo" provocou grande entusiasmo e mobilização popular mas Américo Tomás foi eleito com 75% dos votos deixando no ar a suspeita de manipulação de resultados. Salazar, procurando evitar a repetição de situações semelhantes alterou a constituição substituindo o sufrágio direto pela eleição por um colégio eleitoral. 

Os anos seguintes foram de contestação vinda de todos os quadrantes. Católicos e opositores dos mais diversos fizeram aumentar a repressão do regime. O bispo do Porto D. António Ferreira Gomes, foi exilado por discordar das posições de Salazar e os acontecimentos precipitaram-se. A guerra colonial começara e a contestação aumentava. O exílio e a morte de Humberto Delgado, o apresamento do navio de cruzeiro Santa Maria por Henrique Galvão em 1961, foram episódios que Salazar não conseguiu resolver de forma satisfatória. Galvão e os restantes assaltantes foram entregues pelas autoridades americanas ao Brasil, que lhes ofereceu asilo.  

A questão colonial
Num contexto internacional de descolonização em andamento e a aceitação internacional da legitimidade de autonomia dos territórios coloniais Portugal assumiu uma posição desfasada e em contracorrente das posições internacionais. Baseando-se no lusotropicalismo difundido por Gilberto Freire nos anos 50 e a mística expansionista e nacionalista que fundamentava o Estado Novo Portugal assumiu uma posição de resistência aos movimentos de descolonização que a partir de 1961 afetaram todas as colónias portuguesas. Entretanto na sequência de algumas pressões internacionais que se vinham exercendo no quadro das Nações Unidas e da evolução política internacional no contexto da bipolarização, algumas medidas tinham sido tomadas por Salazar: 
  • 1949 Portugal faz parte da Nato.
  • 1951 revogação do Ato Colonial. Mudança do léxico colonialista. Províncias Ultramarinas em vez de colónias e integração do seu estatuto na Constituição através da reforma constitucional de 1951. 
  • 1955 Portugal subscreve a Carta das Nações Unidas.
  • 1959 Portugal na OCDE. 
  • 1960 Portugal integrado na EFTA.
  • A política económica das províncias ultramarinas foi reformulada e atualizada e o investimento em infraestruturas e na educação pretendia legitimar a ocupação, no quadro do 1º Plano de Fomento de 1953 a 1957: infraestruturas, transportes e sectores extrativos. 
  • O papel evangelizador das Missões Católicas era reforçado com o Acordo Missionário de 1940 e posteriores reorganizações das dioceses e missões apoiadas pelo Estado e governos provinciais. 
  • Com o início das lutas pela libertação opõem-se duas teses: integracionista e federalista. A tese federalista defendia a progressiva autonomia das colónias e a constituição de uma federação de estados que salvaguardasse os interesses portugueses; a tese integracionista simplesmente advogava a continuação do colonialismo. Apesar da contestação de vários sectores da sociedade e do exército, que propunham o caminho da autodeterminação, os primeiros acontecimentos, ocorridos em Angola levaram ao envio de tropas e ao início de uma longa guerra. 


A luta armada 
Os confrontos iniciaram-se no norte de Angola em 1961 mas os movimentos de libertação já existiam antes: 
  • Angola, surgiu a UPA-FNLA em 1955; o MPLA em 1956; a UNITA em 1966. A guerra iniciou-se em 1961.
  • Guiné, surgiu o PAIGC em 1956. A guerra iniciou-se em 1963.
  • Moçambique, surgiu a Frelimo em 1962. A guerra iniciou-se em 1964.
A guerra exigiu um enorme esforço ao Estado português que desviou imensos recursos financeiros para enfrentar uma guerra e desenvolver territórios que estavam condenados a ser perdidos. 

Isolamento Internacional
Diversos acontecimentos e debates na ONU marcaram a contestação internacional à ocupação colonial que nem a retórica nem a semântica institucional e governamental conseguiram mudar. Desde 1955 que Portugal teimava em considerar de forma mal fundamentada que os territórios africanos eram parte integrante da nação e não colónias como eram designadas pelos opositores nomeadamente os países do Terceiro Mundo que contra argumentavam apresentando factos e denunciando situações. A partir de 1961 a posição de Portugal foi condenada nas Nações Unidas tendo a resistência do governo levado ao isolamento progressivo face ao desrespeito pela Resolução 1514. 

Também a administração americana durante a presidência de Kennedy censurou severamente a posição portuguesa que provocava o extremar de posições dos movimentos armados,  levando estes  a uma aproximação progressiva da União Soviética e de Cuba. Por isso os E.U.A. financiaram grupos armados como a FNLA e a UNITA mas também sugeriram soluções de compromisso com promessas de auxílio económico a Portugal caso recorresse a uma solução pacífica e negociada. 
No entanto a resistência de Salazar foi trágica sabendo usar habilmente o trunfo da base das Lages de que os americanos necessitavam para o seu esforço de guerra no Vietname nomeadamente a partir da presidência de Johnson e Nixon. 


A Primavera Marcelista
Subindo ao poder em substituição de Salazar doente, acreditava-se que Marcelo Caetano conseguiria reformar o regime encontrando uma via para a resolução dos maiores problemas do país: a guerra colonial e a falta de democraticidade do regime. 
Algumas medidas foram feitas: 
  • Abrandamento da repressão pela polícia política
  • Mudança da designação da PIDE para DGS
  • Abrandamento da censura sobre a informação e a criação artística e literária
Outras reformas políticas foram realizadas na preparação para o sufrágio de 1969
  • institucionalização do voto feminino
  • autorização de fiscalização dos cadernos eleitorais pela oposição
  • fiscalização das mesas de voto
  • legalização de agrupamentos políticos da oposição
Os resultados das eleições para a Assembleia Nacional contrariaram as melhores previsões. Os lugares do Parlamento foram todos ocupados por deputados do regime e uma onda de protestos sobreveio nomeadamente nas zonas urbanas mais importantes: protestos de estudantes, operários e gente da cultura fizeram aumentar a repressão e afastar as perspetivas mais otimistas. 

O impacto da guerra colonial
O desejo de resolução da guerra colonial de forma pacífica foi contrariado com a rejeição dessa hipótese pelos principais chefes militares que desejavam a continuação do conflito. Marcelo Caetano embora redigindo um projeto de revisão do estatuto das colónias que levaria a uma autonomia progressiva não teve também o apoio desejado da maioria conservadora da Assembleia Nacional. A política continuou sendo a mesma e a luta armada reforçou-se por parte dos movimentos de libertação principalmente na Guiné. 




Ao mesmo tempo o isolamento internacional acentuou-se e Portugal perdeu gradualmente os aliados, tendo mesmo o Vaticano recebido representantes dos principais movimentos. A O.N.U. reconheceu a independência da Guiné em 1973 e a imagem internacional do governo tornou-se insustentável. 
Na Assembleia Nacional surgiu uma ala liberal corporizada por Pinto Balsemão e Sá Carneiro.  A contestação dos católicos progressistas aumentou bem como a formação de grupos oposicionistas  de extrema esquerda como a LUAR de Palma Inácio. Alguns sectores do próprio exército reconheciam a necessidade de uma solução negociada e o fim da guerra colonial e gradualmente Marcelo Caetano apercebeu-se de que o regime estava sem saídas em vésperas de 25 de Abril de 1974. 

segunda-feira, 7 de março de 2022

OA ANOS 60 E O INÍCIO DE UMA NOVA MENTALIDADE: OS MOVIMENTOS DE CONTESTAÇÃO JUVENIL

 Ao longo da década de 60, a canção converteu-se num instrumento de crítica social e política, denunciando a pobreza, o racismo, a destruição da natureza, as armas nucleares e a guerra.


Assim, o rock assumiu-se como um dos pilares da contestação juvenil. 
O número de jovens no mundo ocidental era considerável, devido ao baby-boom do pós-guerra, e estes buscavam um estilo de vida diferente do das gerações anteriores, acomodadas aos padrões da vida burguesa, dando início a um poderoso movimento de contestação.
Este movimento teve origem em universidades europeias e americanas, onde o sistema de ensino e as regras de funcionamento, considerados antiquados, eram postos em causa pelos estudantes.
Nos EUA, as universidades de Berkeley (São Francisco) e Columbia (Nova Iorque) foram ocupadas em 1964, pelos estudantes que exigiam mudanças radicais.

Para além das suas reivindicações específicas, os estudantes americanos mostravam-se atentos aos grandes problemas da sociedade em que viviam: envolviam-se ativamente na luta pelos direitos cívicos dos negros,


a emancipação da mulher,

e o movimento pacifista que surgiu contra a participação dos EUA na guerra do Vietname, cujas manifestações mobilizavam multidões, em particular estudantes, na América ou noutras cidades europeias.




Em 1968, Paris tornou-se no centro de uma revolta estudantil que atingiu a Europa. Conhecida pelo nome de "Maio de 68"  atingiu a Sorbonne e o Quartier Latin tornou-se num campo de batalha entre estudantes e polícia. Dinamizados por uma minoria politizada, que tinha como referenciais as figuras revolucionárias de esquerda, os estudantes denunciavam a falta de condições das universidades, com poucos professores e falta de instalações. Ao mesmo tempo, clamavam contra a guerra do Vietname, o imperialismo americano e o totalitarismo soviético.


Esta crise, que começou por ser um problema estudantil, rapidamente se tornou numa sublevação social e política, com greves e ocupações de fábricas.
O Maio de 68 tornou-se num símbolo dum combate para o qual contribuíram o conflito de gerações, o descontentamento social e a reação ao autoritarismo. Por isso, as suas repercussões passaram para lá da cortina de ferro e fizeram-se sentir na cidade de Praga que nesse ano se revoltou contra a invasão soviética.
Outra faceta da contestação juvenil fez-se sentir na revolução dos costumes desencadeada pelo movimento hippie (com epicentro na Califórnia, com destaque para a cidade de São Francisco em 1967).




Os jovens levavam uma vida alternativa em comunas. eram adeptos da liberdade sexual, do amor livre e amantes da paz (make love not war). Os hippies evidenciavam um total despojamento e despreocupação, visíveis no vestuário leve, colorido e florido, nos cabelos soltos e compridos, muitas vezes descalços, no consumo de drogas alucinogénias.


Grandes confraternizações e festivais de música ao ar livre reuniam essas multidões de jovens, como o conhecido festival de Woodstock (1969).
Estas multidões de jovens, assumiam-se, assim, como protagonistas de uma contracultura (através de um estilo de vida que denuncia os valores materialistas da sociedade, contrapondo a ausência de regras sociais e morais, o espiritualismo, o pacifismo, o regresso à Natureza.

quarta-feira, 2 de março de 2022

AS TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS E CULTURAIS DO TERCEIRO QUARTEL DO SÉCULO XX

 No segundo pós-guerra, Nova Iorque substitui Paris como capital das artes (doc. 1, p.150 e doc. 2, p. 151). É lá que surgem novas formas de expressão que versam o absurdo da existência e ironizam sobre os ritos sociais. As novas correntes mostram-se herdeiras do legado vanguardista da primeira metade do século (em particular do abstracionismo, do dadaísmo e do surrealismo) e da reflexão sobre a condição humana incrementada pelo existencialismo (p.156, doc. 12), de que são exemplos Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoire e Albert Camus.


Jackson Pollock exemplo do expressionismo abstrato (1945-60)
A partir de 1958 surge uma outra corrente, a pop art - significando literalmente arte popular - pretendendo exprimir uma aproximação à cultura e aos meios de comunicação de massas. Integrava objetos e temas da sociedade de consumo no mundo da arte. O grande representante americano da pop art foi Andy Warhol (doc. 6, p. 154).
Algumas vanguardas dos anos 60 e 70 levaram até às últimas consequências a desmaterialização da arte (muito inspirada no absurdo dadaísta). É a chamada arte conceptual (docs. 9, 10, 11, p. 155) que se caracteriza por secundarizar a obra de arte enquanto objeto físico, privilegiando o conceito ou ideia que lhe está subjacente.
Entretanto, a América é também o berço de muitos dos grandes progressos científicos e tecnológicos que revolucionam a produção, as comunicações, a sociedade e a vida humana - a robótica, o computador e o pc,  a energia nuclear, o laser,  os aviões supersónicos, o circuito integrado, a tac, a fertilização in vitro, a estrutura do ADN, os transplantes de órgãos ... (pp. 158 a 161).
Dos EUA irradiam os padrões culturais e os hábitos consumistas. 



O cinema, a televisão, disseminada nos anos 50, e o rock and roll difundem a imagem de um mundo próspero, despreocupado e feliz.



Até 1962, as estrelas americanas brilharam no rock and roll mas a situação mudou com o aparecimento dos Beatles.
A evolução qualitativa levada a cabo por este grupo e o impacto das suas canções entre os jovens dos mais variados estratos sociais e países, fez com que a música pop passasse a integrar o universo da arte, deixando para trás o estigma de produto de "baixa cultura". 
Os Rolling Stones foram outro êxito da música britânica mas, no entanto, criaram uma imagem de "perigosos degenerados", que os demarcou dos Beatles, mas que se coadunava com o espírito irreverente do rock.
No entanto, há quem resista à padronização da cultura americana, o que é bem visível na produção cinematográfica que vai surgindo na Europa e na Ásia como alternativa à produção de Hollywood.
Por exemplo, o cinema indiano, a partir da década de 50 ou o cinema japonês de que tomamos como exemplo um excerto dos Sete Samurais (1954) do mestre Akira Kurosawa:


Em Itália faz escola a corrente do neorrealismo de que são exemplo Vittorio de Sica com Ladrões de Bicicletas (1948):


ou Roberto Rosselini com Roma, Cidade Aberta (1945)


Em França surge o movimento da Nouvelle Vague, com cineastas como François Truffaut, Claude Chabrol ou Jean-Luc Godard.


O realizador sueco Ingmar Bergman surge com a exploração de temas intimistas, grande preocupação estética e forte componente teatral:
No mundo ocidental, os jovens, as mulheres, os ecologistas, as minorias étnicas são os responsáveis pela organização de movimentos de contestação que abalam os alicerces da sociedade capitalista.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

O FIM DA PROSPERIDADE ECONÓMICA - CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS

 



1973 marcou o fim do longo período de prosperidade económica do pós-guerra.

  • O choque petrolífero 
O apoio dos E.U.A e da Europa a Israel no período que se seguiu à ocupação dos territórios árabes na sequência da Guerra dos seis dias em 1967 e da guerra do Yom Kippur provocou a retaliação dos árabes utilizando a matéria prima como arma contra a economia ocidental. O abastecimento de petróleo ao ocidente foi fortemente condicionado e mesmo cortado aos E.U.A., Holanda e Dinamarca. Tal situação provocou uma espiral inflacionista e uma crise económica que se aprofundou ainda mais em 1979 devido à crise do Irão e à guerra Irão/Iraque. Neste período várias economias como a portuguesa entraram em crise acentuada.
  • A instabilidade monetária
Também a instabilidade monetária provocada pela desvalorização do dólar resultante do elevado défice dos E.U.A. e consequência dos gastos elevados com a guerra do Vietname e investimentos no exterior, vieram ainda complicar mais a situação dado que Nixon suspendeu em 1971 a convertibilidade da moeda em ouro provocando uma crise monetária que afetou todas as economias do mundo ao longo dos anos 70.
  • A concorrência dos produtos estrangeiros na economia americana
  provocou uma crise de superprodução na indústria reduzindo os lucros das empresas.


A crise dos anos 70 teve efeitos duradouros e marcou uma viragem em todo o mundo. 
  • O desemprego tornou-se um problema crónico dos países de todo o mundo dado o elevado preço do petróleo que desde então condiciona toda a produção industrial e todo o comércio mundial obrigando em períodos de maiores dificuldades ao despedimento ou encerramento das empresas. 
  • O setor secundário sofreu grandes transformações decorrentes da sua reconversão e modernização e do aparecimento de novas tecnologias que aceleram a produção e as trocas e permitem reduzir o número de funcionários das empresas com a utilização de robots e programas informáticos. 
  • O Setor terciário e o comércio desenvolveram-se embora a um ritmo menos rápido do que antes de 1970 (cerca de 5%)
  • A dimensão dos aparelhos de Estado conheceu grande desenvolvimento que foi resultante da multiplicação de serviços estatais e da generalização do Welfare State, assente no pressuposto da igualdade de direitos também no acesso a bens e serviços essenciais como a educação, a saúde e a justiça.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

O TERCEIRO MUNDO E O MOVIMENTO DOS NÃO ALINHADOS

 O terceiro mundo, a Conferência de Bandung e o movimento dos não alinhados.

A AFIRMAÇÃO DAS NOVAS POTÊNCIAS

 O rápido crescimento do Japão


O rápido desenvolvimento do Japão a partir de 1952 deveu-se a vários fatores entre os quais se destacam: 

  • A ajuda norte americana que promoveu a implantação de um novo regime político multipartidário e democrático e a concessão de ajudas, apoios económicos e às exportações e uma ajuda financeira substancial necessária à recuperação do país.
  • o entendimento entre o Estado e os grandes grupos empresariais no sentido de promover o crescimento económico e o desenvolvimento social. O Estado interveio na regulação do investimento, na concessão de créditos, na proteção das empresas e do mercado nacional não sobrecarregando as empresas com obrigações sociais que dificultassem a sua reconversão e recuperação. 
  • Uma cultura tradicionalista com a colaboração ativa de uma população imbuída de um espírito de entreajuda e de lealdade e colaboração com os empresários mantendo baixos níveis de reivindicação salarial e possuindo um nível de escolaridade elevado.  
O milagre japonês
Sem matérias primas e pouco território cultivável o Japão baseou o seu crescimento no pós guerra num desenvolvimento industrial e comercial em duas fases: 
  • de 1955 a 61 uma primeira fase em que a produção industrial triplicou e em que se realizaram investimentos nas industrias transformadoras de bens de consumo e indústria pesada. As exportações aumentaram assim como as importações de matérias primas. 
  • de 1966 a 71 com um novo impulso económico nas áreas da eletrónica e da produção automóvel. 


O afastamento da China do bloco soviético 

Mao Tsé Tung tornou-se o líder da China comunista. Com ele o marxismo assumiu uma feição diferente do leninismo, o chamado maoísmo que enfatizava o papel dos camponeses na liderança da revolução e considerava a necessidade de uma revolução social protagonizada pelas massas sendo para isso necessário consciencializar as populações para as transformações revolucionárias tendo como base a atuação dos dirigentes de acordo com uma postura de humildade e autocrítica. 
A revolução não teve os resultados que Mao previa nos primeiros anos. É assim que, a partir de 1957, Mao  se afastou progressivamente da União Soviética e do seu modelo de desenvolvimento industrial censurando a postura revisionista e reformista da coexistência pacífica, que Krutschev desenvolveu, com as aproximações feitas aos E.U.A. e ao mundo ocidental. 
O Grande salto em frente desenvolveu-se então, incidindo a atenção governamental nas  comunidades rurais baseando-se num modelo de auto suficiência de agricultura comunal e  indústria artesanal, em vez da indústria pesada como ocorrera anteriormente. 
Censurado pelos soviéticos, Mao considerava a China o único país verdadeiramente comunista facto que seduziu os intelectuais de esquerda por todo o mundo nomeadamente os ocidentais e africanos. 
No entanto o falhanço desta política levou ao afastamento provisório de Mao que no entanto recuperou influência a partir de 1964 após a publicação do Livro Vermelho. Este, permitiu o regresso ao poder de Mao com a Revolução Cultural chinesa que  no entanto levou a um período de grande instabilidade que Mao só conseguiu vencer em 1968 recorrendo à repressão e efetuando uma depuração forçada na sociedade. 

Recuperando influência, Mao desenvolveu uma diplomacia intensa nomeadamente recorrendo ao apoio dos E.U.A. e do presidente Nixon que na altura estava envolvido no recrudescimento das  tensões com a União Soviética. Em 1971 a China Comunista substituiu a China Nacionalista (Formosa) na O.N.U., facto que foi considerado uma grande vitória pelas esquerdas em todo o mundo e com enorme impacto no alastramento das tensões anti imperialistas em vários territórios de África e Ásia nomeadamente nos conflitos do Vietname, Laos, Angola, Moçambique e Guiné. Teve no entanto um forte impacto pela dissolução progressiva das influências políticas bipolares que até então se verificavam no mundo. A China tornou-se desde então numa grande potência militar a nível mundial. 

Ascensão da Europa - da CECA à CEE

Nos anos do pós-guerra surgiu um novo consenso nos meios políticos quanto à necessidade de a Europa construir um novo modelo de convivência pacífica facto que provocou ao mesmo tempo a criação de várias organizações europeístas e de encontros e outros eventos cujo objetivo era construir laços entre os países do velho continente. 
Apesar das divergências que radicavam numa perspetiva do que poderia vir a ser a Europa num futuro de médio prazo - uma confederação de estados independentes ou uma federação de estados europeus - a Declaração Schuman deu um primeiro passo para a cooperação entre a França e a Alemanha como forma de contrariar ressentimentos e impulsionar uma orientação pacifica e produtiva entre as duas grandes potências continentais. Assim, surgiu entre estes dois países, em 1951, a CECA, Comunidade Europeia do Carvão e do Aço ao qual  aderiram também a Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo e controlada por uma Autoridade supranacional. Com base nesta organização surgiu em 1957 a CEE criada pelo Tratado de Roma núcleo fundador da União Europeia, com os seguintes objetivos: 





A UNIÃO EUROPEIA

  • implementação progressiva da livre circulação de capitais, bens e pessoas.
  • livre emprego.
  • livre prestação de serviços. 
  • política agrícola comum, política comum de transportes e de energia. 
Em 1968, estabeleceu-se a união aduaneira que desde logo permitiu um acréscimo imediato do comércio e da intensidade das trocas e da produção agrícola e industrial. 
Em 1973, integraram a CEE, o Reino Unido, a Irlanda e a Dinamarca.  Em 1981 a Grécia.
Em 1986, Espanha e Portugal. Em 1995 a Áustria, a Finlândia e a Suécia.
Em 2004, a República Checa, Chipre, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Malta e Polónia. Em 2007, Bulgária e Roménia. E desde aí...?

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

A AFIRMAÇÃO DOS ESTADOS PROVIDÊNCIA

 O Reino Unido terá sido pioneiro do Estado Providência, já que desde os anos 20 medidas foram tomadas no sentido de minorar os efeitos do desemprego e prever situações de doença. Depois da 2ª GG o sistema generalizou-se impulsionado pelas políticas social-democratas acautelando as situações não só de desemprego e doença mas também de velhice e acidente, apoio às famílias e outros subsídios aos mais pobres. Também ao Estado foram conferidas responsabilidades no campo da habitação, ensino e saúde com o objctivo de reduzir a miséria e contribuindo para maior justiça e bem estar social. 



Prosperidade económica 

Os anos 50 assistiram a grande crescimento económico nos países ocidentais tendo o capitalismo possibilitado um acréscimo de bem estar a largas camadas de população de uma forma nunca antes vista. De 1945 a 1973 houve grandes acréscimos da produção mundial para isso contribuindo em grande parte sectores essenciais como os da energia e da produção automóvel. Nesse período não se assistiram a períodos de crise económica e certos países como o Japão, Alemanha e França tiveram elevadíssimas taxas de crescimento devidas a factores como: 

  • aceleração do progresso tecnológico
  • recurso ao petróleo como matéria prima energética por excelência. 
  • aumento da concentração industrial e do número e dimensão das empresas multinacionais.
  • aumento da população activa
  • modernização da agricultura
  • crescimento do sector terciário

Sociedade de consumo

A Europa aderiu ao longo dos anos 50 e 60 a padrões de consumo e conforto análogos aos dos E.U.A. para isso contribuindo em muito: 
  • o pleno emprego
  • salários em crescimento constante
  • elevada produção de bens de consumo
  • os preços acessíveis dos bens de consumo
Algumas características deste modelo económico e de consumo já são conhecidos: 
  • a publicidade 
  • o recurso ao crédito 
  • multiplicação dos espaços comerciais e dos serviços
  • a grande intensidade das trocas comerciais e o dinamismo económico de todos os sectores da economia. 

EXEMPLOS DE CONFLITOS NO PERÍODO DA GUERRA FRIA

 Conflitos do período da Guerra Fria - O Bloqueio de Berlim


O primeiro grande confronto entre a União Soviética e os Estados Unidos da América deu-se a propósito da Questão de Berlim. 

Em 1948 as potências ocidentais que ocupavam a Alemanha, E.U.A., Inglaterra e França consideravam fundamental a reorganização política duma Alemanha aberta à Europa e ao mundo ocidental como forma de oferecer uma resistência eficaz aos anseios de expansão do comunismo na Europa Ocidental, face ao que tinha sucedido em países como a Polónia, Hungria ou Checoslováquia, completamente dominados por regimes comunistas. Assim acordaram na criação de uma República Federal Alemã, projecto que foi mal recebido pelos russos que não aceitavam a entrega da soberania política aos alemães nem a desocupação do seu território pelas suas tropas. 

No entanto, como reacção ao projecto dos países ocidentais, a União Soviética decidiu a fundação de um estado alemão socialista, a Republica Democrática Alemã que no entanto só se tornou efectivo em 1949. 
Neste quadro conflituoso ficava por resolver a situação da capital, Berlim, que estava também dividida em quatro zonas de influência mas estava situada na zona de ocupação soviética. Os Soviéticos procurando impor a  dominação soviética a toda a cidade de Berlim e não só à sua zona da cidade forçando a saída dos ocidentais da cidade bloquearam as saídas e entradas na cidade de todos os transportes e pessoas impedindo assim o acesso das forças militares da Alemanha Ocidental às suas zonas de influência dentro da cidade. 
Neste contexto conflituoso foi organizada uma ponte aérea para abastecer as zonas ocidentais da cidade de Berlim durante o período de bloqueio em que os soviéticos mantiveram a cidade fechada. O bloqueio terminou em Maio de 1949. 

A Guerra Fria

O clima de tensão e antagonismo que se desencadeou com os acontecimentos referidos atrás, perdurou durante 40 anos e constituiu aquilo a que os académicos, jornalistas e estudiosos designaram como Guerra Fria. 
Este foi um conflito marcado por uma permanente corrida aos armamentos, um clima de paz armada entre as grandes potências e  a proliferação de pequenos conflitos locais em todo o mundo que exprimiam a oposição entre as duas potências que quase sempre se encontravam na retaguarda desses conflitos, apoiando cada uma das partes em confronto. 
Em oposição encontravam-se também duas visões do mundo, da sociedade e da economia e muitas vezes também de cultura: uma apoiada nos ideais de liberalismo, liberdade individual e livre iniciativa, a outra assente sobre ideais marxistas e leninistas de coletivização, estatização e economia planificada. Vários conflitos de carácter político ou revestindo o aspecto de lutas pela independência foram o rosto desse confronto, destacando-se apenas as seguintes: 

  • O conflito israelo palestiniano iniciado em 1948 com a independência de Israel
  • A formação da República Popular da China em 1949 com a subida ao poder de Mao Tse Tung 
  • A guerra da Indochina desde 1946 e a da Coreia iniciada em 1950.  
Vários episódios de espionagem e contra espionagem dominaram também as preocupações das duas superpotências. Em todas as situações, apoiando os antagonistas estavam presentes os interesses dos E.U.A. e a U.R.S.S.

O MUNDO CAPITALISTA - O MUNDO DE ALIANÇAS DOS EUA

 Como consequência do clima de crescente antagonismo, as superpotências criaram acordos militares de cooperação e entreajuda entre os seus mais próximos aliados. Os EUA criaram assim:


  • Em 1949 a NATO/OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) agrupando os E.U.A. e os seus aliados Canadá, e grande parte dos países da Europa Ocidental com carácter puramente defensivo  dos interesses dos países ocidentais e capitalistas. 
  • Outras alianças multilaterais reforçaram em todos os continentes este espírito defensivo: a OEA, a ANZUS, a OTASE e CENTO. Assim, em 1959, 75% do mundo alinhava com os E.U.A. em múltiplas alianças que reforçavam o seu poderio económico e político.
Ao mesmo tempo os EUA destacavam um conjunto de meios militares próprios para assegurarem a vigilância e a proteção dos seus interesses e dos países aliados. As esquadras americanas estavam estacionadas nas zonas marítimas estrategicamente mais importantes: 

2ª esquadra - Atlântico Norte até às Caraíbas
3ª esquadra - Pacífico central e costa oeste americana
4ª esquadra - América do sul 
5ª esquadra - Indico, Suez, Golfo Pérsico 
6ª esquadra - Mediterrâneo e atlântico oriental
7ª esquadra - Pacífico Central e ocidental, sueste asiático, mares da China e Japão

O TEMPO DA GUERRA FRIA - A CONSOLIDAÇÃO DE UM TEMPO BIPOLAR

 Mapa EUA e alianças 




Mapa mundo socialista anos 60

A partir de 1947 processou-se sob a tutela do Kominform (Secretariado de Informação soviético) a sovietização dos países da Europa Oriental transformando a expansão da influência soviética num perigo para o mundo capitalista ocidental. 
Reagindo à situação e dando razão a Churchill o presidente americano Harry Truman formulou a doutrina Truman que exprimia uma conceção dualista do mundo entre as duas superpotências. Os E.U.A. representavam o Bem e a U.R.S.S representava o Mal. 

Ao mesmo tempo Truman considerava a necessidade de auxiliar os países da Europa Ocidental como forma de evitar a repetição de situações ocorridas 20 anos antes e atenuar os efeitos de grandes recessões no mundo capitalista provocadas pelos efeitos da crise. 
Também o ministro soviético Jdanov afirmava por sua vez que competia à União Soviética a missão de apoiar os estados que perseguissem a paz e a liberdade na luta contra o imperialismo americano. 

Foi neste contexto que foi criado o Plano Marshall em 1947, plano de auxílio económico à Europa que pretendia auxiliar a recuperação económica dos países afetados pela guerra, mesmo os países que nela não tinham participado como Portugal ou a Espanha ou os que estavam na órbita política soviética. Este plano de ajuda deu origem à OECE (Organização Europeia de Cooperação Económica).

Em 1949 também a União Soviética lançou um programa semelhante de ajuda aos países da Cortina de Ferro, o Plano Molotov e posteriormente o COMECON, depois de terem recusado a oferta americana do Plano Marshall. 




Desta forma estabeleceu-se a partir dos anos 50 uma divisão política do mundo em áreas de influência controladas pelas duas superpotências.